Não tive como fugir deste tema. É o que está mais latente em mim no momento: no dia em que este texto for publicado, estarei completando vinte cinco anos de idade. Sim…um quarto de século. Animador demais, mas um tanto quando assustador também. A gente brinca que o tempo voa, mas às vezes tenho a impressão de que ele voa em avião ultra-sônico! hehehe

Essa questão da passagem do tempo sempre me instigou. Os aniversários e datas comemorativas parecem que já vêm com uma plaquinha implícita: “Mais um ano se passou…”. E nos tempos atuais a coisa está ainda mais exacerbada: a velocidade e  a falta de tempo virou doença crônica da sociedade. Há sempre mais coisas a fazer  para menos tempo disponível. Fica difícil equilibrar a balança temporal da vida.

Parafraseando Mário Quintana:

“Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos…”

 

Tempo, tempo, tempo, tempo… já diria Caetano. Compositor de destinos, tambor de todos os ritmos…é realmente assim na vida. Somos regidos pelo tempo mesmo. E não há muito o que se fazer a respeito, a não ser usufruí-lo da melhor forma possível. Tentando viver cada momento intensamente.

Mas existe um lugar aonde o tempo não é imperador. Ou melhor, aonde a noção de tempo é outra. Lá, é possível alternar as ordens de passado, presente e futuro. Neste lugar, as leis da vida podem ser alteradas e mexidas de todas as maneiras e o principal, lá não existe a pressa. Só o AGORA.

Edward Watson e Lauren Cuthbertson em "Romeu e Julieta"
Edward Watson e Lauren Cuthbertson em “Romeu e Julieta”

Este lugar é a cena. O palco tem a magia de fazer desaparecer a noção do tempo, a lógica das horas, o passar dos anos, a efemeridade dos segundos e a preocupação com o futuro.

Um espetáculo pode narrar um século de história em apenas duas horas “reais”. A Julieta pode contar toda a sua história de amor com o Romeu dançando em um Ballet de três atos, com

Cazuza- O Musical
Cazuza- O Musical

intervalos no meio. Um musical pode celebrar toda a grandiosa criação artística do Cazuza em cento e cinquenta minutos. “O tempo não para” na vida, mas pode perfeitamente parar na cena, se assim for desejado.

Não existe a realidade  do tempo nas artes cênicas. Existe o “estar presente”. E só. Artistas e público são levados à outra dimensão espaço-temporal durante a execução de um espetáculo. Algo verdadeiramente mágico a meu ver!E é isso que tanto me encanta nesse mundo! Lá tudo é possível. Brevidade e eternidade podem caminhar juntas. Vivo realmente outra realidade quando estou em cena.

Isso me fez  lembrar do curta-metragem “Destino”, que começou a ser criado originalmente em 1945, contando com uma colaboração entre o tão conhecido animador Walt Disney e o pintor surrealista Salvador Dalí. A sua produção durou apenas oito meses, pois os problemas financeiros que a II Guerra Mundial trouxeram não permitiram a continuação do seu desenvolvimento. Só em 1999, Roy E. Disney reencontrou novamente este projeto e decidiu trazê-lo de volta à vida.

Viajando entre danças femininas e um cenário surrealista, o filme brinca com o labirinto do tempo. Vale a pena contemplar essa obra-prima e viajar pelos devaneios atemporais de Dalí e Walt Disney!

Com vocês, “Destino”:

 

Quanto ao destino da vida? Só desejo que possamos sempre trazer um pouco  dessa realidade atemporal  da arte para ela. Que possamos esquecer um pouco a pressa e a passagem do tempo, para viver o agora. Sem muitas preocupações com o futuro ou com o passado. Porque é o AGORA o verdadeiro PRESENTE… da vida e da arte!

Sempre! 🙂

relogio-now

Liana Vasconcelos
Bailarina formada pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa (Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro) e pela Royal Academy of Dance, de Londres. Conta em seu currículo com diversas premiações em concursos nacionais e internacionais. Ganhou, em 2009, o prêmio de melhor bailarina no Seminário de Dança de Brasília e foi agraciada com uma bolsa de estudos para o Conservatório de Dança de Viena. Pertenceu à Cia. Jovem de Ballet do Rio de Janeiro, São Paulo Companhia de Dança e se apresenta como bailarina convidada em diversos festivais de dança no Brasil. É Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a monografia “Memória da Dança: Importância, Registro, Preservação e Legado”. Fez parte do elenco da novela “Gabriela”, da Rede Globo de televisão como bailarina/atriz. Foi contratada pela São Paulo Companhia de Dança, como Pesquisadora, para elaborar duzentos verbetes relativos à dança no Rio de Janeiro, para a enciclopédia online “Dança em Rede”, criada por esta companhia. É também colunista de dança no Blog Radar da Produção É bailarina-intérprete e produtora, junto ao diretor Thiago Saldanha e a coreógrafa Regina Miranda, do projeto “Corpo da Cidade”, uma experimentação em vídeodança que busca dialogar o corpo dançante da bailarina clássica com as transformações urbanas que a cidade do Rio de Janeiro vem sofrendo. Atualmente, é bailarina contratada do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro É apaixonada pelas artes cênicas, espectadora frequente dos teatros do Rio de Janeiro, ama viajar e vive em eterna dança.

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