‘Cause the players gonna play, play, play, play, play
And the haters gonna hate, hate, hate, hate, hate
Baby, I’m just gonna shake, shake, shake, shake, shake
I shake it off, I shake it off

SWIFT, Taylor

Em 1997, quando as crianças estavam efusivas com o lançamento da nova sensação literária, eu era uma menina de 10 anos fã de Sabrina, Aprendiz de Feiticeira (e de qualquer outra série estrelada pela Melissa Joan Hart). Para ser sincera, eu era viciada em sitcoms e filmes de terror. Apesar de minhas amigas estarem entusiasmadas com o lançamento eu passava longe do bruxinho inglês. Portanto, o texto de hoje será de uma não-fã do HP.

O homenageado é responsável por um dos universos expandidos mais rentáveis e de sucesso. Meus companheiros de site até agora mostraram seus pontos de vistas de acordo com suas colunas no Especial Harry Potter. Hoje, não falarei sobre o filmes, nem sobre o universo criado por J.K. Rowling; meus companheiros já destrincharam bem a linguagem potteriana. E pra início de conversa: não li os livros e não vi todos os filmes. Desculpe, por acabar com suas expectativas.

O que verão hoje é o resultado deste universo expandido no mundo cibernético. Para quem não está familiarizado com a expressão Universo Expandido, esta está relacionada com a narrativa crossmediatransmedia de um produto. A exemplo de Potter, que saiu dos livros e virou uma série de filmes. Assim como tem seu parque temático, revistas, HQs, jogos, etc. Isso é um universo expandido. Podendo ser crossmedia ou transmedia. Em seu lançamento, lembro-me que a internet no Brasil não tinha 1/3 da força que tem atualmente. O que fez com que o consumo dos livros fosse uma experiência completamente diferente das sagas que viriam a seguir.

Com os filmes ampliou-se o universo potteriano e criou-se dois grupos: haters e fandoms. Esses dois fenômenos não é algo exclusivo do HP, mas algo que ganhou muita força com a internet. Com a expansão do universo narrativo e transmidiático o bruxinho se imortalizou.

Se você tem mais de 20 anos, essas expressões podem causar confusões. Estou aqui para resolvê-las.

Hater: uma pessoa que odeia tudo. Principalmente artistas e o faz online. Um hater pode cometer muito cyberbullying.

Fandom: abreviação de fan kingdom. Se você leu os livros de Harry Potter e viu os filmes, você é um fã. Entretanto, se você participa de grupos online, vai aos parques, o defende como uma das melhores coisas da literatura mundial, faz cosplay da Hermione, etc… você é fandom. E cada fandom tem seu próprio nome, no caso do Harry Potter, os potterheads.

FanFiction: esse é um dos mais interessantes. É quando os fandoms criam uma narrativa transmidiática à partir do universo de sua idolatria. A exemplo de HP, muitos fãs têm blogs com quadrinhos ou contos dentro do universo imaginário criado por J.K. Rowling.

O que me chamou a atenção nessa semana, foi aprender mais sobre esse universo através dos textos de meus companheiros de site e também descobrir que dentro dos potterianos há haters. HEHEHE. E não, os inimigos do HP não são Sirius Black nem Lord Voldemort. E sim, os haters e os próprios fandoms. Em uma das nossas conversas via whatsapp, meus companheiros se posicionaram em relação ao HP. Ainda que alguns deles sejam potterianos, não são fãs exatamente do personagem título. Já outros sim. E discutir sobre se o personagem é legal ou não, se é um bom bruxo ou não; é a mesma coisa que discutir se Johnny Depp é um grande ator ou se é repetitivo.

Há diversos pontos de vista, na literatura isso fica mais aberto e cada leitor tem sua experiência com a obra. Com filmes, a coisa se estreita mais. Ainda que muitos fãs da série de livros digam que os filmes não chegam aos pés, acredito na importância deles para desconstruir uma imagem e criar uma nova leitura da obra. A série de filmes é a de maior bilheteria da história do cinema (mais ou menos U$7 bilhões) e abriu espaço para produções de sagas literárias voltadas para o público jovem como Crepúsculo, Jogos Vorazes, Divergente, etc.

E como diria a filósofa contemporânea Taylor Swift, ‘haters gonna hate‘, ou seja, não adianta porque sempre vai ter alguém pra não curtir.

Assinado: Uma quase hater do HP.

Thais Nepomuceno
Fã efusiva do cineasta Alexander Payne, cultiva um sonho cinematográfico: um dia, John Cusack aparecer na janela de seu quarto, segurando um boombox no alto, tocando "In Your Eyes" (assim como no filme "Say Anything"). Thais Nepomuceno é produtora cultural, com especialização em cinema. Durante um ano estudou produção cinematográfica na ESTC em Lisboa, onde produziu o curta-metragem “Chronos” da diretora portuguesa Joana Peralta. Antes de sua formação no exterior, Thais já havia colaborado em sites de cinema, participado de curadorias em cineclubes e estagiado na TV Brasil. Foi quando dirigiu e produziu o curta-metragem "A View To A Kill - the Director's Cut". O filme já participou de festivais universitários e exibições em cineclubes. Esta pequena produção, com custo zero, feito a partir da colaboração de seus amigos é uma grande brincadeira com os clichês do terror adolescente; auto-definido como freshy trashy movie. Atuou na coordenação de pós-produção da TV Globo e agora está realizando seu mestrado em Formatos e Conteúdos Audiovisuais, na Universitat de Valencia (Espanha). E não fale mal do Leonardo Dicaprio perto dela.

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