Lauro Roger McAllister https://www.flickr.com/photos/lauroroger/8808985531/in/photolist-eqqmuT-aSZmyn-g97Nph-7ZBRNo-35ASJL-gJtoKD-9TDrt-7t5UhK-cMgbim-ge5BS1-fvFntG-7tDeDQ-qbPFTx-3fXbra-dxwWZq-6wYoR8-5UbciZ-5NGDve-84AZHc-a7WHU1-5ZbrEE-8TAfbC-apJzGm-iniaf-ocy71i-59efoV-8gZ1yt-apa43t-5h28wB-fz3bSd-9Le6DZ-dy74yw-2xCwen-7SeHkk-eZoKBJ-nGgBMj-4GrWvo-bxiUwu-anipoX-ew3TfW-pasU2A-4qAGhJ-5ZHGCn-jYVkhr-fwQhRJ-fQ6TBV-4GkuVZ-nBAJLU-omzMF4-84E66s

Nos últimos dias, uma coisa não tem saído da minha cabeça: a proporcionalidade. Começou quando eu estava no carro, voltando de uma viagem de trabalho. Caiu uma chuva torrencial e o vidro ficou todo respingado. A luz do poste da rua refletia naqueles pingos formando essa imagem:

1908111_10152813381373050_3417183779485115099_n

A foto ganhou a legenda “o universo choveu estrelas” e aquilo me lembrou que existe um universo inteiro lá fora que eu não eu nem sei direito como funciona. Coincidência ou não, alguns dias depois recebi um buzzfeed de “imagens que farão você reavaliar sua existência inteira”, cujo objetivo era te dar alguma noção do tamanho da terra em relação ao universo. Aí, para completar, resolvo assistir Interestelar no cinema. Resumindo, pirei completamente…

Preciso compartilhar com vocês para que possamos estar na mesma página. Saca o quão insignificante é a terra, numa comparação com o sol e os outros planetas do nosso sistema solar:

enhanced-buzz-17964-1415979652-6

A terra não é nada, não é mesmo? Errado, ela é menos que nada. Olha agora a proporção entre terra, sol e outras estrelas de categorias maiores:

anigif_enhanced-buzz-18492-1415983788-20

 

E aí que nesse grãozinho de nada tem uma coisa ainda milhares de vezes menor chamada gente, e essa gente acha que tem grandes problemas. Essa gente briga uma com a outra por grandes motivos. Que motivos? O que é grande? Mas estamos na época do perdão, de rever o que passou, arrumar a casa, gastar uma grana com presentes e fazer as famosas resoluções de ano novo. Sim, porque ano que vem, tudo vai ser diferente.

…4,3,2,1!!! Fogos nos lançam para o ano que vem, como um foguete para um novo planeta, mas essa passagem não muda nada por si só. Na real, é apenas mais um dia, que nem chega a completar de fato o movimento de translação da terra ao redor do sol. Este leva mais algumas horas ainda, o que da origem ao nosso ano bissexto.  É como quando você faz 18 anos ou 30 anos ou 40 que seja. O que muda da noite em que você tinha 29 anos para o dia que você amanhece com 30? Nada.

As grandes mudanças na verdade são tão sutis quanto um sopro. Tão pequenas quanto a terra comparada ao sol. Não adianta esperar o ano que vem para nenhuma ação. A virada do ano não te traz nenhum elemento novo, mas a virada de vida é você quem dá e o tempo de fazer isso é você avalia e decide. O tempo é tão relativo quanto o tamanho das coisas. Horas, meses e anos é uma convenção para que se possa organizar uma convivência no mundo. Eu penso que existem 3 tempos que precisam conviver: o meu tempo (que depende só de mim), o tempo do outro (que não depende de mim) e o tempo das coisas (que é condicionado às coisas externas a mim e ao outro). Quando esses três tempos se alinham, maravilhas acontecem: aquele resultado da prova dizendo que você passou, o novo trabalho que conquistou ou mesmo o amor de um casal.

Voltando a proporção, o nosso sistema solar parece muito grande! Por exemplo, Marte, que é o planeta mais próximo da terra, está a mais de 78 milhões de quilômetros de distância. Mas a terra faz parte de um sistema da nossa galáxia, chamada de via láctea. E existem milhares de galáxias, com bilhares de sistemas e cada um com seus planetas.

Se estamos sozinhos? Não. estamos juntos, uns com os outros. Proporções similares habitam nossa rotina o tempo todo. Só o nosso corpo pode ser um planeta inteiro. Nossa sociedade uma galáxia, a vizinhança um sistema solar onde nossas órbitas se influenciam constante e mutuamente. Se existem outros além de nós? Grandes chances, mas o que interessa é que quando você realiza o quão pequeno você é, o que você achava que era grande, também diminui. A gente fica pensando no mistério que há por traz da morte, mas acho que o grande mistério é a vida e a gente ta muito dentro da vida para poder entender ela completamente, seja Ciência ou  pela religião. De repente só morrendo para entender a vida. Talvez morrer seja tipo fazer aniversário, virar o ano… De repente nada muda muito.

Mas o que pode mudar é a nossa postura relativa. Se a virada do ano não é mais do que a virada de um dia, tratemos todos os dias como um final de ano.  Assim, a noite quando estamos em casa, fariamos uma revisão do que passou naquele dia, jogaríamos fora algumas cosias que já sabemos ser desnecessárias e prepararíamos uma resolução para o dia seguinte. Cada dia uma nova celebração, uma nova virada ou uma virada possível.

Inté!

 

Para sua própria viagem interestelar:

Post –  http://www.buzzfeed.com/daves4/26-imagens-que-lhe-farao-reavaliar-sua-existoncia

Filmes – https://www.youtube.com/playlist?list=PLzr39fNnFU_YpWBRXsyXKP_uR_xdnGD-b

App – https://www.youtube.com/watch?v=14b8LyoHq74
Android – https://play.google.com/store/apps/details?id=com.escapistgames.starchart&hl=pt_BR
iOS – https://itunes.apple.com/br/app/star-chart/id345542655?mt=8

Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

DÊ SUA OPINIÃO