Não é novidade que nossa economia esta indo de mal a pior. Nem vou entrar nas questões políticas, pois precisaríamos de mais cerveja e a discussão não teria fim, além disso provavelmente eu perderia alguns amigos no processo (rs). Também não é novidade (ou pelo menos não deveria ser) que nosso modelo econômico está ruindo pouco a pouco. Para o mercado cultural então, a crise é ainda mais arrebatadora.

Podemos ver que setores da cultura se preparam para cortes de até 30% em matéria divulgada em março desse ano. Demissões de funcionários, redução de horário e de programação em espaços culturais também estão no plano para contenção de despesas. Lembrando que nosso mercado é, na grande maioria, pautado pela lógica do mecenato através de incentivos fiscais baseados no lucro. A conta é matemática simples: 1-1=0 ou seja, menos lucro, menos incentivo, menos patrocínio. Mas a crise não só arrebata o terceiro setor e a iniciativa privada, os órgãos públicos também acusam cortes compulsórios de recursos para editais e de orçamento de secretarias e do próprio MinC.

O que podemos fazer para resolver a crise? Provavelmente nada. Isso envolve um sistema global muito mais complexo. Mas não vamos esquecer que toda crise é um campo fértil para oportunidades, para reinventar nosso fazer. Sobre isso, queria trazer três visões que contribuem para a reflexão do processo que estamos vivendo (desculpe o tamanho dos vídeos, mas vale a pena!).

Paul Singer

Paul é conhecido por trazer o conceito de economia solidária para o Ministério do Trabalho, tocando a Secretaria Nacional de Economia Solidária. Resumindo basicamente é a forma não monetária de realizar trocas econômicas, baseado na cultura colaborativa, no cooperativismo, na autogestão. Ou seja, na economia solidária, o futuro da economia não é o dinheiro.

Muhammad Yunus

Yunus já coloca em cheque questões como lucro e emprego. “O ser humano é cheio de poder criativo, mas o sistema o reduz a mero trabalhador, capaz de fazer trabalhos repetitivos”. Ele criou o microcrédito social para que as pessoas que não tem acesso aos créditos dos grandes bancos, uma vez que não preenchem os requisitos para gerar mais dinheiro para esses bancos, possam criar seus próprios negócios, negócios sociais. A ideia básica é investir dinheiro em empreendimentos sociais sem expectativa de lucrar com isso. Um tanto ousado, mas não por acaso ele hoje é conhecido como banqueiro dos pobres. A ideia do não lucro esta se espalhando por ai e logo vai chegar a você também.

Michael Porter

É uma fala que você pode chamar de greenwash e talvez até tenha razão, mas para mim quando o cara do business que as mega corporações multinacionais respeitam e seguem diz que investir no social é negócio, vejo luz no fim do túnel. Ele defende que valor compartilhado é aliar valores econômicos com valores sociais. Ainda longe do mundo ideal, mas esse pode ser um caminho possível para a transição. Para que tenhamos mais Yunus e Singers espalhados por ai.

Como venho percebendo pela fala desses e muitos, estamos no momento da transição e por um longo período teremos que conviver com o modelo econômico estabelecido e a construção de um novo. Arrisco dizer que seria uma passagem do capital para o social e saber transitar entre essas duas esferas é uma ferramenta fundamental nesse processo.

Na economia da transição, 1+1 é maior que 2.

Simbora somar!

Inté

Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

DÊ SUA OPINIÃO