Pois então né gente, o homem morreu, coitado. Ou coitados de nós que continuamos por aqui? É, já comecei logo desse jeito falando de desgraça pra disfarçar que não escrevo aqui há quase 10 anos e meio. E não reclama não! Enfim, vamo ver se a gente volta a discutir barulho por um bom motivo, já que o astronauta alien mágico se mandou de vez. Fiquei super pensando em fazer um post sério, conversando sobre a linguagem do cara e o incrível legado de referências que ele deixou, mas é claro que você já deve ter lido tudo sobre isso ontem, né? Então meu papel aqui é tentar interpretar o que o universo quer, e to achando que ele tá precisando de uma certa zuera, agora que todo mundo já postou infinitamente aquele bendito gif com todas as personas do camaleão. Eu sei que eu tô! Então bora!

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Bowie approves

Muito melhor do que falar de referência ou influência é falar de uns covers bizarros, né não? A zuera sempre vence, gente, não tem jeito! Mas calma que a gente começa de levinho e vai piorando porque sim!

Ó só:

Tá não é um cover bizarro, admito que é até bonitinho, vai. Claro que grande parte do mérito vem do fato dessa música ser uma coisa lindinha demais (e que por acaso só tem duas partes! Lembra da parte C? Pois é, cadê?). Claro que Seu Jorge tem um vozerão e essa versão fez parte da trilha de um filme incrível do Wes Anderson e tudo mais, mas “vem cá, me dá a sua língua”? Sério Jorge? Sério mesmo? Ainda bem que esses gringos não entendem nada que tu dizes, meu caro. Até o homem curtiu essa versão!

Disse ele:

“Had Seu Jorge not recorded my songs acoustically in Portuguese, I would never have heard this new level of beauty which he has imbued them with,”

Hummm, mais ou menos hein… ou eu que sou implicante mesmo? Bom, próxima!

Arre, agora estamos alcançando novos patamares de lazarência, hein? E você pensando que nenhum astronauta de mármore jamais poderia superar o ~original~ do Nenhum de Nós! Ledo engano! Presta atenção como no refrão dá pra ouvir a plateia delirando de amor cantando junto. E o Laiá Laiá, minha gente? E o Laiá Laiáááááá?

SPC mostrando cultura presse povo. Próxima ae!

Eita porra, agora realmente acho que chegamos no limite! Letícia Spiller mostrando que não precisa fazer mil caras e bocas ou dar mil gritinhos nada a ver, pra cantar legal e animar a moçada (que aliás só resolve levantar de verdade lá pra 1:30 de apresentação). Mas o Raí e o diretor lá da globo tão adorando muito demais. Sorte nossa que ela não decidiu fazer uma versão em português também. Se bem que eu ia adorar ver isso.

Uma pena. Neeeeext!

Caraca o grande William Shatner interpretando uma das músicas mais icônicas do Major Tom! Não sei você, mas acho esse jeito dele cantar(?) uma coisa de louco. Meio mistura de capitão de espaçonave com Johnny Cash, né? Quanto bom gosto, gente! E se você tá achando que ele não teria coragem de fazer um disco inteiro assim, se enganou de novo! Em 2 segundos de pesquisa você pode ter essa belezinha enchendo seu cérebro! Vai lá, eu espero aqui de boa!

Mas tá chega de zuera zuera, até porque eu não achei mais quase nada que valesse a pena pra homenagear o querido, então vou fechar com um outro doidão que foi muito influenciado por ele (mas você não disse que não ia falar sobre influência ou referência?) e que sinceramente canta muito mal mas eu adoro. Talvez você ache que ele poderia entrar nessa lista estranha unicamente por essa ~qualidade~, talvez não. Mas você não pode negar que continua sendo lindinho demais, se liga:

O caso é que tem gente que surge no mundo e parece que só de por os olhos você começa a ter ideias, sensações e emoções novas involuntariamente e que influencia todo mundo absolutamente em todo canto do mundo a fazer coisas inspiradas e parecidas e copiadas descaradamente.

E teve um cara que tinha um olho de cada cor e foi muito além disso.

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“Look up here, I’m in Heaven”

 

Mas muito.

 

 

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André Colares
Me chamo André Colares e sou formado em Música e Tecnologia pelo Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro; estudei orquestração e contraponto, bem como composição para tv e cinema. Trabalhei como arte-educador em música no setor educativo do CCBB do Rio de Janeiro e atualmente moro em São Paulo, onde curso a carreira de composição musical na Omid Academia de Áudio. Trabalho como compositor de trilhas sonoras e/ou sound designer para cinema, teatro e publicidade; mas principalmente vídeo games, que são minha maior paixão desde sempre. Musicalmente gosto de tudo e estou sempre inclinado a considerar qualquer manifestação musical como algo bom e de valor. Qualquer Manifestação Musical. Então pra mim não existe esse papo de música ruim, certo? Que bom que combinamos isso! Também sou mal-humorado, daltônico, magrelo e barbudo. Nessa ordem.

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