A semana passada foi pontuada pelo que se pode considerar um dos maiores acontecimentos da cultura pop de 2015: o lançamento tão aguardado do sétimo episódio de Star Wars, também conhecido como O Despertar da Força. O filme chegou aos cinemas com a salva de palmas que estávamos esperando, e, com apenas uma semana desde sua estreia, ainda não podemos ter a noção de seu impacto no mercado futuro. Talvez maior que as prequels, menor que a trilogia original, mas, spoilers à parte, esse é assunto para outro dia.

Já escrevemos sobre a questão de universo expandido e do transmídia quando estamos falando de transcrever a narrativa de um tipo de suporte para outro, como oportunidade única de incrementar histórias e ambientações através de narrativas suplementares em formatos diversos. Mas o lançamento, o próprio anúncio de O Despertar da Força já mexeu nesse universo de Star Wars de maneira indissolúvel ao abstrair todo o acontecido no universo antes de sua existência. O cânone foi apagado, comecemos com uma página em branco; os livros antigos receberam a alcunha “Legends” (um jeitinho sagaz de se dizer que ‘pode ser verdade parcial, total ou completa baboseira, quem sabe?”) e então começamos essa nova fase do cânone aos poucos.

Surge a “jornada para O Despertar da Força“.

A bola da vez é o tal Marcas da Guerra (Aftermath, no original), da pena de Chuck Wendig. A proposta é interessante: como temos agora trinta anos inexplorados entre o episódio VI e o VII, vamos recuperar um pouco desse tempo perdido! O livro se passa, como indica o nome, pouco depois da fatídica batalha de Endor ao final do Episódio VI: o Império está severamente abalado após a destruição da segunda Estrela da Morte e a perda de seu Imperador. Nesse cenário, acompanhamos um punhado de personagens diferentes, nenhum dos quais é figura dos filmes, de forma a mostrar diversos pontos dessa nova situação político-bélica do mundo pós-Endor.

O “novo cânone”, como foi batizado, são as histórias escritas pós-Disney que se enquadram nessa nova cronologia para as letras do universo de Star Wars: sejam livros, comics, jogos ou brinquedos, são agora essas as que valem. E aqui no Brasil, para aproveitar o buzz gerado pelo filme vindouro, as editoras não perderam tempo: Marcas da Guerra foi lançado cerca de um mês antes do filme pela editora Aleph, assim como Um Novo Amanhecer e Tarkin, ambos passados entre a trilogia original e as prequels, estabelecendo novos acontecimentos canônicos. O young adult Estrelas perdidas, lançado pela Seguinte, também apresenta outra abordagem ao novo cânone. Com a novelização de O Despertar da Força pronta para dar as caras no Brasil, também, podemos dizer que o prato é cheio para qualquer fã da saga.

Mas o que isso significa para aqueles que cresceram acompanhando religiosamente a lore, o cânone antigo da série? Minha abordagem pessoal é que o que ainda não foi contradito pode ser acreditado; talvez seja uma forma de não desperdiçar obras e mais obras de material de qualidade incrementando a experiência do universo de Star Wars. Mesmo elementos de livros cânone, como certas referências em Tarkin, apontam para uma possível veracidade dos eventos de certos livros considerados oficialmente Legends. Afinal, esse selo de “continuidade alternativa” onde nada mais é necessariamente o factual ainda dá brechas para que um ponto ou outro seja aproveitado. O que, digamos, é bem intuitivo.

Sai o Thrawn de cena e entra Snoke e Kylo Ren. Essa é uma história nova que abalou uma galáxia muito, muito distante, mas… pode dar certo.

Quer receber mais conteúdo? Cadastre-se no nosso Clube de Cultura
Bruno Alves
Paulistano de nascimento, jundiaiense de coração e carioca honorário. Formando em Comunicação Social (Produção Editorial) na Universidade Federal do Rio de Janeiro, é assistente editorial na Bertrand Brasil e leitor de gosto eclético: ama literaturas contemporâneas e ficções de gênero em igual medida. Eventualmente tenta a mão na ficção, com resultados aqui e ali.

DÊ SUA OPINIÃO