Crossmedia, transmedia, novos mídias, entre muitas outras novas expressões surgiram através dos avanços tecnológicos e meios de distribuição, os produtos audiovisuais evoluíram junto. Prestando um enorme favor à sociedade, adequando-se aos novos modelos.  Para entendermos que diabos é transmedia, precisamos entender antes quem são os novos mídias e diferenciá-los dos crossmedias.

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Para começar os novos mídias:  estes consistem nos meios de comunicação digital. Tais como internet e celular. Podemos exemplificar com o grupo Porta dos Fundos, que tem seu principal meio de difusão a internet e depois, os games. Ou o Netflix, que fornece conteúdo on demand na rede. Um vasto conteúdo audiovisual ao seu dispor para quando e como pretender consumi-lo, com produções de séries e filmes exclusivas para o consumo na internet. Agora que entendidos dos novos mídias, é a vez dos crossmedias. Estes constituem os conteúdos que são distribuídos em diversos meios de comunicação.

Como por exemplo um programa de culinária. Você assiste na TV o programa, logo corre pra internet para rever um detalhe que lhe fugiu durante a exibição.Quando vai realizar a receita de fato, recorre o aplicativo do programa para ver os ingredientes exatos. E logo, o apresentador lança um livro com suas receitas do programa. Pois os crossmedias são produtos que atravessam os meios de comunicação (ou distribuição), mas não dá ao espectador um novo ponto de vista. É sempre a mesma informação, porém em um meio distinto. A diferença básica entre os crossmedias e os transmedias é justamente essa. Enquanto o primeiro fornece sempre a mesma informação, em diversos meios de comunicação (ou mídias); o segundo, aproveita cada plataforma midiática, tal qual suas especificidades para fornecer um novo dado daquele produto.

A dissipação do produto ocorre em pelo menos 3 mídias distintas. A cada mídia, o produto será mostrado de uma nova perspectiva e sempre valorizando as características do suporte em que está sendo fornecido. Complicado? Vamos utilizar um exemplo: o nosso herói, mega ultra conhecido, o homem morcego Batman. Primeiramente temos seus quadrinhos, que narram sua história por completo e têm a base do todo. Animações para a TV, narram aventuras para crianças. Na série Gotham, os espectadores conhecem a história que antecede a fatídica morte dos pais de Bruce Wayne, onde e como os personagens estavam/eram através do policial James Gordon. Na trilogia cinematográfica de Christopher Nolan, conhecemos justamente como surgiu o herói e suas motivações. Já no próximo filme, mostrará seu embate com o Superhomem. Músicas, Games, Livros, etc etc etc. Como podem perceber, Batman pode ser consumido de diversas maneiras. E cada suporte de difusão revela uma nova informação em diversas maneiras de transpor.

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Este gráfico resume como os transmedias atuam. Sempre complementando a experiência do espectador, sempre pensando no usuário. Exploram as características de cada meio de difusão, sempre fornecendo mais conteúdo a seus consumidores. E, cada meio explora algo daquele produto que o outro não pode fazer. Múltiplas narrativas completam um mesmo relato. Não é a toa que tem sido uma forma utilizada. Vivemos em um mundo midiático, com as facilidades dos smartphones. Acompanhar uma série por um smartphone ou ler um quadrinhos por um tablet são possibilidades reais. É como se o autor fornecesse cada parte de uma história através de um meio, e todas juntas formassem o todo, porém cada parte é  independente.

Afinal, se eu vejo os filmes de Nolan e não leio os quadrinhos não tem problema. Até se eu somente optar pela série de TV ao game. Tudo isso se deve ao consumidor. Os produtos cada vez mais são desenvolvidos ao gosto do consumo. E, quando o produto não atende à demanda do espectador, ele mesmo se dá o direito de produzir conteúdos transmidiáticos para suprir o consumo de seu produto. Como por exemplo, fan arts ou blogs, tutoriais, podcasts, etc etc etc. Atualmente, quem reina é a internet. Não apenas Netflix, porém plataformas de streaming como Hulu, Megavideos ou até mesmo o Youtube estão dominando o consumo. Em um estudo, afirmou-se que 50% do consumo na internet são provindos do Youtube e Netflix. E a maioria do consumo de produtos audiovisuais são em tablets e smartphones. Sem contar que a HBO vai lançar seu próprio canal de streaming online, a fim de se desvincular dos canais pagos que a cada ano perde mais para as plataformas de streaming, dá para perceber a importância dos novos mídias.

Dito isso, creio que os leitores estão cientes como estes são englobados nos produtos audiovisuais em formas crossmedias ou transmedias. Então, que diabos é transmedia? É um bicho arretado, tipo assim, muito irado, que consumimos diariamente sem dar-nos conta de sua importância e como é planejado.

Thais Nepomuceno
Fã efusiva do cineasta Alexander Payne, cultiva um sonho cinematográfico: um dia, John Cusack aparecer na janela de seu quarto, segurando um boombox no alto, tocando "In Your Eyes" (assim como no filme "Say Anything"). Thais Nepomuceno é produtora cultural, com especialização em cinema. Durante um ano estudou produção cinematográfica na ESTC em Lisboa, onde produziu o curta-metragem “Chronos” da diretora portuguesa Joana Peralta. Antes de sua formação no exterior, Thais já havia colaborado em sites de cinema, participado de curadorias em cineclubes e estagiado na TV Brasil. Foi quando dirigiu e produziu o curta-metragem "A View To A Kill - the Director's Cut". O filme já participou de festivais universitários e exibições em cineclubes. Esta pequena produção, com custo zero, feito a partir da colaboração de seus amigos é uma grande brincadeira com os clichês do terror adolescente; auto-definido como freshy trashy movie. Atuou na coordenação de pós-produção da TV Globo e agora está realizando seu mestrado em Formatos e Conteúdos Audiovisuais, na Universitat de Valencia (Espanha). E não fale mal do Leonardo Dicaprio perto dela.

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