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sf (gr ethiké) 1. Parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana. É ciência normativa que serve de base à filosofia prática. 2. Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão; deontologia

Nas duas últimas semanas, 4 “episódios” distintos que traziam a ética como tema central vieram ao meu encontro. O último deles foi bem marcante e como eu não acredito em coincidências e a criatividade anda em baixa, vamos aproveitar o tema.

O primeiro de todos os episódios foi uma proposta de emprego no qual a finalidade da atividade que eu seria contratada, era passível de desconfiança quanto a sua legalidade. Simplesmente porque quando se diz respeito aos ambientes digitais, a coisa ainda está muito recente. Porém o bom senso me indicava uma desconfiança. Com o passar dos dias e uma conversa mais aprofundada com os responsáveis pelo job, a insegurança cresceu. E apesar do salário e a minha função específica não ser incorreta, declinei a proposta.

Do meu ponto de vista eu estaria praticando uma falta de ética ativa, eu sei que o que estou fazendo está sendo usado para algo que eu não tenho certeza se é legal. Como permanecer fazendo?

Logo depois, me deparei com uma palestra enviada pela Liana Vasconcelos no grupo de WhatsApp dos colunistas do TagCultural. A troca entre a equipe do Tag sempre foi muito grande através dessa ferramenta, seja com debates sobre artistas ou filmes, com pedidos de ajuda ou compartilhamento de coisas que precisamos saber.

O palestrante é Leandro Karnal, historiador e professor da UNICAMP, que teve o discurso do vídeo abaixo ministrado na íntegra em outubro de 2015 em um evento em São Paulo. São 15 minutos que valem a pena serem assistidos sobre como ter ética e viver mantendo pequenos princípios durante o cotidiano na atual situação na qual o País vive. Bem complicado, certo? Como entender que parar na vaga de idoso ou levar para casa um lápis do trabalho é tão errado quanto roubar dinheiro da merenda escolar para comprar casa em Miami?

No terceiro episódio, quando pensei que não teria que lidar com outra questão ética trabalhista tão recentemente, fui assolada por algo um pouco mais sério. Uma atitude, por outro membro da equipe, que não seguiu algumas condutas profissionais básicas para aquela situação e acabou invadindo o espaço de uma desconhecida e violando indiretamente a minha moral e de outras funcionárias. Solicitei minha demissão imediata.

Existem situações que você não pode ser passivo. Quando alguém está sofrendo uma injustiça, você consegue observar sem tomar alguma providência? Ser “cúmplice” do que está ocorrendo? Porque omissão também é uma ausência de ética. Permitir que a injustiça ocorra com terceiros, é, parafraseando Karnal, uma falta de ética no espaço que você habita. Já que não posso solucionar a corrupção no governo, não deveria ser minha obrigação garantir que o meu entorno seja o mais “limpo” possível?

Estou bem distante de ser a “rainha da ética trabalhista”, já imprimi trabalho da faculdade na empresa e já divaguei nas redes sociais quando deveria estar sendo paga por aquela hora de trabalho, mas existem causas e situações que eu preciso abraçar, porque elas representam o meu limite. Seja a descoberta de um sistema financeiro que favoreça alguém ou o assédio moral sofrido por um colega de trabalho. Não há bônus financeiro no final do mês que recompense fazer parte de algo que você tem certeza que está errado de acordo com seus valores. Vai contra sua felicidade. E todas as pessoas deveriam identificar qual é esse limite.

Por fim, ontem a noite, estudando para a minha futura prova de ingresso no mestrado, fui refazer um teste de Português da ANPAD que foi aplicado em 2006. O texto, que parece recente, é sobre a crise política e sua correlação com a desvalorização e quantidade de auditores ficais no Brasil em comparação com os países que são considerados “pouco corruptos”ou idôneos.

Fica subentendido que o motivo dos altos índices de corrupção no Brasil ocorrem devido à ausência de uma fiscalizarão efetiva e valorizada.

Será que isso é só nas altas instâncias ou nas pequenas corrupções do dia-a-dia também? Porque aquele que se compromete com as normas é chamado de dedo duro. O que aponta para os erros comunitário dos outros não é bem visto. O que defende o menino que esta sendo linchado na rua, é um “- insira um partido ou classe social – de merda”, aquela que sai do emprego por defender a moral e direitos femininos está sendo preconceituosa. Então será que também não falta a valorizarão da verdade e ética exercida pelos indivíduos no ambiente público ou de trabalho? Eu acredito que sim. Então para começar, encontremos o nosso limite e até onde aceitamos os pequenos deslizes do cotidiano que não fazem dano a ninguém e em qual momento devemos nos movimentar.

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Juliana Turano
Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Idealizadora e gestora do site TagCultural e projetos derivados, trabalhou como produtora de importantes empresas como Grupo Editorial Record, Espaço Cultural Escola Sesc e Rock in Rio, nas edições de Lisboa 2012 e Brasil 2013. Megalomaníaca, criativa, entusiasta da música e do ballet clássico, não perde um espetáculo de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ou um festival de música legal. Adora viajar e aproveita suas viagens para assistir espetáculos de importantes companhias como do Royal Opera House e New York City Ballet. Também aproveita para comparar o desenvolvimento cultural de outros países com o do Brasil e sonha que seu país se desenvolva mais nesse campo.

1 COMENTÁRIO

  1. […] No último post falei sobre a ética no cotidiano e sobre algumas experiências que eu tinha passado recentemente com a ausência da mesma. Escrever o texto e relatar minhas experiências me gerou uma curiosidade, quase que buscando uma confirmação de algo que eu já achava como certo, perguntei aos meus amigos: “vocês já passaram por alguma experiência de falta de ética no setor cultural?”. A pergunta soou como piada, todos eles deram uma risadinha, como se eu estivesse fazendo um papel de ingênua, seguida por uma das seguintes frases: “sempre”, “quem nunca?”, “óbvio”, “é só o que tem”, etc. Vamos focar nas relações trabalhistas e deixar a relação com o público para um outro momento. […]

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