Ontem a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil fez seu ultimo ensaio geral no palco do Centreventos Cau Hansen para a estreia da noite. Após dois meses e meio de ensaios, a instituição, que é a única filial do Teatro Bolshoi de Moscou e comemora seus 15 anos em território brasileiro, abriu o 33º Festival de Dança de Joinville e prometeu emocionar o público de aproximadamente três mil pessoas com o balé “O Quebra Nozes”, seu mais novo repertório.

Estive nos bastidores do ensaio e pude observar todo o profissionalismo que os alunos e a Cia Jovem Bolshoi (profissionais formados pela escola) mostraram em palco. Muitos dos alunos se reuniram antes de começar o ensaio e passaram suas partes no repertório, afinal, ter a missão de abrir o maior festival de dança do mundo não deve ser fácil.

O conto natalino remontado pelo bailarino do século XX Vladimir Vasiliev, trás além de inovações tecnológicas a dança contemporânea nas partes em que ratos atacam o soldadinho de chumbo. E por falar em dança contemporânea, Amarildo Cassiano, que leciona na escola desde 2004 como professor de dança contemporânea e composição coreográfica, foi encarregado de montar essa parte que inovou ainda mais o repertório clássico.
Para aqueles que não conseguiram entrar no Centreventos, a apresentação foi transmitida ao vivo através do canal do Youtube e no telão da Feira da Sapatilha. Neste último são transmitidos todos os dias do evento. Já no Youtube você ainda poderá conferir a Noite dos Campeões. Acesse o canal do Festival clicando aqui.

A história de Vladimir Vasiliev para a Escola do Teatro Bolshoi

O balé começa com uma típica festa natalina cheia de convidados na casa dos Stahlbaum, em uma cidade alemã, e conta a história de Marie, que ganha do seu padrinho Drosselmeyer um boneco quebra-nozes em formato de soldadinho. Por ser um grande mestre que faz bonecos maravilhosos, Drosselmeyer é a pessoa mais aguardada pelas crianças durante a festa, pois sempre as presenteia com brinquedos distintos. Nesta grande noite, entre os presentes, há um boneco diferente, um quebra-nozes, que não é bonito como os demais brinquedos e acaba rejeitado pela maioria das crianças, com exceção de Marie. Com pena do boneco, a menina pede ao seu padrinho para ficar com o boneco. Entretanto seu irmão, um menino muito levado e ciumento, percebendo seu encanto para com o boneco, tira-o de suas mãos e o quebra. O padrinho percebe a tristeza da menina e se apressa em consertar o quebra-nozes.

Enquanto todos estão dormindo, Marie, animada com as histórias de seu padrinho, não consegue dormir. Ela levanta e vai até a sala ver como está o quebra-nozes, e a partir daí, a magia toma conta do balé. Aparecem ratos grandes e assustadores, que são comandados pelo rei, e ordena o ataque aos soldadinhos de brinquedo. O quebra-nozes chama os soldadinhos de chumbo e eles partem para uma batalha contra os ratos. Marie intervém na disputa e o jogo vira. Nesse instante o quebra-nozes vira um belo príncipe. Ele agradece Marie por salvá-lo e quebrar o feitiço. Emocionado, diz palavras doces e a chama de “princesa”. Agora ela se sente uma verdadeira princesa. O príncipe convida Marie e seus bonecos favoritos para o seu castelo. Felizes, eles começam uma linda viagem.

Depois de longas aventuras, eles chegam ao reino. Na festa de comemoração o príncipe declara seus sentimentos a Marie, e a pede em casamento. Ela aceita e os enamorados se casam e são cumprimentados pelos convidados. Inesperadamente Marie acorda e, percebendo que tudo não passou de um sonho incrível, olha com carinho para o seu quebra-nozes, relembrando toda a aventura da noite de natal.

Filipe Souza
Filipe Souza, 19 anos, estudou na Escola Municipal de Ballet de Joinville e atualmente está no último ano de Dança Contemporânea na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Além disso, também fez cursos livres e workshops de dança clássica, contemporânea e jazz.

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