Lembro quando comecei a usar a internet… tínhamos um IBM 486, 166 megas de processador, CD-ROM, disquete (daquele pequeno né… não faz taaanto tempo assim vai), unidos naquela torre cujo monitor do tamanho de um microondas se também se plugava. Olha aqui o Emilio Surita vendendo esse computador (algo bem diferente do que ele vende hoje rs).

 

Acho que o primeiro provedor lá de casa foi o RJNET, que provia além do acesso, nossa própria conta de email! Uau! Lembro da emoção de enviar um email pela primeira vez. Eu devia ter menos de 10 anos. Escrevi “Oi, tudo bom? Beijos Thiago”, cliquei em enviar e ele foi. E o mais legal: ele chegou! Sim, o destinatário era eu mesmo. Quem mais de 10 anos tinha email no início dos anos 90 e mesmo tendo, para que um garoto dessa idade ia querer se comunicar com o amigo por email??? A rua era bem mais interessante, mas sempre tive meu lado nerd assumido e bem resolvido.

 

Antes nos comunicávamos por cartas e a mensagem da carta era cuidadosamente pensada e estruturada, de forma que você falasse o que precisava e de maneira que se fizesse melhor entender. Se fosse urgente, telegrama curto e direto já que é cobrado por caractere. Depois veio o email. Pulei o morse e outros para ir direto ao assunto.

 

O mundo hoje sofre de obesidade mórbida da caixa de entrada, uma doença digital, moderna, bacteriana-viral, infecciosa, crônica e aguda. Mais de 99,998% dos serviços de email sofrem desse mal, que vinha sendo atribuído às mensagens spam. No entanto, estudos recentes mostram que a maior influência do aumento do tráfego de mensagens está diretamente relacionado à quantidade de trash-information que andamos alimentando nossas caixas. O tema foi abordado em um filme documentário super repercutido na mídia, o Super Size Inbox… papo sério!

 

Claro que isso tem a ver com o barateamento do computador, a melhoria da internet, o celular etc e tal. Mas para mim o disparador mais direto dessa condição foi o advento do sistema de mensagens instantâneas. ICQ, MNS e outros nos acostumaram a falar sem pensar, de forma que uma informação simples fica partida em 30 mensagens. Nem vou comentar os grupos de WhatsApp! Fato é que nos acostumamos a enviar mensagens que não dizem nada ou dizem pela metade, devido a facilidade de redizer, de complementar ou de desdizer. Isso acometeu nossa habilidade de comunicar, surtindo efeitos nos emails e até na comunicação extra virtual.

 

Em algumas épocas foram mais de 60 mensagens por dia só na conta de email do trabalho, se for somar minhas outras contas esse número vira fatorial! A gente precisa muito otimizar nossa comunicação em todas as esferas e no por email também. Andei pensando sobre e isso e tomei uma decisão. Para mim o email não é mais uma ferramenta de comunicação, mas um instrumento de registro de comunicações ocorridas e de acordos realizados. Se for trabalho, trato os assuntos por whats, SMS, ligo, até Facebook. Chegado a uma combinação, entra o email: “Caro fulano, como combinamos…”. E se não consegui falar com o Caro Fulando, novamente entra o email: “Caro Fulando, venho tentando contato sem sucesso…” E por aí vai.

 

Sei que não da para eliminar o email assim de uma hora para outra, estamos viciados. Mas não podemos esquecer de nosso querido McLuhan: “o meio é a mensagem”. Não é somente uma estrada pela qual a mensagem é enviada, mas ele qualifica o tipo e até conteúdo a ser transmitido. Não vou entrar mais na sociologia da comunicação nem às criticas ao McLuhan, deixemos isso para o bar. Mas de fato esse frase nos ajuda a compreender que é importante dividir a comunicação pelos inúmeros meios.

 

Pra fechar, vem o momento tópicos. Eu não gosto, mas vou abrir essa excessão pela promoção da saúde de nossas caixas de entradas! Só alguns toques que podem ajudar:

 

DO’s

  • Escrever bem o assunto, mas de forma concisa. Exemplo: “[projeto X] Orçamento” Além de organizar a conversa facilita a busca pela mensagem no futuro
  • Manter o histórico, respondendo sempre à ultima mensagem do mesmo assunto, quando o conteúdo de sua mensagem for de continuidade.
  • Fazer o backlog de email do mais recente para o mais antigo. Pra evitar o mico de responder algo que já foi respondido e atravessar ainda mais a comunicação

 

DONT’s

  • Dar reply all quando a informação não é relevante para all
  • Fazer do email um chat
  • Cometer erros de português
  • Falar que seu erro de português foi de digitação (pega mal)

 

O tio Gmail ajuda com três funções que, para mim, são essenciais para a vida da minha inbox:

  1. Agrupamento de mensagens: hoje não é mais nenhuma novidade, mas continuo achando fantástico e não saberia viver sem!
  2. Desfazer o envio: sabe o que você lembra o que queria falar depois que desligou o telefone ou o que você queria pegar depois que fechou a porta de casa? É o mesmo sentimento quando você envia o email e lembra que esqueceu de falar algo, copiar alguém ou incluir uma informação. Uma funcionalidade que te da a possibilidade de desfazer o envio durante 10s depois de apertar o send. É genial!
  3. Anexo: Na maioria das vezes que você anexa um arquivo escreve algo como “segue em anexo…”. Essa função mapeia a palavra anexo e se você der o send sem anexar nada ele te pergunta se você não esta esquecendo de anexar o arquivo antes de enviar.

 

Agora para fechar mesmo, notei uma coisa super relevante. Sabemos que a comunicação pela web tem sua própria ortografia, exemplo de quando queremos perguntar para uma pessoa por que ela não esta no mesmo lugar que você: “Cd vc aki?”. Essa escrita nasceu junto com a internet (coisa de 25 anos atrás no caso do Brasil) e já apresenta traços evolutivos! Lembra do “naum”, essa palavra que significava “não”. Então, já caiu em desuso. Graças!

 

Bem, era isso.

 

Inté!

 

PS: Perdoem qualquer erro de digitação cometido

Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

DÊ SUA OPINIÃO