Eu estava programando um especial com meus filmes de terror favoritos para o próximo Halloween e fui (assim como todos) pega de surpresa com a morte de Wes Craven, um dos grandes mestres do gênero. Definitivamente, esta data não pode ser esquecida. Decidi homenageá-lo neste artigo. Com certeza quando falamos em terror este nome é imprescindível, além de criar os maiores serial killers, ele imortalizou o gênero e criou outros subgêneros.

Qual o seu filme de terror preferido?

ghostface
Ghostface

Estou certa que ao responder esta pergunta você vai citar algum filme de Wes Craven. Ele foi o responsável por criar um dos nossos maiores pesadelos e um universo metalinguístico no mundo do horror. Freddy Krueger foi uma das suas principais colaborações para o cinema, além de ser um grande vilão é um personagem cativo. O personagem do filme A Hora Do Pesadelo é imortal e faz parte da juventude de diferentes gerações. Entretanto, a juventude dos anos 90 o conhecem por sua franquia de sucesso Pânico.

Com esta produção, ele não só revitalizou o gênero terror como abriu um nicho de terror adolescente na década de 90. Pânico abriu portas para novas produções e ousou ao usar a metalinguagem. Ao contrário dos demais filmes de horror onde os personagens não preveem os movimentos do assassino, ou demoram a perceber um futuro ataque; em Pânico os personagens sabem o que vai acontecer porque são fãs de terror. São jovens que estão sempre discutindo sobre os próximos passos do assassino. A franquia apresenta uma forma divertida de jogar com as previsibilidades do gênero (e dos assassinos). Inicialmente lançado como uma trilogia, por conta da moda instaurada nos anos 90. Após o sucesso da franquia, lançou o quarto filme que, posteriormente, iria quebrar as barreiras das trilogias (perceba que a maioria dos filmes adolescentes atualmente são lançados em 4).

Ghostface é um dos personagens mais icônicos da nossa geração e que transcendeu os filmes. Ele pode ser visto em lojas de fantasias, em festas temáticas, na TV e sendo parodiado no cinema. É um personagem que ganhou seu próprio mundo transmidiático. Muitas pessoas não sabem a importância de Craven, é um dos poucos diretores que conseguem conversar com os jovens em distintas décadas. Seu primeiro filme Aniversário Macabro faz uma releitura em tom de terror do filme Fonte das Donzelas, de Ingmar Bergman. O cineasta consegue levar uma discussão madura em um longa adolescente dos anos 70.

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Duas jovens estão a caminho de um concerto de rock quando são impedidas por uma gangue de psicopatas. Eles cometem atrocidades com as jovens. No mesmo dia, a gangue decide buscar abrigo numa casa. O casal que os recebe coincidentemente são os pais de uma das jovens. Os mesmos descobrem o possível mal que eles fizeram a filha e decidem vingar-se. Afinal, os pais teriam respaldo de matar os assassinos de sua filha? Vingança é a resposta? Um mal se paga com outro? Ver um violentador de sua filha sofrer em suas mãos é a melhor justiça? Não vou responder, mas estes são alguns questionamentos que o espectador pode ter após ver esse filme.

Seja nos 70, 80 ou 90, Wes Craven é o mestre do terror e um porta-voz do cinema adolescente não apenas pelo fato de criar clássicos e de reinventar o gênero ao criar subgêneros, ele é o mestre por ser atemporal. Sua linguagem mudou de acordo com os anos e ele mostrou sua sabedoria ao conseguir dialogar com distintas gerações.

Muito obrigada, Wes Craven.

E tenham bons pesadelos…

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Thais Nepomuceno
Fã efusiva do cineasta Alexander Payne, cultiva um sonho cinematográfico: um dia, John Cusack aparecer na janela de seu quarto, segurando um boombox no alto, tocando "In Your Eyes" (assim como no filme "Say Anything"). Thais Nepomuceno é produtora cultural, com especialização em cinema. Durante um ano estudou produção cinematográfica na ESTC em Lisboa, onde produziu o curta-metragem “Chronos” da diretora portuguesa Joana Peralta. Antes de sua formação no exterior, Thais já havia colaborado em sites de cinema, participado de curadorias em cineclubes e estagiado na TV Brasil. Foi quando dirigiu e produziu o curta-metragem "A View To A Kill - the Director's Cut". O filme já participou de festivais universitários e exibições em cineclubes. Esta pequena produção, com custo zero, feito a partir da colaboração de seus amigos é uma grande brincadeira com os clichês do terror adolescente; auto-definido como freshy trashy movie. Atuou na coordenação de pós-produção da TV Globo e agora está realizando seu mestrado em Formatos e Conteúdos Audiovisuais, na Universitat de Valencia (Espanha). E não fale mal do Leonardo Dicaprio perto dela.

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