Vivendo em Barcelona, capital da Catalunha, experimentamos o Catalão Way of life. Por trás dos mitos e construções sobre essa cultura, existem muitos exageros e muita verdade.

Na Catalunha exitem dois idiomas oficiais que é o catalão e o castellano (vulgo Espanhol), no entanto nas ruas de Barcelona (especialmente no verão) o que se escuta é inglês, alemão, árabe e vez ou outra, português, ou como se costuma falar “aqui fora” el brasileño. Nas escolas fundamentais, de ensimo médio e na graduação a língua é catalão. Não tem choro nem vela, nos informes oficiais: catalão. Algumas vezes pode ser que esteja em castellano também, mas sempre primeiro em catalão.

E, sim, é muito diferente do castellano, é uma língua latina e se juntamos nossos conhecimentos em portuñol, pode ser que alguma coisa se entenda. Mas, não se iluda, é diferente P-R-A-C-A-R-A-M-B-A!

Os menus dos restaurantes são em catalão e pedir comida pode ser uma aventura! Volta e meia ajudo algum turista perdido. Um exemplo? O simples frango com queijo vira: Pollastre amb fromatge. Os de fora, dizem que é uma mistura de italiano com francês. Aviso: se você pretende fazer amigos aqui, nunca repita isso em frente a um Catalão! (sério!)

A prefeitura oferece cursos de catalão gratuito para quem se interessa em aprender o idioma. E, nesses cursos, encontramos todos os tipos de pessoas. Imigrantes de todo o mundo e espanhóis de outras regiões que precisam aprender catalão para conseguir um trabalho. Sim, esse é um requisito – quase – básico.

Há muitos mitos sobre o povo catalão. Dizem as más línguas que são pão-duros, mal humorados, xenófobos, e muitos outros adjetivos pejorativos. Sobre isso, acredito que em todo estereótipo há muita invenção e alguma “verdade”. Em pontos turísticos, os vizinhos pregam cartazes nas janelas: fora turistas!

A primeira vez que vi achei um horror, mas, depois do meu primeiro verão aqui, quando tive que pedir licença para conseguir entrar na minha rua, tamanha é a invasão dos guiris (gringo em espanholês), comecei a ter pânico dos turistas! Essa instância em Barcelona foi meu primeiro exemplo de turismo predatório vivo! (Quem é de Procult (UFF) e fez a matéria do Wallace de Deus?). Os turistas em maioria do norte da Europa, invadem a cidade com suas camisas floridas, chinelões e porres homéricos vomitados em cada esquina.

Não sei vocês, mas esses turistas eu também quero fora. Todavia, a xenofobia aqui não se restringe aos irlandeses em despedida de solteiro. A crise aumenta e as tensões entre os imigrantes e os locais aumentam junto. E, esse é um assunto que merece um (ou muitos) posts próprios. Nem todo espanhol é assim, nem todo Catalão é assim. Tive muita sorte de fazer muitos bons amigos Catalães, que me brindam com seu humor único, pan tomate e aulas de catalão regadas a cava.

Para que vocês experimentem um pouquinho de uma tapa que agrada espanhóis da Galícia a Catalunha, deixo uma receita que vai bem com vinho, jamón serrano e azeitonas:

Pa amb tomaquet – ou no bom brasileiro. Pão com tomate.

Annanda Galvão
Annanda Galvão Ferreira da Silva têm quase tantas profissões quanto sobrenomes: designer de moda pelo SENAI/Cetiqt, Produtora Cultural pela Universidade Federal Fluminense. Cursou Gestão Cultural na Universidade Lusófona de Lisboa e foi investigadora pelo CNPQ-Pibic na Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) em Políticas Culturais, sendo seu artigo “A visão do Conselho Federal de Cultura sobre as artes popular e erudita” premiado na V jornada de iniciação científica da FCRB e também pela Gerência de Cultura da Escola Sesc de Ensino Médio (2012). Mestre pela Universitat de Barcelona onde cursou o mestrado “Construção e Representação de Identidades Culturais”. Atualmente é aluna do programa de doutorado em Estudios Migratorios da Universidad de Granada, onde continua estudando as migrações a luz das políticas culturais. Tendo atuado em diversas áreas da produção e gestão cultural, realizou instância de colaboração no departamento de conteúdo do teatro do governo espanhol e catalão Mercat de les Flors, tendo coordenado o projeto "Trocas - formació i dansa" de intercâmbio entre entidades espanholas e brasileiras, foi também colaboradora e palestrante do IPAM - International Performes Arts Meeting que acontece dentro do Festival Grec em Barcelona. É professora de elaboração de projetos culturais do curso de formação de agentes culturais dentro do Programa Favela Criativa da Sec-rj gestionado pelo Cieds. É idealizadora de projetos nas áreas de cinema, arquitetura e educação. Apaixonada por viagens, carimbos no passaporte, museus, livros e pessoas , é curiosa por natureza e espera mostrar um pouquinho do que têm visto mundo a fora para os leitores do TagCultural.

1 COMENTÁRIO

  1. Não sei se fora encantamento com a cidade ou distração mesmo, mas qd estive a Bcn não percebi nenhum tipo de discriminação com os turistas…Fui bem recebida e mt bem tratada pelo povo catalão =))

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