Foto: Carolina Montenegro

Quando se trata do mundo mágico de Harry Potter, todo mundo tem um personagem ou feitiço favorito, um professor que ama ou detesta e uma casa para a qual gostaria que o Chapéu Seletor o enviasse (my guilty pleasure: Slytherin).

Nós, os adolescentes dos anos 2000, pela primeira vez presenciamos um fenômeno literário. Escolas adotaram os livros da série como literatura complementar e mesmo quem não gostava de ler saía com seus volumes de HP debaixo do braço e era feliz mergulhando no novo universo da magia que se criava.

Eu me lembro da euforia que era entre os meus amigos de colégio cada vez que saía um novo exemplar ou que escapava um capítulo, ainda em inglês, na internet. Sonhávamos com as cartas de Hogwarts entrando pelas janelas da casa e com vassouras voadoras que nos fizessem tirar os pés do chão – ao menos para um jogo de quadribol.

Confesso, meu personagem favorito do começo ao fim da história foi o ruivinho Ronald Weasley. Mas, ao longo da história – e depois de Sirius Black – certa duplinha começou a ganhar mais espaço no meu coração.

Eles mesmos, os gêmeos Weasley!
Eles mesmos, os gêmeos Weasley!

Durante a adolescência, claro, eu adorava a genialidade dos gêmeos. A criatividade pra inventar doces e jogos, a conexão que mais se assemelha a leitura de pensamentos, a sagacidade pra resolver problemas e ouvir conversas atrás das portas com suas orelhas extensivas. Hoje, bem, hoje eu não mudei de opinião quanto a isso. Mas passei a observar a genialidade dos Weasley de uma forma mais, digamos, madura.

Eles são um dos melhores exemplos de empreendedorismo da atualidade, mesmo que na ficção. Eles sempre trabalham juntos, nunca desistem (mesmo com um monte de gente rindo da cara deles e reclamando das invenções malucas), eles criam soluções pra todos os problemas que têm da maneira mais criativa e inusitada possível, eles conhecem seu público e raramente erram no produto apresentado. E o melhor de tudo: eles sabem a melhor maneira de colocar seus produtos e serviços à disposição do seu público.

Quem não se lembra dessa cena maravilhosa em Harry Potter e a Ordem da Fênix?
Quem não se lembra dessa cena maravilhosa em Harry Potter e a Ordem da Fênix?

Já desde a escola, Fred e George têm conhecimento do seu potencial. Eles não param de criar um segundo. Orelhas extensivas, pequenos fogos de artifício, doces com as mais diversas reações corporais… não costumam ganhar pontos pelo seu comportamento, digamos, subversivo, mas têm sempre as melhores notas finais e são profundos conhecedores dos feitiços e poções necessários pra ter máxima qualidade em suas invenções (em português, as “gemialidades Weasley”). Ainda assim, sabem que a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts não é o seu lugar, são mais do tipo que age em vez de só planejar. Têm a coragem suficiente pra largar tudo, sair da zona de conforto e arriscar. Eles testam todos os protótipos de suas criações com os alunos de Hogwarts e são capazes de consertar um erro em poucos dias pra chegar ao ponto ideal. Eles têm visão de futuro, observam o comportamento e as reações do seu público e conhecem seus concorrentes (A cada visita a Hogsmeade eles voltam com um novo plano e sabem o valor de uma cerveja amanteigada com os amigos pra arejar as ideias). E o mais importante: não diferenciam amigos e parentes de seus outros clientes. Quem quiser algum dos artigos Weasley vai ter que pagar.

Fred e George Weasley podem, ainda, fazer a gente pensar em várias coisas. Inclusive “será que os meios tradicionais de estudo são mesmo o único caminho e/ou servem para todos?”. Eles deixam Hogwarts da melhor maneira possível, usando todos os seus aparatos e se livrando de Dolores Carrasca Umbridge, aumentam em 100% sua popularidade entre os bruxinhos da escola e saem pela porta da frente para um mundo novo. Os piores alunos da turma viram os melhores empresários do seu ramo de atuação (isso me lembra até uma tirinha que eu vi esses dias). E aí eu te pergunto: vale a pena, mesmo, ficar engessado no modelo de ensino que temos hoje? Devemos ou não ensinar empreendedorismo aos nossos filhos? Trabalhamos pra nós ou para os outros? Quem decide o nosso futuro?

Que sejamos mais livres como os Weasley e não tenhamos medo de cair das vassouras quando decidirmos voar mais alto.

Foto: Carolina Montenegro
Foto: Carolina Montenegro

Imagem 1: tirei daqui; Imagem 2: tirei daqui; Imagem 3: Carolina Montenegro

Renata Coelho Soares de Mello
Produtora cultural. Fotógrafa. Metida a poetisa. Exploradora. Curiosa. Criativa. Renata é daquelas que faz tudoaomesmotempoagora. Uma de suas maiores paixões é cair no mundo. Aproveita suas viagens pra absorver outras culturas e aprender como as pessoas se relacionam com suas cidades. Formada em Produção Cultural pela UFF, atuou em diversos segmentos até descobrir que seu caminho era empreender. Hoje, pós-graduanda em Turismo na UFF (sua segunda casa), está à frente do projeto Explore Niterói e vai compartilhar um pouco das suas pesquisas sobre turismo cultural, cidades e pessoas. Prontos pra fazer as malas?

8 COMENTÁRIOS

  1. Concordo super!
    Precisamos ensinar empreendedorismo desde cedo e dar a oportunidade das nossas crianças/adolescentes aprenderem de todas as maneiras possíveis, potencializando as suas competências e incentivando a sua criatividade.

    😀

  2. Consegui abrir aqui. 🙂 Incrível analogia, sempre se destacaram por andar sobre as águas, serem mais que “apenas” bruxos. Acho que os adolescentes hoje tem uma mentalidade mais aberta pras informações de criatividade e inovação, basta incentivá -los por meio de um sistema novo de educação. Espero que isso se realize! #crossingmyfingers

  3. Duas coisas:
    -HP <3
    -Weasleys <3 <3

    hahahaha

    Texto incrível, adorei a associação deles ao espírito empreendedor.
    Quando você tem a motivação, apoio e mente aberta para pensar fora da caixinha nada te impede, a não ser você!
    Excelente texto!

  4. Mais uma vez tenho a felicidade de apreciar a leveza de uma associação perfeita e lúdica de um assunto que é tão presente em minha vida ao longo dos anos. Parabéns pelo artigo e tomara que um dia nossos métodos de ensino atraiam os jovens dessa forma, pelos seus interesses, linguagem e respeito.

DÊ SUA OPINIÃO