O Pequeno Príncipe (2015), do diretor Mark Osborne e distribuído pela Paris Filmes no Brasil, só estreia em 20 de agosto nos cinemas, mas conferimos a premiere do filme no domingo (12/07) do Anima Mundi, com uma breve apresentação do próprio diretor. A exibição do filme foi a segunda mundial, logo depois da estreia no Festival de Cannes 2015. Um feito do Anima Mundi que merece ser aplaudido de pé, assim como o filme.

Durante a apresentação inicial, o diretor norte-americano contou sobre sua relação pessoal com o livro e como se deu o processo de criação na sua cabeça, da transformação do livro para as telas. Com seu discurso você percebe que a escolha de Mark Osborne, que também dirigiu Kung Fu Panda (2008) e Bob Esponja: O Filme (2004), não poderia ter sido mais acertada.

De cara fugimos do óbvio, porque você não assistirá as páginas do livro transformadas em desenho animado, como normalmente as adaptações são feitas. Mas a história do livro sendo apresentada pouco a pouco, em um tipo de brincadeira. Mark conta que quis proteger o conto original de Saint-Exupéry, mas se pararmos pra pensar, não é assim que acontece na vida real? Alguém te apresenta O Pequeno Príncipe: a professora da escola quando você é pequeno, os pais que compram de presente pro filho ou a curiosidade quando alguns amigos falam do livro.

O filme conta a história de uma menina que é muito boa em se comportar como adulta e se muda para um novo bairro, junto com sua mãe, para poder entrar na melhor escola da região. Nessa mudança ela conhece seu novo vizinho, um velho aviador que tem uma história interessante para compartilhar com ela, da vez que conheceu um pequeno príncipe. A partir da amizade dos dois é que tudo acontece!

A grande questão era: como transformar um livro que tem significados tão diferentes para tantas pessoas em um filme, sem perder a magia do mesmo. Então Mark contou que quis trabalhar as relações interpessoais no filme, assim como o livro trata de relacionamentos no seu ponto central. É possível ver não só os relacionamentos, mas o contraste entre visão de mundo inocente e simplificada do pequeno príncipe e os aspectos humanos tão adultos como a vaidade e a ganância. A tradução dos aspectos subjetivos do livro é feita de forma sublime.

pequenoprincipe_8A animação é feita em parte por computação gráfica e parte Stop motion, este último representa a parte do livro, das histórias do Pequeno Príncipe, na qual todo o cenário e personagens são feitos em papel. É lindo e quando você descobre que é de papel, o queixo cai! A utilização dessa técnica da a sensação de preservar a história do livro, representa a parte mágica. Já o digital mostra a história exterior, que acontece por conta do livro. Além do contraste entre as duas técnicas utilizadas, temos também outros artifícios para determinar o que é “criança” e o que é “adulto” na parte computadorizada, como as cores e formatos.

A cidade e a casa da menina, que curiosamente não possui nome, são quadradas, em tons de cinza, com os interiores limpos e organizados, enquanto a casa do aviador tem mais cores, contrastes, iluminação e natureza, além de não haver uma preocupação com a organização, o próprio aviador se denomina um “acumulador”. Será que lembra um pouco Up (2009)?

A história em si se desencadeia de forma que vai da magia da descoberta da amizade ao encantamento com o Pequeno Príncipe e termina de forma que emociona à todos, com uma trilha sonora fofíssima. É uma animação para as crianças mais ‘grandinhas’ e adultos. No fim, preparem seus lenços e a vontade de ter uma raposa daquela em casa, porque se você já leu o livro, vai amar. Se você não leu, vai sair do cinema querendo ler.

Juliana Turano
Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Idealizadora e gestora do site TagCultural e projetos derivados, trabalhou como produtora de importantes empresas como Grupo Editorial Record, Espaço Cultural Escola Sesc e Rock in Rio, nas edições de Lisboa 2012 e Brasil 2013. Megalomaníaca, criativa, entusiasta da música e do ballet clássico, não perde um espetáculo de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ou um festival de música legal. Adora viajar e aproveita suas viagens para assistir espetáculos de importantes companhias como do Royal Opera House e New York City Ballet. Também aproveita para comparar o desenvolvimento cultural de outros países com o do Brasil e sonha que seu país se desenvolva mais nesse campo.

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