Como vai, como vai, como vai? Tudo bem, tudo bem, tudo bem? Andei meio sumido no último mês né? E por isso só posso pedir mil desculpas e prometer que não vai acontecer de novo! O único problema é que talvez essa afirmação seja irremediavelmente falsa… Pelo menos se levarmos o título desse post e tudo o mais que for escrito nele 100% à risca! Você acabou de voltar e reler o título né? Então acabamos de criar um ritmo eu e você, você e eu, juntinhos! Parabéns!

É claro que o post de hoje é sobre essa coisa enigmática e repetitiva que a gente chama de Ritmo! E acho que pra manter o ritmo dos posts anteriores, agora é o momento de soltar uma idéia muito polêmica, seguida de uma imagem que represente sua reação a ela:

A existência do Ritmo prova a existência da Reencarnação.

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Escolha interessante de palavras, a sua. Mas aqui é só tiro porrada e bomba! Se você veio achando que eu não ia tentar dar um nó no seu cérebro, claramente não esteve prestando muita atenção. Aguenta um pouco aí e quem sabe no fim do post você pare de desdenhar e concorde comigo!

Uma definição mais convencional de ritmo, em música, diz que ele é o movimento marcado pela sucessão regular de elementos fracos e fortes. Ou ainda, que significa movimento regular recorrente, simetria.

 

Moleza! Tipo isso aqui então?

 

Mas é claro que você não vai aceitar um argumento (ou um exemplo musical) tão certinho como esse, uma vez que em menos de 20 linhas eu já relacionei o Ritmo à validade da minha promessa e à existência da vida após a morte! Você quer ver loucura que eu sei!

Calma que a gente chega lá!

Vamos tentar desmembrar esse conceito pra entendê-lo melhor; esqueça a regularidade, os elementos fracos e fortes ou ainda a simetria (que só servem pra limitar nosso pensamento) e teremos:

  • Movimento: uma coisa sai de um lugar e vai pra outro
  • Sucessão: uma coisa se segue de outra
  • Recorrente: uma coisa acontece mais de uma vez

A essa altura você poderia argumentar que “sucessão” e “recorrente” são idéias muito próximas, e eu concordaria plenamente. Então a gente poderia reduzir ainda mais essa explicação para chegarmos à conclusão de que Ritmo pode ser uma sucessão de movimentos ou um movimento recorrente? Poderíamos deduzir também que esses movimentos acontecem no tempo?

 

Maravilha! Tipo isso aqui então!

 

É muito bacana ver como os metrônomos inicialmente vão cada um pra um lado (tanto rítmica quanto espacialmente), mas aos poucos se ajustam a um pulso comum. Outro fato muito bacana é que o pulso é a forma primordial e mais simples de ritmo que conhecemos: qualquer pessoa (por mais descoordenada que se declare) reconhece o pulso de uma música (por mais complexa que seja) e balança a cabeça junto com ele, quer apostar?

 

Se liga:

 

“Hey Pachuco” tem uma sonoridade bastante complexa mas aposto que você não precisou pensar um segundo sequer pra balançar a cabeça junto com a dança maneira do Jim Carrey, e sabe porque?

 

Porque o pulso foi a primeira coisa que você ouviu na vida:

 

Não é à toa que o ritmo cardíaco é também chamado de pulso. Ele simboliza o ritmo humano e não tem nada de muito regular ou simétrico (principalmente durante os últimos dois jogos da seleção), mas sem dúvida acontece no tempo e é recorrente. A partir daí, se extrapolarmos o conceito de ritmo como recorrência no tempo, podemos identificá-lo em todo e qualquer fenômeno da natureza; que é por definição, cíclica.

Da época do caqui ao batimento das asas de uma abelha; da órbita de Júpiter ao percurso de um impulso nervoso; da frequência com que você vai ao cinema à frequência com que um meteoro atinge a Terra; tudo é Ritmo. Bom, tudo que acontece mais de uma vez, pelo menos; por mais irregular que seja (e anote esse argumento porque vou usá-lo pra provar aquela teoria maluca do início do post, lembra? Tá quase!).

 

Mas antes de resolver seu problema, uma provocaçãozinha: você conhece o conceito de Hertz?

 

Simplificando, Hertz (ou Hz) é uma unidade de frequência que representa ciclos por segundo; ou pra simplificar ainda mais: 1 Hz = uma repetição (de qualquer coisa) por segundo. O que você acabou de ouvir no exemplo é uma nota musical de 440 Hz, ou seja, o que estamos ouvindo na verdade são 440 ciclos (ou repetições) de uma onda por segundo, que nosso cérebro interpreta como a nota que escutamos.

Então se você por acaso sacudir os braços 440 vezes pra cima e pra baixo em um segundo, o resultado será uma nota musical como a do vídeo? Sim! Se girar uma corda 440 vezes por segundo também? Sim! Estalar o dedo 440 vezes por segundo? 440 pulinhos por segundo? 440 panquecas por segundo? Sim, sim e sim!

O segredo do ritmo, e que você provavelmente já sacou há um tempinho não é o movimento, nem o som e nem a frequência; mas simplesmente a repetição!

Calma que eu explico: se você dá uma topada com o dedo mindinho na quina uma vez, isso pode ser considerado um evento isolado. Mas no momento exato em que você der a próxima topada, seja daqui a dois minutos ou dois anos (se você tiver sorte), um ritmo terá se estabelecido. Sacou? O mesmo se dá com suas aulas esporádicas de tênis ou com o café que você toma todo dia no trabalho! Ou quando você fala, anda, mastiga, acaricia seu bichinho, muda os canais da televisão, etc, etc, etc. Tudo é Ritmo, entende?

 

Tudo é Ritmo.

(10 minutinhos do seu dia só, vai! Vale muito a pena, to dizendo!)

Agora, se a gente concorda que tudo é ritmo, temos que concordar que nascer e morrer também fazem parte disso, não? E se você se lembrar bem, agora há pouco concluímos que o ritmo não pode existir num evento isolado; que ele precisa de uma espécie de repetição. Portanto, nascer e morrer tem que se repetir de alguma forma pra manter o padrão rítmico do universo, né? Só pode ser! Da mesma forma que a topada com o mindinho!

 

Pois é, acabamos de provar musicalmente que existe vida após a morte!

 

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André Colares
Me chamo André Colares e sou formado em Música e Tecnologia pelo Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro; estudei orquestração e contraponto, bem como composição para tv e cinema. Trabalhei como arte-educador em música no setor educativo do CCBB do Rio de Janeiro e atualmente moro em São Paulo, onde curso a carreira de composição musical na Omid Academia de Áudio. Trabalho como compositor de trilhas sonoras e/ou sound designer para cinema, teatro e publicidade; mas principalmente vídeo games, que são minha maior paixão desde sempre. Musicalmente gosto de tudo e estou sempre inclinado a considerar qualquer manifestação musical como algo bom e de valor. Qualquer Manifestação Musical. Então pra mim não existe esse papo de música ruim, certo? Que bom que combinamos isso! Também sou mal-humorado, daltônico, magrelo e barbudo. Nessa ordem.

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