“… e se perdêssemos a nossa memória, e se por algum momento tudo o que já fizemos fosse esquecido. Se toda a nossa história fosse apagada do planeta e tudo o que alcançamos se perdesse. Esse seria um momento de crise para nós e seríamos arrebatadas com varias dificuldades. Não saberíamos como aprender a fazer coisas básicas, escovar os dentes, beber água em um copo, comer com garfo e faca ou falar. Estaríamos em um caminho de constante busca de algo que não nos pertence mais.

Estaríamos com vontade de olhar no outro aquilo que nos falta.

Destruição estátuas

Fotos do ataque ao Museu da Civilização em Mossul, Iraque.

 

Olharíamos os nossos pais com desdém sem entender por que temos determinado nome ou por que uso roupa. Não saberíamos nada das nossas conquistas e derrotas. Repetiríamos os mesmos erros e retornaríamos a uma era de dúvidas e incertezas onde somente a raiva e a irracionalidade regeria as nossas ações. Nos fecharíamos em pequenos grupos e a lei do mais forte estaria posta. Atacaríamos nossos irmãos, pais, filhos e amigos. Não nos olharíamos como iguais e nos encararíamos como diferentes.

Tempio_di_Poseidone

Templo de Poseidon, Cabo Sunião.

 

Pequenos conflitos estariam sendo feitos, grandes líderes ganhariam destaque e nossas diferenças teriam mais sentido. Mesmo chegando nesse ponto, não saberíamos se estamos fazendo certo ou errado apenas agiríamos contra o que não sabemos.

Quanto menos sabemos sobre o outro mais me destaco dele.

Nossa memória afetiva e compreensão social não nos guiariam e teríamos apatia sobre o sofrimento do outro. A cada confronto sobre aquele que desconheço em minha história mais eu imponho a diferença de ideais. Aprenderíamos tudo de novo e errando do mesmo jeito.

brokenheart

Broken Heart

Sem memória, sem história somos a margem dos erros do passado. Fazemos parte de um constante ciclo de confrontos contra nós mesmos. Nisso, objetos que parecem não ter sentido para nós nos faz lembra de quem realmente somos. Do que podemos fazer parte, em como nos afetamos com a vida e em como nossas diferenças nos fazem iguais ao mesmo tempo. Nos fazem olhar para o outro e perceber que aquele objeto provoca um impacto.

Ver esses objetos deixam algo na memória e por vezes documentam a história. Faz com que não nos esqueçamos quem somos e o que já fizemos. Nos coloca num lugar de excelência a outros seres que não desenvolveram a mesma habilidade que nós. Nos destaca de toda e qualquer criatura pois nos importamos em ficar para a história em marcar a nossa existência nesses objetos. Nos faz aprender sobre algo e nos torna transmissor de conhecimento. Detentores de histórias para serem ditas e transmitidas. Nos permite ter memória e não esquecermos do que somos feito…”

 

– Notícia sobre o Templo de Bel destruído –

Aldene Rocha
Nascido como um artista bastardo e um eterno aprendiz, se formou em belas artes por uma paixão de menino e seguiu levando ela até o além. Desenvolve trabalhos artísticos em diferentes mídias como vídeo, modificações em jogos eletrônicos, fotografias, instalações e intervenções urbanas. Participou de exposições coletivas e foca a sua pesquisa nas novas mídias aliada à teoria do cinema, na fotografia e na arte contemporânea. Mesmo não parecendo, curte uma praia e joga videogame nas horas vagas.

DÊ SUA OPINIÃO