Que semana especial! Ontem foi aniversário do Harry. Mas a comemoração já começou faz tempo aqui no Tag e vai continuar rolando até 7 de agosto!

Falar de Harry Potter do ponto de vista cinematográfico é levantar a velha polêmica da adaptação de um best-seller para o cinema: “está igual ao livro”, “não está igual ao livro”, “o livro é melhor/pior”.
Mas tenho duas notícias para vocês:

  1. Não se pode comparar a experiência de uma obra literária com a de uma obra cinematográfica. São de naturezas diferentes, é impossível.
  2. Isso é tudo o que vou falar sobre adaptação nesse texto. Escolhi falar sobre como Harry Potter e o Cálice de Fogo é o ponto de virada mais importante da saga do menino que sobreviveu (a partir da história contada nos filmes).

 [Alerta Spoiler – não sei se existe alguém que ainda não saiba o que acontece nesse filme, ou nessa série inteira, mas como ser Spoiler hoje em dia dá 15 anos de cadeia sem direito a apelação, prefiro me precaver].

É nesse quarto capítulo que aquilo que era apenas um “fantasma do passado” se torna uma ameaça real. E isso muda tudo. Só pra acrescentar um argumento além-filme nessa minha afirmação, vejamos os livros:

Harry Potter e a Pedra Filosofal – 224 páginas na edição britânica
Harry Potter e a Câmera Secreta – 327 páginas
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban – 317 páginas
Harry Potter e o Cálice de Fogo – 591 páginas!!!
Alguma coisa nova tem aí nessas quase 270 páginas além do padrão…

Lord Voldemort, quantos não estremeceram só de ouvir esse nome? Imagina o sentimento de dar de cara com o dito cujo ressurgido das trevas? E o filme é muito bem-sucedido em jogar as pistas de que isso vai acontecer desde a primeira cena.

O roteiro é rodeado por um véu onírico em que sonho se confunde com lembranças, que se confundem com visões de uma conexão que só vamos descobrir no filme seguinte. Na primeira cena já damos de cara com uma visão em que Voldemort (aqui falaremos seu nome quantas vezes for necessário!) aparece elaborando um plano maligno. Visão essa que logo em seguida se revela ser um sonho de Harry. E então descobrimos que não era apenas um sonho e aquele acontecimento inicial só vai se desencadear na cena do cemitério, lá no final do filme.

E ainda no mesmo filme somos apresentados à penseira de Dumbledore. Fundamental para todo o entendimento de Lord Voldemort e objeto que personifica esse aspecto onírico da história, já que ela não é simplesmente um modo de acessar as memórias e sim uma forma de ter uma nova visão sobre elas.

E por falar em visão, quem poderia ser o novo professor de defesa contra a arte das trevas? Olho-Tonto Moody. O olho mágico do cara faz com que ele enxergue pelas costas! E dá uma olhada na decoração da sala de aula dele: Olhos e lentes por todos os lados!

E quando você acha que tem uma visão correta sobre o cara… BOOM! Ele é só uma obra da saudosa poção polissuco, que conhecemos dois filmes antes. Mais uma ilusão pra você digerir aí.

A verdade é que esse é o filme que concretiza o lado sombrio da história do menino-que-sobreviveu. Até então, a estética vinha numa progressão suave passando de solar para sombria, a trilha de menos tensa até mais tensa e os desafios menos assustadores. Nos primeiros três filmes demorava um pouco mais até o Harry se ver em uma situação realmente perigosa. Nesse, logo nas primeiras cenas ele dá de cara com a marca negra e a partir daí é ladeira abaixo.

De dragão, passando por criaturas aquáticas bizarras até um labirinto mortal. O Torneio Tribruxo daria um filme por si só, assim como a Copa Mundial de Quadribol. São dois eventos grandes e cheios de detalhes interessantes a serem explorados. Talvez essa seja uma pequena falha do filme: muita história para contar em pouco tempo. Mas a melhor das soluções foi feita: esses eventos são plano de fundo para a verdadeira aventura do Harry iniciada no primeiro filme.

No fim das contas, Harry encontra-se com o mal irremediável: Lord Voldemort em carne e osso pronto para terminar o que começou 13 anos antes em Godric’s Hollow. É claro que ele escapa, mas a partir daí, sua aventura muda completamente e tudo a sua volta torna-se cada vez mais sombrio e misterioso.

Em um clima de sonho e terror, Harry Potter e o Cálice de Fogo nos dá o recomeço da saga. O ressurgir do vilão, a grande virada do herói e a certeza de que a batalha final está apenas começando. Ou nas palavras de Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore:


Nathália Oliveira
Parte cineasta, parte bailarina e parte roteirista, Nathália Oliveira gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Formada em Cinema pela PUC-Rio, ela trabalha atualmente como redatora publicitária na Rede Telecine e roteirista de projetos independentes. Ao longo de sua formação acadêmica fez curtas universitários e clipes musicais como assistente de direção, assistente de produção, assistente de fotografia, conselheira e animadora de equipe. Trabalhou durante 6 meses como voluntária no projeto social CriAtivos organizando um cineclube para crianças. Isso tudo sem deixar de frequentar as aulas de ballet e jazz. Apaixonada por cinema brasileiro, esta é sua primeira colaboração para um site cultural. Nathália acredita que todo filme merece ser visto e vai tentar te convencer disso.

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