“Imaginemos que você esteja participando de uma corrida com uma tartaruga. É dada à tartaruga uma vantagem inicial, em distância, de dez metros. No tempo que você leva para percorrer esses dez metros, a tartaruga talvez se desloque um. E, então, no tempo que você leva para transpor essa distância, a tartaruga vai um pouco mais à frente, e assim por diante. Você é mais rápido que a tartaruga, mas não consegue alcançá-la; só consegue diminuir a distância entre vocês.”
(John Green – me julguem)

Aos 14 anos eu comecei a ter aulas de Ballet, sinceramente eu nem lembro das aulas direito, lembro que eu gostava e que ensaiávamos coreografias para as apresentações de final de ano: a árvore, o sexto-sentido, uma mulher apaixonada e uma dança com cadeiras. Aos 16 veio o vestibular, faculdades, Niterói, trânsito, estágio, o Ballet ficou de lado, até que numa conversa com a querida Liana Vasconcelos no meio de uma aula não muito legal no IACS, o incentivo pra voltar. Em 2011, voltei.

Foi quando aprendi o que era o Ballet de verdade e não as coreografias de final de ano. Dedicação, superação, força, leveza, equilíbrio e paciência. A busca por uma perfeição inatingível, igual o infinito. Amor nos primeiros pliés. Não faço Ballet com a intenção de me tornar uma profissional então qual o objetivo final? Simples, executar os movimentos como eles devem ser ao ponto de dançar! Não tem nada mais desafiador que isso para aqueles que fazem do Ballet um hobbie e/ou uma atividade física.

Para executar bem os movimentos do Ballet, não basta entender o movimento, saber como ele acontece. Você vai fazer uma vez, vai sair muito ruim e você não vai entender por que. O pé está no lugar certo, o ritmo está certo, os braços estão nas posições que deveriam, então como está saindo tudo tão torto e esquisito? Às vezes seu joelho está ficando levemente frouxo durante a execução da pirueta, ou seu quadril “desencaixou” e você perdeu a força, em vez de duas piruetas, saiu uma e meia.

Prepare-se! Encaixe o quadril, aperte a bunda e o joelho, levante o peito e a cabeça, sustente seu corpo por cima e vai! Repita o movimento, repita de novo. Ainda está ruim, mas você reparou uma melhora de 1% com o joelho mais apertado, então você se motiva com esse 1% e vai lá de novo!

Uma das coisas que mais admiro no Ballet é ver as suas qualidades e ensinamentos refletidos no cotidiano, sua aplicabilidade, principalmente o equilíbrio. Não é isso que todos estamos atrás, algum tipo de equilíbrio? O meio campo entre vida pessoal e trabalho; o emocional; o financeiro; o relacionamento; a independência; a paz interior; o eletrolítico; Yin-yang; Feng shui; a lei do retorno; o bem e o mal; “aqui se faz, aqui se paga”; bomba de sódio e potássio; osmose; e até reciclagem!

2014 foi um ano que pratiquei a busca pelo equilíbrio em tantos momentos que foi interessante (e assustador), como o equilíbrio de até onde eu devo me prejudicar em função de um emprego ou o de afastar as pessoas que não me fazem bem e mostrar interesse por aquelas que fazem. Aprendi que para conhecer seu ponto de equilíbrio você precisa entender os pontos de desequilíbrio, de instabilidade, acaba passando pelos extremos e sinceramente, são as alterações entre a estabilidade e o quase cair que importam. Para andar pra frente você precisa sair do equilíbrio de dois pés, mas encontrar o equilíbrio no movimento seguinte. Então que em 2015 as pessoas saiam do equilíbrio e se encontrem nele de volta.

No fim, tudo se encaixa com o Ballet, não apenas os ombros fazem uma linha reta com o quadril e o dedão do pé em en dehors, mas também a dedicação diária para alcançar os seus objetivos até se superar; a força para se manter no eixo em movimento e ao mesmo tempo demonstrar leveza, rir de si mesmo; e paciência para entender que nada disso acontece com certeza ou de um dia pro outro por mais que você faça tudo como manda o manual. Até porque, quem lê manual?

PS: Nesse último post de 2015, queria agradecer à todos os colunistas do Tag e ao Tom por terem feito de 2014 o ano que o Tag entrou em desequilíbrio e andou! Obrigada! 2015 nos espera com muitos outros desequilíbrios e uma surpresa da Annanda!

Juliana Turano
Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Idealizadora e gestora do site TagCultural e projetos derivados, trabalhou como produtora de importantes empresas como Grupo Editorial Record, Espaço Cultural Escola Sesc e Rock in Rio, nas edições de Lisboa 2012 e Brasil 2013. Megalomaníaca, criativa, entusiasta da música e do ballet clássico, não perde um espetáculo de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ou um festival de música legal. Adora viajar e aproveita suas viagens para assistir espetáculos de importantes companhias como do Royal Opera House e New York City Ballet. Também aproveita para comparar o desenvolvimento cultural de outros países com o do Brasil e sonha que seu país se desenvolva mais nesse campo.

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