Alô você que veio aqui em busca de inspiração (alguém faz isso mesmo?) ou por mera curiosidade! Quero que você saiba de antemão que não tenho a menor ideia do que vai ser discutido hoje nesse post, porque eu mesmo estou sem inspiração nenhuma… Essa coisa que não se sabe ao certo o que é, e vem sabe-se lá de onde. Uma coisa tão estranha e imprevisível, que quando resolve aparecer, impulsiona o que quer que você esteja fazendo; mas quando não vem… te impede até de terminar frases de maneira inteligente! Uau! Talvez esteja na hora de você descobrir um dos segredos mais bem guardados por trás da criação musical! Acho que finalmente podemos falar da bendita Inspiração! E de como ela se relaciona com outra coisinha muito importante, chamada Referência!

(Gostou da minha disfarçada ali no início do post, dizendo que tava sem inspiração e não sabia do que íamos falar hoje? Te enganei direitinho né? É claro que eu já tinha tudo planejado e usei essa situação pra exemplificar como a inspiração se comporta! Tô inspirado hoje!)

Posição Obrigatória da Pessoa Inspirada

 

A concepção mais comum de inspiração que temos, é a de que ela é algo indomável; com vontade própria independente da sua. E dessa forma ela dependeria inteiramente da sorte, certo? Pois é, agora eu pergunto a você: porque deixamos que no processo criativo, algo tão randômico e incontrolável quanto a sorte tenha tanta importância? E eu mesmo respondo: não deixamos! A gente só gosta de acreditar que não teve nada a ver com aquela ideia genial; que ela simplesmente apareceu como mágica na nossa cabeça. Quando na verdade, nosso Subconsciente ficou matutando por horas enquanto víamos vídeos de gatinhos no YouTube e de repente surge com a ideia prontinha pra ser usada. E você atribui ao além; aos astros. Foi inspiração, claro! Quanta ingratidão da sua parte!

”Eu te dou a melhor ideia de todas e você diz que foram os astros, seu babaca?”
”Eu te dou a melhor ideia de todas e você diz que foram os astros, seu babaca?”

 

O que eu to tentando dizer, é que a inspiração sempre virá de você mesmo. E você tem todo o poder pra fazer disso, um processo mais ou menos consciente. Por exemplo, na música “Jogo de Calçada” dos Mutantes; qual terá sido o nível de consciência na inspiração em “Lucy in the Sky with Diamonds”, dos Beatles?

 

 

Preste atenção no refrão das duas músicas e veja se percebe alguma semelhança:

 

 

Igualzinho, certo? E que mal há nisso, certo?

Usar algo já existente como ponto de partida para a criação do novo, é uma ótima forma de inspiração. Algumas pessoas diriam inclusive, que é a única (embora eu evite ser tão radical). E é aqui que chegamos à idéia de referência: a idéia de que toda manifestação artística pode ser relacionada com algo que veio antes e no qual foi inspirada. É como uma espécie de fórmula, que pode ser alterada e mexida livremente, mas não completamente.

Escuta esse próximo exemplo: (com carinho porque é uma música minha, hein)

 

 

E aí, com as suas referências você consegue identificar de onde eu tirei inspiração pra compor essa peça? Não de uma música especificamente, mas de toda uma linguagem criada por um compositor específico:

 

 

Deu pra sacar?

Mas e se a gente continuar indo mais fundo nas referências e inspirações do Danny Elfman, por exemplo? Onde vamos encontrar uma linguagem parecida e que tenha contribuído pra construção da sua própria linguagem?

 

 

Tchaikovsky talvez? Acho que sim, hein!

Nesse sentido, podemos concluir que o novo sempre terá uma relação íntima com o velho, mesmo que seja de total oposição. Eu copiei o Danny Elfman, que copiou o Tchaikovsky, que copiou o Grieg e assim por diante, numa espiral infinita de inspiração. O que significa dizer que todos esses compositores fizeram sua própria inspiração. Eles alimentaram seus próprios subconscientes, pra que os mesmos pudessem trazer grandes idéias à tona no momento certo.

”Tchaikovsky? Adooooro!”
”Tchaikovsky? Adooooro!”

 

E é esse o grande segredo da inspiração. Ela não é pura sorte; não é um raio que cai na sua cabeça; não é uma espera totalmente passiva por aquilo que vai mudar a sua vida pra sempre. É um processo constante de apreensão de referências, sejam visuais, sonoras, emocionais, sociais ou o que for.

Então da próxima vez que você tiver um bloqueio criativo, só dê um pouco de comida pro seu subconsciente e deixe ele fazer o que sabe de melhor: copiar todo mundo do seu jeito.

André Colares
Me chamo André Colares e sou formado em Música e Tecnologia pelo Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro; estudei orquestração e contraponto, bem como composição para tv e cinema. Trabalhei como arte-educador em música no setor educativo do CCBB do Rio de Janeiro e atualmente moro em São Paulo, onde curso a carreira de composição musical na Omid Academia de Áudio. Trabalho como compositor de trilhas sonoras e/ou sound designer para cinema, teatro e publicidade; mas principalmente vídeo games, que são minha maior paixão desde sempre. Musicalmente gosto de tudo e estou sempre inclinado a considerar qualquer manifestação musical como algo bom e de valor. Qualquer Manifestação Musical. Então pra mim não existe esse papo de música ruim, certo? Que bom que combinamos isso! Também sou mal-humorado, daltônico, magrelo e barbudo. Nessa ordem.

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