Tratar dos meios digitais atualmente requer alguma ideia do que a arte ja fez ou se propôs. Se vemos algo relacionado ao design ou ao cinema, encontramos elementos e conceitos que foram experimentados ou até criados por artistas há algum tempo. Para isso temos a história da arte para nos guiar no que existe dentro da arte. Cada movimento e descoberta é tratada cronologicamente para darmos crédito ao tempo em que foi feita e não somente ao seu criador. As mídias atualmente trazem esses conceitos de maneira quase respeitosa e digna de um olhar mais artístico sobre.

Não importa o meio em que a arte se encontre, sua genialidade no tipo de exposição mundial auxilia a criar no expectador um senso crítico sobre determinada situação. Nessa nossa primeira introdução vamos falar brevemente sobre o jogo Far Cry Primal, lançado pela Ubisoft agora em 2016, se passa na era do Mesolítico, cerca de 10,000 anos atrás.

O homem vivia de maneira diferente da que vivemos hoje. Seus trajes, cotidiano e comportamento faziam parte de um período de construção do que seria o homem que conhecemos nos dias atuais. Com afinada curiosidade sobre o que foi pensado pelo homem da pré-história, estudiosos no século XVI, definiram pela primeira vez o conceito de primitivo para este período. O uso do termo “selvagem” para este momento, tratava de destacar os não europeus, que, não conheciam o requinte da civilização e não tinham controle da razão. Sua cultura era considerada ignorante.

Independente de como foi definido erroneamente a arte pré-histórica antigamente, a presença de diferentes povos na terra que manifestavam interesse em registrar e marcar fatos de seu cotidiano em peças e pinturas, se torna relevante para compreender as suas sensibilidades e habilidades.

Em Far Cry Primal, encontramos algumas características artísticas deixadas pelos criadores para identificarmos o período em que está ambientado o jogo, o Mesolítico.

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Como o próprio nome indica foi um período de transição entre o Paleolítico e o Neolítico. Também conhecido como Paleolítico Superior, não obteve maior destaque em todo o planeta, pois a sua relação territorial se deu com a duração da Era Glacial. Momento que ocorreu em locais que a glaciação teve efeitos mais consideráveis.

Destacamos no Mesolítico:

  • O domínio do fogo com o poder de cozinhar comida e espantar animais
  • O surgimento da agricultura e da criação de animais domésticos. Dois fatores que apresentam o inicial processo de sedentarismo de um homem nômade.
  • Começa a divisão de trabalho no qual os homens eram responsáveis pela caça e as mulheres na organização do local que viviam e em cuidar dos filhos.

Na arte não há uma diferença entre o que foi apresentado no Paleolítico. Vemos o início de pequenas esculturas com a representação de homens e mulheres, sendo pouca a evidência da figura masculina.

Temos a imagem da mulher associada com a fertilidade. A escultura da Vênus de Willendorf é um exemplo desta manifestação encontrada no Mesolítico.

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Outro ponto é a relação direta com o Paleolítico, encontra-se pedaços de pedra lascada usados para cortar, bater ou matar. Neste período o acúmulo de conhecimento sobre o seu dia-a-dia propiciou ao homem primitivo criar utensílios domésticos, armas e instrumentos para assegurar a sobrevivência no ambiente que se encontrava.

Os instrumentos eram pontas de flecha, pequenas lanças, anzóis, machados de mão e agulhas de osso. Estes objetos ajudaram a desenvolver e a constituir os primeiros indícios de sociedade como a vida em grupos, a vida em família, hábitos sociais e hábitos coletivos. A arte e o artesanato perpassam estes momentos e servem de registro para entender como pensavam.

Nas artes a pintura rupestre era o recurso visual comumente encontrado no Paleolítico. Existem estudos que consideram estas pinturas mágicas como podemos perceber na disposição que são encontradas sendo, sempre ao fundo da caverna e de difícil acesso. A ideia serve para entendermos que as pinturas rupestres se relacionam com o sagrado.

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O homem primitivo não pintava somente pela estética e pela beleza da imagem, ele se preocupava com o resultado que podia alcançar com a imagem que registrava na caverna. Ao pintar um bisão na parede ele aprisionava a imagem dele e podia acertar ele com flechas. O que dava sorte e bom agouro para a caça no dia seguinte. Ao retornar da caça completava a imagem com o seu retrato, matando o animal e registrando a vitória de mais um dia.

Em Far Cry Primal encontramos todas essas principais características acima e ainda com o detalhe da total sobrevivência nesse período. Algo que esquecemos completamente e que se torna um detalhe principal: não estamos no topo da cadeia alimentar. Logo, qualquer animal vai nos atacar ou atacar o que acabamos de caçar.

A sobrevivência é essencial para o Homo Sapiens Arcaico tanto que conviveu com o Homo Erectus e este último foi instinto logo em seguida.

Outro fato curioso é que na maioria das vezes não nos damos conta do nomadismo que os homens da pré-história se submetiam para sobreviver. Não daria para nós ficarmos muito tempo em uma caverna se não conseguimos nos manter vivos. O interessante do jogo que a única coisa que nos auxilia é o fogo. Elemento natural que tinha acabado de ser descoberto no Mesolítico e a melhor dica de sobrevivência durante o jogo. 😉

Aldene Rocha
Nascido como um artista bastardo e um eterno aprendiz, se formou em belas artes por uma paixão de menino e seguiu levando ela até o além. Desenvolve trabalhos artísticos em diferentes mídias como vídeo, modificações em jogos eletrônicos, fotografias, instalações e intervenções urbanas. Participou de exposições coletivas e foca a sua pesquisa nas novas mídias aliada à teoria do cinema, na fotografia e na arte contemporânea. Mesmo não parecendo, curte uma praia e joga videogame nas horas vagas.

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