cinema2“Anomalisa” é uma animação em stop-motion escrita e dirigida por Charlie Kaufman, com colaboração do animador Duke Johnson. Para quem não conhece (ou não se lembra), Kaufman é o roteirista de clássicos do cinema independente americano como “Quero Ser John Malkovich” (1999), “Adaptação” (2002) e “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” (2004). Ele também dirigiu um de seus mais brilhantes roteiros em “Sinédoque, Nova York” (2008), que foi sua estreia e único trabalho em direção, até agora.

Nesse seu segundo trabalho como diretor, Kaufman traz um pouco dos velhos dilemas de seus personagens. Mas de uma nova forma, não só na maneira de contar a história, mas também em como viabilizá-la financeiramente.

Segundo o cineasta, anda meio difícil produzir seus filmes em Hollywood. O que é um pouco estranho de se ouvir já que está mais do que provado seu talento e seu êxito em bilheterias de filmes do seu setor. Enfim, o negócio é que ele estava encontrando uma certa dificuldade de levar “Anomalisa” para frente (o texto original é uma peça de teatro), por isso, ele fez a opção que muitos cineastas e artistas em geral vêm fazendo: o crowdfunding.

CROWDFUNDING, EM POUCAS PALAVRAS, É ALGO QUE PODE SER CHAMADO DE “VAQUINHA VIRTUAL”.

Nesse mundo onde absolutamente tudo pode ser feito via internet (tá, quase tudo), nada melhor do que institucionalizar a famosa “vaquinha entre amigos” e torná-la uma coisa global, interativa e bem mais bonitinha de ser pedida.

Existem várias plataformas que prestam serviço de crowdfunding, ou seja, financiamento coletivo. A lógica é simples: eu, realizador, te explico a minha ideia, te seduzo a gostar dela e te ofereço recompensas (legais ou não, simbólicas ou não) em troca de você dar um dinheirinho (ou dinheirão) pro meu projeto. Ou seja: vaquinha.

No caso de Kaufman, ele usou o Kickstarter (aqui o link do projeto de Anomalisa). Em 2012 foi iniciada sua campanha no esquema “tudo ou nada”, pedindo o valor de 200 mil dólares. Um valor razoavelmente baixo para um trabalho como esse. “Tudo ou nada” é um esquema comum nos processos de financiamento coletivo. Simples: ou o projeto consegue alcançar toda a sua meta ao final de um tempo determinado de campanha, ou não consegue nada e tudo o que tiver sido doado até então é devolvido aos colaboradores.

“Anomalisa” acabou tendo um destino ainda maior do que seu início previa: chegou ao Oscar® 2016. Indicado a Melhor Filme de Animação, junto ao Divertida Mente, dos Estúdios Disney. Duas origens tão diferentes, produtos tão diferentes, acabaram enfim, chegando a um lugar comum. Curiosos esses caminhos do cinema, né?

O protagonista é Michael Stone. Um homem de meia-idade e vida estável que chega à Cincinnati, para dar uma palestra sobre seu novo livro: um guia prático para o bom atendimento no setor de serviços. Lá, em meio à uma crise visível (e audível) entre ele e o mundo, Michael conhece Lisa. Uma jovem atendente de SAC que desperta nele algo que não encontra nas pessoas ao seu redor.

O mal-estar na civilização de Kaufman é sua marca registrada e um assunto absolutamente universal. Dessa vez, vai um nível acima, ou melhor abaixo, mais profundo e tão incrivelmente humano, que talvez, nos parecesse estranho se fosse interpretado por humanos e não bonecos. É próximo demais do cotidiano, do banal, e por isso, tão extraordinário.

 

Para quem ficou interessado no crowdfunding, aí vai uma dica de projeto que está no ar para colaboração. — Tá, não é exatamente uma dica, o projeto é meu, então tá mais pra um convite:

“Sistema Solar” é meu primeiro projeto como roteirista e produtora. A história é a do menino Hélio, um garoto comum e bastante imaginativo que vai se deparar com a separação dos pais, algo que ele nunca esperava. A imaginação vai ser uma aliada nesse processo de amadurecimento do menino, e isso vai render muita coisa linda na tela!

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Vejam, divulguem, contribuam! Assim como “Anomalisa”, esse é mais um projeto de gente criativa se juntando pra fazer algo diferente e que vale a pena ser visto!

 

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Nathália Oliveira
Parte cineasta, parte bailarina e parte roteirista, Nathália Oliveira gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Formada em Cinema pela PUC-Rio, ela trabalha atualmente como redatora publicitária na Rede Telecine e roteirista de projetos independentes. Ao longo de sua formação acadêmica fez curtas universitários e clipes musicais como assistente de direção, assistente de produção, assistente de fotografia, conselheira e animadora de equipe. Trabalhou durante 6 meses como voluntária no projeto social CriAtivos organizando um cineclube para crianças. Isso tudo sem deixar de frequentar as aulas de ballet e jazz. Apaixonada por cinema brasileiro, esta é sua primeira colaboração para um site cultural. Nathália acredita que todo filme merece ser visto e vai tentar te convencer disso.

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