Se você se casou há pouco tempo ou está se preparando para isso, certamente passa (ou vai passar) pelo drama sonho x orçamento. No mundo mágico dos eventos pessoais, basta uma breve menção ao termo ‘casamento’ pros valores ganharem quatro casas decimais (pelo menos). Fotógrafo, buffet, salão, som, luz, lembrancinhas, vestido, maquiagem, terno, sapato, bolo, convite, flores, decoração… a lista cresce ou diminui de acordo com o tamanho dos sonhos do casal. Se você não nasceu rico, nem ganhou na Mega Sena vai aprender a arte milenar da pechincha e se ver às voltas com planilhas do Excel espalhadas pelo computador.

Além do fator econômico, outro ponto determinante no que diz respeito a casamentos é a personalidade dos noivos. Não basta se casar. Hoje em dia (como em tudo na vida), as pessoas querem deixar sua marca, inclusive no dia do casamento. E aí começa outra batalha. O mercado de casamentos no Brasil ainda segue padrões muito tradicionais. Comumente as noivas têm um dia de princesa e preferem os vestidos à la Cinderella, os convites são muito rebuscados e as festas são realizadas em salões de clubes ou casas de festas. Como, então, imprimir a identidade dos noivos nesse universo tradicional (além das famigeradas – e muito bem vindas pelas convidadas de salto alto – havaianas personalizadas)?

Você deve estar se perguntando “por que essa louca está falando sobre casamentos no TagCultural? A resposta é simples: chegou a minha vez de jogar o bouquet e eu decidi pesquisar sobre o mercado de casamentos no Brasil. E descobri que a galera criativa já o invadiu e está garantindo seu lugar ao sol. A nova geração de empreendedores criativos chegou pra revolucionar e renovar o clássico e tradicional mundo das bodas. O mais interessante é que a maioria das novas empresas surgiu pra suprir uma demanda dos próprios empreendedores que, quando no lugar de noivos, não encontravam um serviço diferenciado (ou achavam os preços absurdos).

Foi numa dessas que nasceu, por exemplo, o Estúdio AMA. Duas arquitetas que, quando pedidas em casamento por seus respectivos, decidiram se jogar no DIY (Do It Yourself/Faça Você Mesmo) e perceberam a diferença que faz quando a decoração é pensada em cada detalhefeita à mão. Outro caso de destaque é a Dona Amélie, empresa que se dedica à papelaria de casamentos. Os sócios – e namorados – Beatriz e Marcos perceberam uma oportunidade quando se deram conta de que os convites de casamento no Brasil seguiam todos a mesma linha. Eles defendem que o convite é o primeiro contato dos convidados com o casamento e, portanto, deve deixar uma ideia do que se pode esperar do grande dia, deve refletir a personalidade dos noivos. Winnee Louise mudou de profissão desde que fez o primeiro bouquet de casamento, pois percebeu que era possível montar bouquets diferentes do tradicional, pensados individualmente, para cada noiva.

Até pouco tempo atrás, as pessoas que se casavam deixavam suas listas de presentes em lojas de móveis e decoração. Hoje, sites como ZankYou  permitem aos noivos criar uma lista de presentes virtual, na qual os convidados escolhem seus “presentes” e os noivos retiram o valor correspondente – em qualquer moeda. Facilita para todos: os convidados não ficam limitados a presentes para a casa, podem oferecer cotas de lua de mel ou presentes simbólicos (por exemplo “aulas de culinária para o noivo ajudar na cozinha” ou “curso de mergulho” ou “jantar romântico na lua de mel”) e os noivos podem usar o dinheiro recebido da melhor maneira possível.

E a lista continua infinitamente. Todos os dias novos empreendedores começam negócios no ramo dos casamentos, porque estão atentos às demandas, porque os noivos buscam serviços diferenciados, porque é chegada a hora da renovação. Então, se você tem uma ideia genial pra revolucionar o mercado de casamentos, aproveite! Invista em pesquisa e inovação. Os casamentos tradicionais estão ficando pra trás e você tem grandes chances de acertar na mosca um novo público se formando.

Foto da capa: Glacê Limão

Renata Coelho Soares de Mello
Produtora cultural. Fotógrafa. Metida a poetisa. Exploradora. Curiosa. Criativa. Renata é daquelas que faz tudoaomesmotempoagora. Uma de suas maiores paixões é cair no mundo. Aproveita suas viagens pra absorver outras culturas e aprender como as pessoas se relacionam com suas cidades. Formada em Produção Cultural pela UFF, atuou em diversos segmentos até descobrir que seu caminho era empreender. Hoje, pós-graduanda em Turismo na UFF (sua segunda casa), está à frente do projeto Explore Niterói e vai compartilhar um pouco das suas pesquisas sobre turismo cultural, cidades e pessoas. Prontos pra fazer as malas?

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