Um contrato justo, a demissão da diretora Laura Morelos e o direito de dançar são os pedidos dos sessenta e oito bailarinos que compõem a Companhia Nacional de Dança do Instituto Nacional de Belas Artes, no México.
O trabalho da companhia não pôde ser iniciado esta semana. Primeiro por uma negociação frustrada sobre os contratos anuais dos bailarinos e segundo pela recusa da renovação do contrato de dois integrantes do corpo de baile por parte da diretoria.
“Trabalhar com respeito, sem abuso de poder, com os nossos direitos, um contrato decente… estamos cansados do abuso de Laura Morelos (diretora) que não disse nada até agora”, disse Agustina Galizzi, bailarina da companhia desde 2009.
Companhia nacional de dança méxicoGalizzi, juntamente com os seus colegas de trabalho, realizaram protestos do lado de fora da sede da companhia, colocando faixas e cartazes nas portas fechadas.
O motivo? Eles se apresentaram formalmente para começar a trabalhar no dia 19 de janeiro, mas receberam um e-mail para comparecerem apenas no dia seguinte. No dia 20 então, foi feita uma reunião para informar que o tipo de contrato da companhia havia mudado em 2016. E nele todos os direitos ficaram em risco:

“Existem três coisas importantes que mudaram: já não nos vêem como trabalhadores, mas sim como prestadores de serviço. Estão se embasando em um código civil e não na Lei Federal do Trabalho e por último, estão nos desligando dos grupos artísticos do Instituto Nacional de Belas Artes. Ficamos totalmente desamparados assim.”

Dada a situação, Galizzi finalmente decidiu criar uma conta no Twitter @BailarinesCndMX, onde solicita apoio à causa:
“Queremos dançar com justiça, direitos e sem abuso de poder, chamamos todos os bailarinos do mundo para apoiar a nossa causa”, além da hashtag: #queremosbailar e #bailarinesunidos.

Nos próximos dias as negociações entre direção e companhia irão continuar. Como bailarina profissional que vivencia todas as dificuldades desta carreira, e como amiga de alguns dos integrantes dessa companhia, peço que viralizem, compartilhem e apoiem a iniciativa destes bailarinos, que só desejam condições justas para realizarem o que fazem de melhor: encantar o público com a sua arte.
Queremos TODOS bailar!!!

 

Confira o informativo na íntegra:

Mexico City, January 23, 2016
News Bulletin
Dancers from the National Ballet Company (CND)

The members of the National Ballet Company (CND), a dependent of the National Institute of Fine Arts (INBA), would like to make a public statement regarding the serious situation that our organization is facing.
Since its creation, the National Ballet Company has strived to create a stable working environment for its members. Unfortunately the authorities representing the INBA have systematically failed to provide stable working conditions for us. Legal and budgetary problems now leave us in a vulnerable and uncertain situation that inhibits our artistic development.
Unfortunately, the aggressive tactics that the INBA authorities have used in response to the CND have been increasing. On January 19, the designated start-date of our 2016 activities, we were denied access to our rehearsal facilities. This decision was revoked only 30 minutes before our regular working schedule. We dancers were informed that in order to be allowed to initiate our activities and receive our first payment of the year, we had to sign a new contract in which we would be working as “Service Providers” and not as “Workers” as was formerly established in the previous contract–an unusual and illegal tactic on the part of the INBA administration. This document would govern the working relationship between CND and INBA through the following year.
After we carefully studied the contract that the INBA wanted to impose on us, we noticed a decrease in benefits and rights, which is why we initiated a revision of the document with the INBA authorities.
Until now we have had a reasonable dialogue with the INBA authorities and have engaged in promising negotiations that seemed likely to satisfy both parties. But the events that took place yesterday prove that Laura Morelos, Director of the CND, is unsuitable for her post. Once again, she sabotaged a productive process of negotiation.
Just before the dancers signed their contracts, Morelos sent two dancers to the weighing scale. These two members were over their mandated weight in December, and had committed themselves to reach the ideal weight. They were put on three months’ notice, starting in January. Contrary to this initial agreement, yesterday these two dancers were informed that if they were not at their ideal weight that very same day, they could not sign their 2016 contracts. Once again, this situation compelled CND dancers to protest an unjust and arbitrary violation of the agreed terms.
We as dancers of the National Ballet Company would like to clarify that we are NOT opposed to evaluations that accord with the established clauses in our contract. We ARE opposed to the violations of that contract that the authorities of the CND have recently committed by imposing arbitrary guidelines on Company dancers.
We are united in our opposition to these injustices and wish to pull the Company out of its current predicament. For this reason, we request the dismissal of Laura Morelos, Director of the CND. The treatment of our fellow dancers regarding their weight is proof of the administration’s failure to keep agreements, its abuse of power and its inability to oversee the Company in a way that ensures a stable, productive and creative working environment for everyone.
We also believe that these recent events do not reflect the objectives of strengthening and promoting the arts that the President of our Nation, Enrique Peña Nieto, proclaimed in his creation of the Department of Culture.
We fear that our Director’s attack on the very foundation of our Company represents a bad first step for the Department of Culture. Therefore we ask the public as well as other artistic communities in our country and the world for your support as we defend our work. Making this stand will not only help our Company but also serve to resist broader trends that are undermining other artistic groups and communities.
We announce that we, along with other artistic groups under the administration of the INBA, will start a forceful information campaign through the media to raise awareness about the dire situation of our company. We are particularly concerned that this situation, if not quickly and fairly resolved, might put at risk the celebration of the 40th anniversary of the “Swan Lake” season.
The CND has won national and international recognition and is a national treasure. Lend us your support to help us preserve our culture, art, traditions and values.
Let us defend the National Ballet Company, for it belongs to us all.
#QueremosBailar (we want to dance)

 

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Liana Vasconcelos
Bailarina formada pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa (Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro) e pela Royal Academy of Dance, de Londres. Conta em seu currículo com diversas premiações em concursos nacionais e internacionais. Ganhou, em 2009, o prêmio de melhor bailarina no Seminário de Dança de Brasília e foi agraciada com uma bolsa de estudos para o Conservatório de Dança de Viena. Pertenceu à Cia. Jovem de Ballet do Rio de Janeiro, São Paulo Companhia de Dança e se apresenta como bailarina convidada em diversos festivais de dança no Brasil. É Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a monografia “Memória da Dança: Importância, Registro, Preservação e Legado”. Fez parte do elenco da novela “Gabriela”, da Rede Globo de televisão como bailarina/atriz. Foi contratada pela São Paulo Companhia de Dança, como Pesquisadora, para elaborar duzentos verbetes relativos à dança no Rio de Janeiro, para a enciclopédia online “Dança em Rede”, criada por esta companhia. É também colunista de dança no Blog Radar da Produção É bailarina-intérprete e produtora, junto ao diretor Thiago Saldanha e a coreógrafa Regina Miranda, do projeto “Corpo da Cidade”, uma experimentação em vídeodança que busca dialogar o corpo dançante da bailarina clássica com as transformações urbanas que a cidade do Rio de Janeiro vem sofrendo. Atualmente, é bailarina contratada do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro É apaixonada pelas artes cênicas, espectadora frequente dos teatros do Rio de Janeiro, ama viajar e vive em eterna dança.

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