Plateia da noite de Abertura do Festival de Dança de Joinville 2014 Crédito: Nilson Bastian

Durante alguns anos da minha formação como bailarina, os meses que antecediam julho eram sempre regados por uma ansiedade sem tamanho: “O festival de Joinville está se aproximando!”. Noites sem dormir esperando o momento de estar dançando naquele palco gigante, concorrendo com bailarinos de alto nível e de estar em uma cidade que vivencia a dança em todo o seu território durante o período do evento. Desde a loja que vende carros e motos até o grande supermercado, tudo vive a temática da dança. Até porque não são poucos os turistas que vão para a cidade nesse período por conta do evento. Então o comércio aproveita mesmo este gancho e “entra na dança” para poder lucrar bastante nos “aplausos finais”.

O maior festival de dança do mundo em número de participantes, registrado pelo Guinness Book, acontece aqui no Brasil, na cidade de Joinville sempre no mês de julho. O evento reúne mais de seis mil participantes diretos e atrai um público superior a 200 mil pessoas, em uma média de 170 horas de espetáculos. É realmente algo muito grande, tanto para quem dança, quando para quem assiste.DSC03160

Em sua trigésima segunda edição, o festival apresenta várias frentes. Ele não se reduz à realidade do palco para a competição. Muito pelo contrário. Além das noites competitivas e de gala, ele oferece cursos, workshops, palcos abertos e espetáculos gratuitos. Outra atividade que gera um lucro incrível para os vendedores durante o evento é a Feira da Sapatilha, que acaba com toda a conta bancária das pobres bailarinas. Afinal é uma gama tão diversa de ofertas e produtos de dança, que se torna impossível sair deste lugar sem ao menos ter em mãos uma sacola com um collant, sapatilha, camiseta e um chocolate quente para esquentar naquele friozinho.

Exposição durante o 8° Seminário de Dança
Exposição durante o 8° Seminário de Dança

Eu não ia a Joinville desde 2007, quando dancei lá pela última vez  na Gala dos 25 anos do Festival. Na semana passada,  tive o prazer de reviver o gostinho de fazer parte desse momento de celebração da dança.  Fui lá apresentar o “Corpo da Cidade”, uma experimentação em videodança sobre o corpo dançante em diálogo com a cidade do Rio de Janeiro. Projeto este, idealizado com Thiago Saldanha, também colunista aqui do Tag Cultural. A apresentação se deu durante o 8° Seminário de Dança, cujo tema foi: Deixa a rua me levar.

Acho uma iniciativa incrível e bem valiosa do festival, a de propor um espaço de discussão além-cena, onde os bailarinos, coreógrafos e pensadores de dança possam debater e refletir sobre o que tem sido feito neste campo e o que pode vir a ser realizado. Algo que, na verdade, deveria ser executado sempre, independente de qualquer evento. Mas como isso não acontece, o festival acumula esta função de instigar a reflexão. Confesso que saí de lá cheia de ideias, respostas, perguntas, mas principalmente cheia de anseio por me aprofundar ainda mais no tema proposto pelo seminário.                                                                                                                     20140727_133242

O festival  conta com uma série de patrocinadores, apoiadores e colaboradores que fazem questão de fazer o seu merchandising em todos os lugares de trânsito intenso de pessoas. Às vezes um pouco exacerbado e até perturbador. Mas sabemos que no fundo, se não fossem esses patrocínios o festival não aconteceria. Então é mais fácil fingir que não viu nada e seguir andando, ou dançando. Porque em Joinville tudo é possível. Não se assuste se você estiver dirigindo e do nada um bailarino surgir fazendo um grande salto para atravessar a rua, ou se você estiver passeando pela calçada e um grupinho de meninos estiver fazendo uma rodinha de disputa de piruetas, para ver qual deles gira mais.

Joinville em Julho é assim, uma invasão de movimento, de energia, de corpos, de dança.

 

 Dança, Joinville.

Dança o meu coração.

A vida é um palco, movimento e emoção.

As flores da cidade vão dançar com você.

Vem pra Joinville, nós queremos te ver.

Pra dançar, dançar, dançar e ser feliz.

Festival de emoções do meu país.

Pra dançar, dançar, dançar e ser feliz.

Festival de emoções do meu país.”

Créditos:
Créditos: Mauro Artur Schlieck

 

Site do festival: http://ifdj.com.br/2014/index.php

Liana Vasconcelos
Bailarina formada pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa (Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro) e pela Royal Academy of Dance, de Londres. Conta em seu currículo com diversas premiações em concursos nacionais e internacionais. Ganhou, em 2009, o prêmio de melhor bailarina no Seminário de Dança de Brasília e foi agraciada com uma bolsa de estudos para o Conservatório de Dança de Viena. Pertenceu à Cia. Jovem de Ballet do Rio de Janeiro, São Paulo Companhia de Dança e se apresenta como bailarina convidada em diversos festivais de dança no Brasil. É Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a monografia “Memória da Dança: Importância, Registro, Preservação e Legado”. Fez parte do elenco da novela “Gabriela”, da Rede Globo de televisão como bailarina/atriz. Foi contratada pela São Paulo Companhia de Dança, como Pesquisadora, para elaborar duzentos verbetes relativos à dança no Rio de Janeiro, para a enciclopédia online “Dança em Rede”, criada por esta companhia. É também colunista de dança no Blog Radar da Produção É bailarina-intérprete e produtora, junto ao diretor Thiago Saldanha e a coreógrafa Regina Miranda, do projeto “Corpo da Cidade”, uma experimentação em vídeodança que busca dialogar o corpo dançante da bailarina clássica com as transformações urbanas que a cidade do Rio de Janeiro vem sofrendo. Atualmente, é bailarina contratada do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro É apaixonada pelas artes cênicas, espectadora frequente dos teatros do Rio de Janeiro, ama viajar e vive em eterna dança.

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