Como se escreve um projeto? Ou melhor, como transformar o que esta na sua cabeça em um projeto e depois em realidade? Sabemos que existem várias formas, basta encontrar a que melhor você se identifica. Umas mais alternativas, outras mais tradicionais, mas todas tem uma coisa em comum: fazer a roda girar. A forma que quero apresentar aqui é uma que tive conhecimento a pouco tempo. Nem preciso dizer que não é uma forma tradicional, mas foi onde encontrei muita identificação pessoal.

Aqui tudo começa com o sonho, o desejo. Todos os projetos partem do sonho de uma pessoa, que se espalha e contamina outras para a realização. O Dragon Dreaming (DD) é uma metodologia vasta, com embasamento em uma teoria que muitos podem considerar uma viagem, mas ele consegue ir da abstração teórica ao ferramental prático. Nele você encontra uma série de formas de colocar essa roda para girar de maneira autogestionada, horizontal, com respeito às pessoas envolvidas e com o planeta.

Ele nasceu na Austrália com base no conhecimento dos aborígenes australianos, dentro da Fundação Gaia, uma instituição focada em sustentabilidade no sentido real da palavra – que se perdeu pelo uso indiscriminado por grandes corporações que de sustentável nada tem além da palavra. Vale gastar um tempo pesquisando as atividades do Gaia e seus 4 estágios para atingimento da sustentabilidade: Social, Ambiente, Econômico e Visão de Mundo.

Por exemplo, Você pode fazer um projeto de um show de varias maneiras. Com as pessoas se matando, virando noites, estressadas e saindo do projeto totalmente esgotadas sem nunca mais querer olhar para sua cara… O show será feito, por que por mais traumático que possa ser o processo, a mágica da produção cultural opera e faz tudo dar certo no final, mas a que custo?

O DD não acredita em relações perde-ganha, quando alguém ganha a partir da perda de outro, ela também acabará perdendo lá na frente. Ele busca estabelecer relações de ganha-ganha e para tanto se baseia em 3 princípios:

  • Crescimento pessoal – compromisso com o crescimento pessoal e empoderamento
  • Construção de comunidade – a contribuição e desenvolvimento das comunidades das quais fazemos parte e da própria comunidade que se cria em torno do projeto
  • Serviço à Terra – melhorando o bem-estar e a prosperidade de toda a vida

Tudo começa com o sonho, com a teoria. No inicio 90% do projeto é teoria e trabalho individual e 10% prática e coletivo. Ao logo do desenvolvimento essa balança vai se invertendo até que o projeto vira 10% teoria e individual e 90% prática e coletivo. Para tirar esse sonho do papel o DD traz 4 etapas básicas: sonhar, planejar, realizar e celebrar. Vale destacar a importância da celebração, para marcar os fechamentos de ciclos.

Isso lembra bastante um PDCA (Plan, Do, Check, Act), mas não é por acaso. O DD se apropria de diversas técnicas da gestão de projetos e as adapta para geração de resultados pessoais e coletivos para além do enriquecimento de acionistas. O grande diferencial dessa metodologia são os princípios.

Deixo Jonh Croft, co-fundador do DD, falar um pouco:

Sonho que se sonha só, é só um sonho. Sonho que se sonha junto, é realidade!

Bora sonhar?

Para saber mais:

Clique aqui, para ler o Guia Prático de Dragon Dreaming

Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

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