Desviando um pouquinho (mas nem tanto) dos trilhos dessa coluna, resolvi falar sobre o que vi e ouvi nessa última semana no Rio Market, evento de seminários e workshops, voltado ao mercado audiovisual e que acontece paralelamente ao Festival do Rio.

Ao final de cinco seminários de diferentes assuntos que assisti, a frase que mais ficou gravada na minha mente é: “precisamos de boas histórias”.

Foram eles:

Desenvolvimento de ideias originais para a TV brasileira: O que o público quer ver?
Aquisições e co-produções: O que querem os canais?
O cinema na América Latina: Cases de sucesso e como o Brasil pode seguir a mesma estratégia
Branding no cinema e na TV: O papel das grandes marcas na produção de filmes e séries nos EUA.
Storytelling na era digital

Quando a fala era dos representantes de conteúdo de diversos canais da TV paga, ouvíamos: “queremos proporcionar boas experiências através de boas histórias”. Quando eram produtoras de conteúdo a frase virava “precisamos apresentar boas histórias aos canais”, e o mesmo se ouvia no discurso de agências de publicidade que atuam com merchandising: “boas histórias”.

É claro que isso tudo vem rodeado de um desejo profundo de inovação e de uma integração mais efetiva com as novas mídias e redes sociais. A corrida do ouro do audiovisual contemporâneo é pela pista do Twitter/Facebook/Instagram/Snapchat.

Apesar de toda essa efervescência, a sede por criatividade precisa ser matada a conta-gotas. “Dois mil e crise”, disse uma das palestrantes. Sim. Em ano de crise tudo parece murchar e o mercado audiovisual já se põe em alerta, mas a verdade é que a crise vem para nos deixar ainda mais criativos na hora de resolver problemas e de escolher meios viáveis de contar nossas (boas) histórias.

Histórias essas que precisam ser cada vez mais universais. Precisamos de mais tramas e personagens que ultrapassem fronteiras para ajudar a construir uma indústria audiovisual brasileira que viaje e ganhe novos públicos.

Novos formatos, novas telas… A era digital é uma realidade conveniente, e que está mudando o jeito de se contar histórias. Agora, cabe à nós, roteiristas, produtores e criativos, identificar esse momento especial do mercado audiovisual brasileiro e ouvir esse chamado desesperado do público e dos meios: “precisamos de boas histórias! ”

Mãos à obra!

P.s: E para quem ainda não assistiu nenhum filme do Festival do Rio ainda dá tempo de ver muita coisa boa. Até dia 14 de outubro! Corre!

Nathália Oliveira
Parte cineasta, parte bailarina e parte roteirista, Nathália Oliveira gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Formada em Cinema pela PUC-Rio, ela trabalha atualmente como redatora publicitária na Rede Telecine e roteirista de projetos independentes. Ao longo de sua formação acadêmica fez curtas universitários e clipes musicais como assistente de direção, assistente de produção, assistente de fotografia, conselheira e animadora de equipe. Trabalhou durante 6 meses como voluntária no projeto social CriAtivos organizando um cineclube para crianças. Isso tudo sem deixar de frequentar as aulas de ballet e jazz. Apaixonada por cinema brasileiro, esta é sua primeira colaboração para um site cultural. Nathália acredita que todo filme merece ser visto e vai tentar te convencer disso.

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