Enquanto minha casa nova é um canteiro de obras e não tem nem fogão instalado, meu dia-a-dia tem sido de rompantes criativos para sobreviver (sem morrer comendo lasanha congelada em todas as refeições). Tenho me virado para descobrir receitas de microondas, para manter os cômodos sem poeira 24/7 e para não deixar de trabalhar em meio ao caos. Essa parte tem sido a mais difícil (como se pode perceber pela minha ausência).

Por ser uma empreendedora criativa, eu não posso deixar minha inspiração e minha criatividade tirarem férias eternas. Então todo dia é uma luta constante por manter a lampadazinha acesa em cima da cachola. E sempre volta aquela ideia de sair da zona de conforto para manter a cabeça funcionando a todo vapor.

O primeiro passo que eu tanto queria para sair da minha zona de conforto já foi dado: troquei a casa dos pais pela minha própria e a companhia da família pela do marido. Saí de casa para apartamento. Parece pouco, mas para mim já está sendo muito. E mesmo assim, eu quero mais. Porque é no desconforto que a gente aprende a se coçar e fazer a realidade melhor.

Aí que nessa busca por inspiração para o trabalho e para vida, me deparei com STEAL LIKE AN ARTIST (que existe em português, na tradução literal intitulada ROUBE COMO UM ARTISTA), de Austin Kleon. Devorei o livro em algumas horas e digo que entrou para o meu bauzinho de referências (aliás, recomendo que também entre para o seu).

O livro te dá 10 dicas de como aperfeiçoar a si mesmo para se tornar a pessoa que você quer ser. E um dos itens que mais me sacudiu foi USE YOUR HANDS, ou seja ponha a mão na massa. Faça. Suje-se. Aja. Em outras palavras, saia da zona de conforto e experimente. Se você fica horas na frente de um computador criando produtos, não espere uma impressora 3D fazer a parte mais legal, crie um protótipo. Faça maquetes, pinte quadros, escreva pôsteres. Não fique só pensando, idealizando ou apertando teclas na frente de um computador por horas, construa sua ideia.

Não existe trabalho sem movimento. Se você observar seu músico favorito (sugestão: observe a galera do Bruce Dickinson), vai perceber que, além da técnica vocal/musical, o cara tem presença de palco. Se você assistir a algum vídeo de Picasso pintando, vai entender exatamente a importância do movimento (corporal. Mecânico, mesmo) para a obra dele. E assim por diante. Isso sem mencionar a máxima (meio exotérica) “corpo são, mente sã”. Se você se mexe, tudo funciona melhor. Suas funções vitais se fortalecem e sua cabeça (sua mente, sua criatividade) se fortalece, também.

Então larga dessa preguiça logo. Sai da sua zona de conforto. Vai fazer sua própria comida, vai fazer listas com as suas melhores ideias, vai executar algumas delas, vai correr na praça, vai pedalando para o seu próximo destino, vai criar um diário criativo. Sai da frente do pc, larga esse livro um instante. Bota em prática, literalmente, tudo o que você aprendeu e você vai ver que para sair da zona de conforto, muitas vezes, basta trocar uma lâmpada.

Renata Coelho Soares de Mello
Produtora cultural. Fotógrafa. Metida a poetisa. Exploradora. Curiosa. Criativa. Renata é daquelas que faz tudoaomesmotempoagora. Uma de suas maiores paixões é cair no mundo. Aproveita suas viagens pra absorver outras culturas e aprender como as pessoas se relacionam com suas cidades. Formada em Produção Cultural pela UFF, atuou em diversos segmentos até descobrir que seu caminho era empreender. Hoje, pós-graduanda em Turismo na UFF (sua segunda casa), está à frente do projeto Explore Niterói e vai compartilhar um pouco das suas pesquisas sobre turismo cultural, cidades e pessoas. Prontos pra fazer as malas?

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