Confesso que estava meio perdido sobre o post dessa semana. Foram alguns dias bem intensos esses últimos, mas quem tem amigo tem ideia! Seguindo o conselho da queridíssima Fe, vou falar um pouco sobre parte do que tem rolado. Tenho conversado muito sobre branding, desenvolvimento de identidade visual, marca (etc) e quebrado a cabeça para criar algo que faça sentido para um projeto. Resolvi então trazer para cá algumas impressões e pensamentos sobre esse processo.

 

A questão é sobre passar uma mensagem, e a pergunta numero 1 é: “o que, para quem?” Simples? Imagina… Vou então dividir o pensamento nessas duas esferas, começando com “para quem”. Estamos falando com gente e já viu como o homem é doido? Se estivesse querendo me comunicar com a máquina seria tão mais fácil. Aliais é exatamente o que estou fazendo agora, escrevendo esse post. Há uma interface e um sistema de comunicação entre eu e o computador. Digo, ou melhor digito, “a” e ele entende que é essa letra que tem que aparecer na tela. Simples assim. Mas comunicar com pessoas tem uma diferença clara. Comunicação com pessoas não é sobre o que se fala, mas sobre o que elas entendem. Existe algo de quântico-físico-químico-xamânico que acontece com a mensagem enquanto ela passa da emissão para a recepção, que pode alterar completamente o sentido do que você queria dizer. Os casais de namorados sabem bem o que eu estou falando.

 

Mas como saber o que as pessoas entendem? Entendendo as pessoas. Sendo elas. Vivendo o que elas vivem. Experimentando ser outros. É um negócio de antropologia mesmo, observação participante. E para fazer isso tem que ter bem definido qual o perfil de gente você vai estudar.  Para chegar no “para quem” é preciso ter bem claro o seu “o que”.

 

Mas saber o que se quer é difícil né? Um método que tenho adotado é elencar tudo o que não quero e ver o que sobra. É um exercício de desapego e escolhas diárias, por que a mensagem precisa ser a mais clara e mais direta possível, afinal não é a ultima descoberta do milênio que seu “quem” tem cada vez menos tempo para entender seu “o que”. Por isso a comunicação tem migrado do uso massivo da exposição de marca, para a experiência.

 

Acho que para mim o objetivo segue o mesmo, que é conquistar clientes por meio da empatia e hoje não mais pela identificação visual, mas pela exploração dos outros sentidos como o olfato e o tato. Sobre esse deslocamento podemos comparar os comerciais que marcaram nossa memória com algumas.

 

O que mais gera empatia nas pessoas? Crianças e bichos. Assim fez a Telemar quando virou Oi, colocou um monte de crianças linda dizendo Oi e de cara pelo menos a sua atenção ela já tinha conquistado.

 

14 - Imagem Oi

 

E o IG, lembra? Não? Aquele do cachorrinho branco… Não é atoa que o Skank canta que é improvável, é impossível ver um bichano pelo chão e não sorrir.

 

14 - Imagem iG

 

Mas, para mim, a mestre de todas foi a Parmalat, que uniu essas e colocou crianças vestidas de bichos. Quem não lembra que o Elefante é fan de Parmalat?

 

 

No seriado Mad Man, Don Draper resume bem o que é o advertising que vemos até hoje nas matérias e formas de comunicação das marcas:

 

 

Mas expandindo o conceito da empatia, a Farm tem um case bem interessante. Ela definiu muito bem seu “o que para quem?” E isso se vê refletido tanto no seu produto, quanto na experiência de comprá-lo no blog da empresa e em toda comunicação dela com seu público. Vale uma olhada nessa apresentação sobre o branding da Farm

Isso é o que faz você, pelo menos, prestar mais atenção. Existe um não dito da comunicação que reforça o sentido maior que se quer passar, o DNA da sua marca. É a coerência interna que geram varias camadas de significado que reforçam a essência da mensagem que se quer passar, e isso pode minimizar o abismo entre o que se diz e o que se entende.

Já encerrando o post, pode parecer que ele deveria estar no espaço de Marketing aqui do Tag, mas não vamos esquecer de dois eixos da Gestão que esses são extremamente importantes: Pessoas e Comunicação. Nesse sentido, os projetos e ações culturais geram experiências, que deixam uma mensagem para as pessoas. São histórias que elas irão contar depois.

Já parou para pensar que o que o branding busca hoje esta no core do nosso negócio?

Inté!

Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

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