Sabe o que é Footwork? Já ouviu falar? Não tô falando do jogo de pés dos boxeadores não, hein! Apesar de ter tudo a ver e o nome vir justamente daí, esse Footwork que eu tô falando é na verdade um subgênero do Hip Hop de Chicago. E se você tá achando interessante que o nome de um estilo musical faça referência a movimentos corporais, eu digo parabéns! Você tá indo por um caminho de pensamento muito bom, porque o Footwork é um gênero que evoluiu de outro pra se adequar a movimentos ultra rápidos e complexos, nascidos nos campos de batalha de dança de Chicago chamados de, pasme: Footworking! Música evoluindo pra se adequar a batalha de dança? Já ouviu falar nisso?

Vamo pra rataria!

 

rato

 

Esse primeiro parágrafo foi só pra gerar uma curiosidade sobre o estilo, mas não vou contar a história dele, dizer a origem ou analisar os pontos fortes ou fracos, e tal. Isso é material pra outro tipo de post; um em que eu tenha mais tempo de pesquisa e não esteja completamente atolado de coisas pra fazer. A ideia do Rataria Records é apontar você numa direção e te dar um empurrãozinho, depois disso é com você! Outro dia quando você já for expert em Footwork, a gente discute questões mais profundas envolvidas na sua concepção como velocidade, desafio e morte. Eita! Finge que eu não disse nada e escuta isso aqui:

 

 

Meio frenético, né? Uma batida toda quebrada e ultra rápida, mas que não deixa de ser leve e com uma atmosfera meio flutuante, etérea. É bem por aí mesmo! O Dj Rashad foi um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento e consolidação do estilo e é era um cara que gostava de uma viagem, se é que você me entende. Mas voltando, depois de ouvir isso você pode pensar no Footwork como uma espécie de Hip Hop psicodélico aceleradíssimo, e ninguém poderia discordar. Talvez você devesse dar uma olhada na dança que deu origem ao som e pensar um pouco mais nessa classificação. Dá uma sacada nessa porradaria aqui:

 

 

Já tá começando a dar uma clareada nas ideias, né? Tenho certeza que você achou esses passos absurdamente rápidos, familiares de alguma forma! Onde será que a gente já viu algo parecido? Não sei exatamente, mas parece que foi em alguma coisa velha… um filme talvez? Um musical antigo? Não vou entregar o ouro tão rápido pra você fazer por merecer o seu emblema da rataria, mas vou dar uma dica musical mais explícita (com um freestyle foda de brinde) e você vai sacar na hora do que eu tô falando, ó:

 

 

Ahá! Agora sim hein! Jazz, minha gente! Bom, ou pelo menos algumas das influências e derivações dele. Por exemplo, sabe o que é Charleston? Pois procure saber! Esse monte de braços e pernas pra todo lado lembram muito as danças exageradas dos anos 1920, não acha? Claro que a galera hoje em dia joga um monte de referências de outros estilos e acelera mil vezes, deixando a coisa ainda mais aloprada, mas tá tudo lá! Estamos falando somente da dança, e quanto à música? Bom, eu não posso afirmar que o Footwork veio do jazz, mas posso dizer que talvez esteja indo pra lá:

 

 

Esse clipe me deixa arrepiado toda vez! Espera só pra ver a surpresa! Música do Flying Lotus que é um produtor da Califórnia, sobrinho neto do Coltrane (sim), que se juntou com músicos absurdos, inclusive seu tio avô, pra gravar um disco inteiro sobre morte. E lá está o Footwork no meio, conseguiu perceber? Se não, pode ouvir de novo várias vezes porque essa música nunca é demais. O Footwork pode até estar meio disfarçadinho, mas a linguagem jazzística tá clara logo nos primeiros segundos e o resultado é sensacional. Agora, sabe um outro lugar pra onde o estilo tá indo?

 

 

Haha desculpa, acabei voltando um pouco pro tema do Rataria Records #1, né? Mas tudo bem, porque o mais legal dessa série de posts é justamente traçar paralelos entre as diferentes linguagens musicais que andam flutuando por aí hoje em dia. O que acontece é que uma legião de produtores de outros lugares escutou o Footwork de Chicago, se amarrou e começou a fazer música influenciada pelo estilo, gerando uma série de novos subgêneros muito interessantes e únicos! E descobrir essas vertentes é justamente o espírito da rataria! Espero que você tenha curtido esse nosso segundo passeio e descubra muito mais referências e derivações do Footwork! Pode postar suas descobertas aqui nos comentários pra compartilhar conhecimento! E um último vídeo pra você que ficou muito afim de aprender a dançar que nem essa galera. Eu sei que ficou.

 

 

Moleza.

 

André Colares
Me chamo André Colares e sou formado em Música e Tecnologia pelo Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro; estudei orquestração e contraponto, bem como composição para tv e cinema. Trabalhei como arte-educador em música no setor educativo do CCBB do Rio de Janeiro e atualmente moro em São Paulo, onde curso a carreira de composição musical na Omid Academia de Áudio. Trabalho como compositor de trilhas sonoras e/ou sound designer para cinema, teatro e publicidade; mas principalmente vídeo games, que são minha maior paixão desde sempre. Musicalmente gosto de tudo e estou sempre inclinado a considerar qualquer manifestação musical como algo bom e de valor. Qualquer Manifestação Musical. Então pra mim não existe esse papo de música ruim, certo? Que bom que combinamos isso! Também sou mal-humorado, daltônico, magrelo e barbudo. Nessa ordem.

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