Em dezembro de 2013 a Delta Airlines colocou diversas promoções em seu site, entre elas, um pequeno destino com um preço muito em conta que ganhou a atenção da família Turano: Aruba. Uma pequena ilha no Mar do Caribe, um pouco acima da Venezuela (24km), cujo idioma oficial é o papiamento e o clima praticamente perfeito o ano inteiro. BONBINI NA ARUBA!

Tenho até receio de falar muito sobre esse lugar, por ciúmes, não quero que aquele pequeno paraíso fique em evidência e de repente se torne o próximo hit do verão. Mas convenhamos que com sol o ano inteiro, poucas chuvas e um mar de águas mornas e cristalinas, já é o hit do verão. Então não poupemos os comentários.

Atravessar a ilha de uma ponta à outra na sua maior extensão (entre California Lighthouse e Baby Beach) dura apenas 45 minutos de carro. O dinheiro oficial é o Florim Arubano, mas aceitam dólar americano em todos os lugares e por uma boa taxa de conversão. $1,00 Afl (Florim) custa aproximadamente R$1,27. Já parou para pensar que a moeda de Aruba vale mais que o Real? Aruba é um país independente, não tem nenhuma “grande economia” por trás apoiando como a Ilha da Madeira, que é uma ilha, mas pertence a Portugal.

O papiamento é uma mistura de português, holandês, espanhol, inglês, alemão, francês e dialetos africanos. Junto com o holandês, foi declarado a língua oficial de Aruba, Curaçao e Bonaire. Porém todos os habitantes falam inglês e é fácil se comunicar em espanhol ou “portunhol”. Um fato curioso é que a cada ano na escola, as crianças aprendem um dos idiomas que compõem o papiamento, então, por exemplo, na quarta série do ensino fundamental aprendem inglês, na quinta série, o espanhol e no ensino médio o francês é optativo.

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A ilha está fora da rota dos furacões, porém os ventos são constantes, não fortes, apenas constantes. Por conta disso, as árvores em Aruba, chamadas de Divi-divi, possuem a característica específica de nascerem e crescerem inclinadas. Ironicamente, água na ilha é cara, muito! A maioria da água potável é proveniente da dessalinização da água do mar. É um sistema custoso, que gera um produto com alto valor de mercado, logo, a maioria das casas na ilha possui um sistema de reserva, para captar a água das chuvas e conseguir economizar durante o ano. Chuvas essas que só acontecem entre dezembro e março.

O terreno da pequena ilha é arenoso, o que significa que a única coisa possível de ser plantada é Aloe Vera, gerando o único “produto” “feito orgulhosamente em Aruba” – a marca Aruba Aloe. Porque “feito orgulhosamente em Aruba” mesmo é a cultura da Ilha que com certeza encanta os turistas.

Depois dessa apresentação, podemos resumir a atividade principal de Aruba em “um país que se desenvolve e sobrevive através do turismo”, uma vez que não consegue gerar produtos e mantimentos próprios e necessita importar praticamente tudo (o que resulta em alguns altos preços, obviamente).

Depender do turismo é basicamente se apoiar na cultura e belezas naturais para movimentar sua economia, é a principal atividade econômica, e no caso de Aruba uma das poucas formas do país receber dinheiro no momento. O que leva os turistas até Aruba e os fazem querer voltar é a experiência vivida na ilha e os Arubianos sabem disso. Tanto que o slogan da ilha é “One Happy Island”. Seria o povo amigável apenas por características culturais ou por necessidade? Será que a necessidade transformou esse fator em característica do povo?

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Devido ao clima, Aruba a torna uma das principais nas rotas dos Cruzeiros. É impressionante ver como Oranjestad (a capital) se desenvolveu por conta dessa atividade, à volta do porto há diversos hotéis, restaurantes, “feirinhas”, venda de passeios pela ilha, lojas de grife de luxo e joias, muitas joias.

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O comércio de experiências é o mais forte e o ponto mais certeiro para o sucesso do país. São diversas opções como: andar de barco pirata! O famoso Jolly Pirates que tem três opções de rota no mar, para todos os bolsos e gostos. Ou então fazer um passeio de ônibus por toda a ilha, passando pelo California Lighthouse, o farol mais antigo. Que tal jantar dentro de um moinho de vento vindo originalmente da Holanda? Visitar uma fazenda de borboletas? Andar de Jet Ski na praia? Snorkel em águas rasas e cristalinas em uma praia vazia? Jantar a luz de velas na praia durante o pôr do sol? Passeio de submarino pelos recifes e corais? Cassinos! Cassinos em todos os resorts. Ufa e nem é tudo!

Em praticamente todas as opções você ganha uma aula sobre a fauna, flora, cultura, costumes e vida local. Os “guias” são todos muito bem instruídos para lhe encher de informação sobre aquele pequeno país no meio do mar. Principalmente suas dificuldades e peculiaridades. Eles lhe encantam pelas histórias porque são reais. Não é um guia contratado de um país vizinho, que não cresceu naquele lugar que está lhe contando aquilo tudo, é o próprio povo que nasceu e cresceu ali. Como as dimensões da ilha são muito pequenas, eles realmente possuem propriedade para falar da sua Terra.

A grande maioria dos passeios de ônibus são feitos por uma única empresa: De Palm Tours e se você acha que eles não se importam com a opinião do turista só por conta do “monopólio” está enganado! Eles incentivam ao máximo o feedback dos turistas e o motorista do ônibus trabalha mais e faz mais passeios conforme sua indicação e classificação. Quanto mais elogios, mais ele trabalha e ganha dinheiro!

A atenção ao turista é imensa! Claro que toda a regra tem sua exceção, mas é perceptível o esforço, não muito esforçado, de proporcionar boas experiências. O principal fator é que os turistas não chegam ao país e o dominam com outra cultura, apagando os costumes locais, pelo contrário. Há uma valorização da cultura local e esta que é transmitida ao estrangeiro. Ele está ali para sofrer aquela influência e aproveitar o que Aruba tem para oferecer. Uma forma contrária ao turismo predatório.

Separe sua GoPro e Danki! (obrigada)

Juliana Turano
Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Idealizadora e gestora do site TagCultural e projetos derivados, trabalhou como produtora de importantes empresas como Grupo Editorial Record, Espaço Cultural Escola Sesc e Rock in Rio, nas edições de Lisboa 2012 e Brasil 2013. Megalomaníaca, criativa, entusiasta da música e do ballet clássico, não perde um espetáculo de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ou um festival de música legal. Adora viajar e aproveita suas viagens para assistir espetáculos de importantes companhias como do Royal Opera House e New York City Ballet. Também aproveita para comparar o desenvolvimento cultural de outros países com o do Brasil e sonha que seu país se desenvolva mais nesse campo.