Para quem está com pressa, com medo de perder o ônibus ou deixar o arroz queimar, aqui vai alguns vislumbres do que tenho visto de quadrinhos esses últimos dias.

 

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monica_turma

Vi esse cara lendo gibi da Turma da Mônica quando estava na biblioteca. Não era o tipo que você diria que lê gibi. Tinha mais jeito de quem lia nas horas vagas Manuais Sobre Como Ser Sério. O rosto dele era ossudo, o que só fazia acentuar a sisudez. Mesmo assim, lá estava ele absorto no gibi da Turma da Mônica.

Bom saber que as pessoas mantêm inocência suficiente para curtir algumas páginas coloridas de gibi. Ainda há esperança no mundo.

 

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mafalda

Aliás, na Biblioteca Parque da Av. Presidente Vargas, tá rolando uma exposição da Mafalda, a menina prodígio dos quadrinhos argentinos. Criada por Quino na década de 60, ela se tornou símbolo do inconformismo por sempre questionar seus pais, escola, cultura e o sistema econômico. Muitos podem preferir outros grandes personagens dos cartuns, mas ninguém pode negar o poder da representatividade da Mafalda e dos seus cabelos livres. Por isso, botem na agenda: visitar a Biblioteca Parque Estadual.

 

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Estou lendo a série Bone, de Jeff Smith, em preparação para a FIQ (ele vai estar lá na feira, e eu, assim espero, também vou estar). É um grande épico por um mundo fantástico, onde os primos Fone, Phoney e Smiley procuram o caminho para casa.

Só li o primeiro volume, então ainda estou naquele estágio de apresentação dos personagens. Mas apenas isso já basta, já que eles são bem carismáticos, e, embora eu não goste de dizer isso, eles são fofos. Muito fofos.

É o tipo de história que dá vontade de ler debaixo das cobertas. É aventura para crianças, jovens e adultos. Fica a torcida para lançarem por aqui as versões em cores.

 

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Estreou recentemente o Netflix dos quadrinhos, a plataforma Social Comics. Você paga uma mensalidade e tem direito a ler quantos quadrinhos quiser. Só não vá contando com Marvel e DC ou mangás de sucesso. O catálogo por enquanto é composto mais de autores independentes nacionais. O que é bem legal, já que é muito difícil encontrar quadrinhos brasileiros independentes em livrarias normais.

A minha única reclamação até agora é a ausência da opção “tela cheia” para ler os quadrinhos. Também senti falta de uma tecla de atalho para abaixar e subir a página, só tem tecla pro zoom e para virar de página.

Para quem quiser experimentar, os primeiros 14 dias são gratuitos, depois do prazo passa a valer a mensalidade de R$ 19.99.

Társio Abranches
Aluno com mais estrelas douradas na classe de alfabetização da Escola Cachinhos de Ouro, também sou formado em Rádio e TV e em Produção Editorial pela UFRJ, mas não com tanto louvor. Trabalho como revisor de livros, tenho um conto publicado pela Andross Editora, já fui crítico de quadrinhos do site O Grito e vez ou outra faço uma tirinha para confirmar que desenho mal. Você vai me ver falando sem parar sobre quadrinhos e suas páginas que misturam cultura pop, arte, vanguarda, conservadorismo e tudo que couber num balão de fala. Vou mostrar o que tem de melhor e o que tem de pior no mundo do gibi, então não se preocupe se você está por fora do assunto. Acompanhando a coluna você vai entender que tem quadrinho para cada um e que nem tudo é super-herói com cueca para fora da calça. E se você curte cueca para fora da calça, tem lugar para isso aqui também.

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