A poucos dias de encerrar o ano, pedimos aos nossos colunistas para relembrar os acontecimentos marcantes da cultura em 2015. Apesar de ter sido um ano complicado para os artistas brasileiros, que além das mortes de Miele e Marília Pêra, receberam, no apagar das luzes, o comunicado da Funarte de não ter verba para honrar com o pagamento de 4 importantes editais, entre eles o Prêmio de Dança Klauss Vianna, tivemos muitos momentos importantes.  Vamos relembrar?

 

Começamos com o Oscar de Melhor Filme para Birdman, no qual o diretor mexicano, Alejandro González Iñárritu, foi o primeiro diretor latino a conseguir a estatueta nesta categoria e o segundo mexicano eleito como Melhor Diretor. Em 2014 seu conterrâneo Alfonso Cuarón, levou o prêmio por Gravidade. O Oscar 2015 não ficou marcado apenas por isso, Patricia Arquette, falou em seu discurso, ao receber o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, sobre a igualdade de direito entre as mulheres, destacando a disparidade de salários entre os gêneros.  Natalie Portman e Meryl Streep também abordaram o tema em outras ocasiões.

Em uma premiação não muito distante, Viola Davis ganhou o Emmy de Melhor Atriz da TV americana com o seriado How to get away with murder. Viola foi a primeira mulher negra a receber este prêmio, outra vitória para as mulheres esse ano, lembrando que Misty Copeland se tornou a primeira bailarina negra a ser promovida para o cargo de Principal Dancer no ABT – American Ballet Theater. E foi decretado o fim das vendas de produtos oficiais da princesa Leia, de Star Wars, vestida de escrava do Jabba, the Hutt.

 

Sem sair das telas ainda, tivemos o recém-lançamento do 7º episódio de Star Wars, primeiro filme lançado após a compra da franquia pela Disney em 2012; o lançamento em maio, 30 anos depois, do novo Mad Max, e no dia 21 de outubro de 2015, a chegada de Marty McFly no futuro. Para homenagear o filme De volta para o futuro, a Nike produziu 1500 pares do tênis que amarra sozinho, usado por Michael J. Fox no filme quando ele chega em 2015. Os produtos foram leiloados no E-Bay e o dinheiro arrecado revertido para a fundação de Michael Fox que ajuda pessoas com a doença de Parkinson.

 

Apesar de todos esses acontecimentos do cinema, nossos colunistas foram taxativos: “Foi o ano das produções do Netflix” disse Társio. E a Renata completou: “Resuma os grandes acontecimentos de 2015 em uma palavra: Netflix”. A empresa causou polêmica em 2015 e consagrou as novas tendências do audiovisual: a produção de séries exclusivas e de excelente conteúdo para a internet. Enquanto diversas produtoras ainda não aderiram ao novo formato, a Marvel saiu na frente e mais 4 séries foram acrescentadas para acompanhar Agents of SHIELD, são elas: Demolidor, Luke Cage, Punho de Ferro e Jessica Jones. Todas as histórias se passam no universo cinematográfico da Marvel.

Corroborando para o sucesso do Netflix, não poderíamos esquecer Narcos e a indicação de Wagner Moura para o Globo de Ouro.

 

Saindo do cinema, O Pequeno Príncipe entrou em domínio público no início do ano e Alice no País das Maravilhas comemorou seus 150 anos. O lado ruim foi o fechamento da Cosac Naify por falta de verba, mas tudo ficou aparentemente bem já que a Companhia das Letras comprou o catálogo da editora. Na música: o Queen voltou ao Brasil, a Adele voltou aos palcos com seu novo álbum, 25, e o Rock in Rio abriu mão dos 4 milhões de reais captados pela Lei Rouanet para a realização do festival, correspondente a 3% do valor total do evento, por uma alteração no valor da venda dos ingressos. Já no âmbito da gestão cultural, o MinC teve 30% do seu orçamento reduzido, a Lei da Meia Entrada teve sua regulamentação aprovada e o Theatro Municipal do Rio de Janeiro ganhou uma nova gestão, que parece ser bem mais consciente e eficiente que a anterior.

 

Outro setor que teve muitos altos e baixos este ano foi das Artes Plásticas. Exposições como Picasso e Castelo Rá Tim Bum criaram filas de dar inveja a qualquer show de banda teen. E enquanto o Passaporte dos Museus Cariocas e a Inauguração do Museu do Amanhã movimentaram a cena cultural da cidade, os governos do Estado e do Município do Rio de Janeiro deram vexame permitindo o fechamento, alguns temporariamente, de diversos espaços culturais por falta de verba, como o belíssimo Museu Nacional. Além da quantidade de lixo deixado na Praça Mauá devido à inauguração do Museu do Amanhã, outra polêmica envolvendo o novíssimo espaço do Rio foi a contratação do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, conhecido na Espanha pelo seu envolvimento com corrupção e o superfaturamento de obras.

 

O saldo do ano foi mediano, boas conquistas de um lado e retrocessos em outro. Porém, a beleza do ano novo é isso, renovar as esperanças de que ano que vem vai ser melhor, inclusive pra cultura brasileira.

 

 

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