Desde 2011 venho me aproximando de museus pelo lado do financiador e tenho que dizer o quão fascinado sou por esse equipamento cultural. Acho que o Brasil deu um salto na compreensão do papel dos museus para a cultura e para a sociedade em geral. Saindo do clichê da memorabília, do mausoléu de coisas antigas, para um verdadeiro hub entre passado, presente e futuro. Museus como Memorial Minas Gerais, Museu de Arte do Rio e os futuros Museu do Amanhã e Museu da Imagem e do Som são alguns exemplos dessa expressão.

Mas o avanço e aplicabilidade de um novo posicionamento dos museus não esta atrelado ao investimento de grandes quantidades de dinheiro e mega instituições. O charmoso museu casa do pontal, o importante museu da pessoa são grandes, enormes, mesmo que pequenos. Infelizmente minhas referências estão centradas aqui no sudeste, mas tenho certeza que no Brasil profundo temos exemplos tão ou mais ricos. Cabe citar o trabalho realizado pelo Noé e equipe na Casa de Cultura de Marabá, onde pude ver a essência da inovação dos outros exemplos que citei.

O que eu estou chamando de novo posicionamento é como Luis Marcelo Mendes  intitulou seu artigo no livro Reprograme: “De Ilhas a Plataformas”. Plataformas de conhecimento, espaços autônomos de educação e de criação coletiva. Trazer o século XXI, mesmo para um museu do século XIX. Volto a bater na tecla de que a questão não é tecnologia pirofágica, mas tecnologia social e capacidade de gestão para transformar o capital econômico em capital simbólico. Fato que vejo que nós gestores, produtores e artistas fazemos uma vez se utilizando do mecanismo de mecenato.

Mas o fator que me levou a fazer esse post foi uma recente publicação realizada pelo Instituto Brasileiros de Museus (IBRAM) em parceria com a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), Museus e a Dimensão Econômica – Da Cadeia Produtiva à Gestão Sustentável. O documento está bem rico e acho que vale a leitura para quem trabalha ou quer trabalhar no mercado cultural, mesmo que não seja na área de museus. Ele traça uma panorama geral sobre a sustentabilidade do equipamento, passando pela contribuição econômica, social, ambiental e cultural que os museus fazem para a sociedade.

O estudo que foi realizado entre 2012 e 2013, mas com utilização de dados de 2007 a 2013, lança luz também sobre sobre os efeitos da gestão do equipamento cultural e em sua cadeia econômica produtiva, que vejo bem clara no diagrama abaixo:

Vou encerrando com uma passagem do documento:

“Podemos afirmar, então, que a economia da cultura fornece instrumentos para o estudo da cadeia produtiva dos bens culturais, cuja análise demonstra que os efeitos das atividades culturais podem ser de ordem macroeconômica, como o impacto em termos de produto (emprego e renda), ou de ordem microeconômica, como a incorporação de utilidades individuais (satisfação) como medida do bem-estar”

Abaixo leituras essenciais:

Museus e a Dimensão Econômica

Publicação realizada pelo IBRAM em parceria com a Organização dos Estados Iberoamericanos (OEI)

Reprograme

Organizado por Luis Marcelo Mendes, sobre o papel dos museus na era da informação

Running a Museum: A Pratical Handbook

Publicação sobre gestão de Museus, fruto da parceria entre o ICOM e a UNESCO

Inté!

Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

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