James Franco postou uma foto com cara de bolado. Huffington Post criou um artigo sobre os estágios emocionais de um espectador ao ver a série. Já Forbes, afirma que é a série mais significante de Netflix. Sim, estou falando de um produto Netflix.

Mas o que essa docu-serie tem que deixa as pessoas com raiva?

Making a Murderer é o tipo de série para se ver em maratona. A história é real, contada através de relatos das pessoas envolvidas e arquivos (tanto da mídia quanto do sistema judiciário norteamericano). A trama percorre as investigações do assassinato da jornalista Tereza Halbach no pequeno condado Manitowoc, em Wisconsin.

Antes, precisamos entender quem é o principal suspeito do crime: Steven Avery. Este é um homem criado numa família atípica, com algumas passagens na Polícia (roubos e ameaças) e que está movendo uma ação judicial, onde pede 36 milhões de dólares à polícia local por prendê-lo e mantê-lo por 18 anos preso injustamente por um crime que a própria polícia tinha provas de que ele era inocente. Ou seja, o principal suspeito era um homem que havia acabado de ser libertado da prisão e movia uma ação contra a polícia.

Através de 10 episódios, com mais ou menos 1h02 de duração, vamos conhecendo o passo a passo do crime, da suposta “investigação” e do julgamento. O fator intrigante da docu série, não é apenas o absurdo de todos os acontecimentos e da falha da justiça, mas também como as duas diretoras conseguem criar inúmeros clímax e twists com uma história real. Sem qualquer ficção ou manipulação dos fatos. O que as diretoras fazem é uma aula de roteiro de documentário. Elas não entregam tudo… vão dando as pistas pouco a pouco, e deixam ainda em aberto para os espectadores refletirem o caso em questão.

O que poderia ser uma ótima série ficcional policial é um documentário da vida real, que tem um conteúdo riquíssimo. O primeiro episódio é a apresentação do réu, justamente a libertação de Avery no ano de 2003. As diretoras Moira Demos e Laura Ricciardi conheceram sua história em 2005, quando é condenado pela morte da jornalista Teresa Halbach. Decidem então acompanhar tudo. Não posso dar mais detalhes, pois o que vai te deixar p*** com a série é justamente o que acontece com Steven Avery e sua família.

Durante a minha experiência binge-watching (durou a tarde de um sábado, a madrugada de e a manhã de domingo), eu não tinha ideia de como terminaria e tampouco poderia parar de ver. E o fator surpresa “pra onde vai essa história” a torna ainda mais emocionante. A cada episódio eu tinha angústia, tristeza e muita raiva. É impossível ficar indiferente com esta série, que inclusive está movimentando as redes sociais.

A perspicácia dos advogados de Avery, a maldade do sistema e o sofrimento da família é intercalado com conversas dele dentro do presídio. E aí podemos ver o quanto o ser humano consegue ser forte na pior situação.

Por que estão todos putos com essa série?

Não é porque ela é mal feita, ou pela incapacidade das diretoras em contar uma história. É por conta do capitalismo selvagem que vivemos e como o sistema pode esmagar um indivíduo só para provar que não se aponta as falhas do sistema. Tenho que concordar com a Forbes e acrescentar: uma das melhores séries de 2015.

 No final vocês estarão como James Franco:

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Thais Nepomuceno
Fã efusiva do cineasta Alexander Payne, cultiva um sonho cinematográfico: um dia, John Cusack aparecer na janela de seu quarto, segurando um boombox no alto, tocando "In Your Eyes" (assim como no filme "Say Anything"). Thais Nepomuceno é produtora cultural, com especialização em cinema. Durante um ano estudou produção cinematográfica na ESTC em Lisboa, onde produziu o curta-metragem “Chronos” da diretora portuguesa Joana Peralta. Antes de sua formação no exterior, Thais já havia colaborado em sites de cinema, participado de curadorias em cineclubes e estagiado na TV Brasil. Foi quando dirigiu e produziu o curta-metragem "A View To A Kill - the Director's Cut". O filme já participou de festivais universitários e exibições em cineclubes. Esta pequena produção, com custo zero, feito a partir da colaboração de seus amigos é uma grande brincadeira com os clichês do terror adolescente; auto-definido como freshy trashy movie. Atuou na coordenação de pós-produção da TV Globo e agora está realizando seu mestrado em Formatos e Conteúdos Audiovisuais, na Universitat de Valencia (Espanha). E não fale mal do Leonardo Dicaprio perto dela.

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