no.vo
adj (lat novu) 1 Que existe há pouco tempo. 2 Que tem pouco uso. 9 Original. sm 1 O que é recente.

clás.si.co
adj (baixo-lat classicu2 Diz-se da obra ou do autor que é de estilo impecável e constitui modelo digno de imitação. sm 2 Autor de obra literária ou artística digna de ser imitada.

Quando falamos de cinema clássico as pessoas já se remetem à filmes estrelados por Vivien Leigh e em P&B. Podemos citar produções como Citizen Kane (Cidadão Kane) ou Casablanca. É verdade que o cinema clássico é marcado por filmes de distintos países e épocas e o que os tornaram clássicos foram a transgressão e inovação. Há nessas produções alguma coisa que contribuiu para transformar o que chamamos de cinema hoje. Seja na evolução tecnológica, na quebra de narrativa ou na expressão artística.

Hoje em dia, a arte cada vez mais se repete. Hollywood recorre aos remakes de longas consagrados, criando a ideia de que a fonte secou. Entretanto, nas quebradas do cinema há aqueles que estão fazendo o que Charles Chaplin e Godard fizeram ao cinema: criando novos estilos, formas e obras de artes que farão parte de nossa cultura pop (e cotidiano). De alguma forma a ideia de existir um novo clássico nos leva ao contraditório “como pode ser clássico, se é novo?”.

O clássico contemporâneo é aquela produção que, de alguma forma, está mudando nossa maneira de pensar, produzir e consumir cinema. Um fenômeno recente e que conta com uma vasta lista de filmes, sejam blockbusters hollywoodianos ou filmes de autor europeus. Essas produções estão provando que há ainda muito que mudar e adicionar às narrativas cinematográficas. À seguir alguns dos filmes mais importantes das últimas 3 décadas que compõem as enormes listas cinematográficas, notas de rodapés em estudos e bibliografia em teses.

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 Década de 80

Intrépido e divertido, os anos 80 foram os mais alegres e com produções que mudaram a forma de como ver os adolescentes. Graças a John Hughes todos puderam ver os dramas reais dos jovens. O diretor é responsável por grandes clássicos do cinema atual e é referência nos dias de hoje quando falamos em cinema adolescente. A perspectiva do olhar jovem mudou a produção do cinema adolescente, influenciando a década de 90 com suas narrativas. Entre os grandes clássicos: Ferris Bueller’s Day Off ou vulgarmente conhecido como Curtindo A vida Adoidado. A história se passa em Chicago, como os demais filmes do diretor, sendo uma das grandes referências da cidade, por inclusive utilizar as locações reais. Como a escola de Ferris, que é a mesma do longa Breakfast Club (O Clube Dos Cinco). Além disso, o diretor adotou a quebra da quarta parede, onde o personagem principal divide seus pensamentos diretamente com os espectadores e conversa com eles. Uma das coisas que tornam o filme indiscutivelmente um clássico.

Ainda não está convencido do poder deste filme? Responda às seguintes perguntas:

  1. Quando a Rede Globo o reprisa na sessão da tarde você assiste?
  2. Você comprou nas Lojas Americanas o DVD a R$9,99?
  3. Você acredita que a cena musical de Twist And Shout é uma das mais sensacionais do cinema?
  4. Você tem em sua bucket list matar a aula (ou o trabalho) e fazer como Ferris?
  5. Você concorda com todos os pensamentos do personagem?

Se sua resposta foi SIM, você então concorda que Ferris Bueler’s Day Off é um dos grandes novos clássicos.

Década de 90

Se a moda, a música e o life style dos anos 80 foram os grandes culpados em tornar o cinema da década em cultura pop; a inovação e a adaptação foram um dos grandes feitos das principais produções dos anos 90. A década anterior foi repleta de glitter, música, neon e romance. Agora teremos mais tecnologia e, principalmente, filosofia. Entre os grandes longas noventistas temos diversos gêneros e, principalmente, o legado dos anos 80. Contudo, devemos ressaltar que os maiores clássicos dos anos 90 têm: uso de avançada tecnologia, roteiros multiplots, figurinos que ditaram moda e tramas que desafiaram algumas ideologias e a própria história mundial. Poderia falar sobre o cultuado Reservoir Dogs (Cães de Aluguel), de Quentin Tarantino, que já nasceu clássico. Ou sobre o megalomaníaco Titanic, que é sem dúvida um clássico contemporâneo. Todavia, eu gosto de desafios. Escolhi Matrix para representar o novo clássico dos anos 90.

Quer descobrir o mundo real ou ainda acha que Matrix não é um clássico?
Quer descobrir o mundo real ou ainda acha que Matrix não é um clássico?

Matrix foi lançado no final dos anos 90, veio como um furacão. Arrebatou os espectadores e à crítica ao questionar o que é realidade. É sim um novo clássico. Um filme de ação, futurista, high tech e baseado na ideia filosófica do mito da caverna de Platão (clique aqui para conhecer o mito), onde a realidade que a gente vê é questionável. Se você chama Lawrence Fishburn de Morpheus e ainda acha que Matrix não é um novo clássico, você é um poser! Matrix é a obra-prima que define a década de 90. Tecnologia, quotes prontos, atores ressurgindo, dupla de diretores excêntricos, trilha sonora arrebatadora, uma aula de filosofia para iniciantes…. e o que eu posso dizer do slow motion que cativou o mundo? Matrix tem todos os checks para se incluir em uma lista de clássico contemporâneo.

Anos 2000

Os anos 2000 teve de tudo. Filmes que emocionaram, que revolucionaram, que tornaram corações mais apaixonados e que nos fizeram cantar. Acredito que teve um pouco de cada coisa das décadas anteriores, porém o que se evidenciou foi na tentativa (e sucesso) de criar e mesclar gêneros. Alguns dos filmes de mais sucesso têm novidades de tema e narrativas. Como Eternal Sunshine Of A Spotless Mind (Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças), que além do nome imenso, conta com uma trama sci fiction em forma de romance dramático. A década inicial do século 21 trouxe muitos remakes, mas também nos presenteou com os longas mais surpreendentes do cinema, como o politicamente incorreto Match Point (Ponto Final), de Woody Allen; ou os turning points de M. Night Shymalan; thrillers psicológicos e tragédias dramáticas de Darren Aronofsky. Sem dúvida não podemos negar a riqueza na produção de conteúdos e formatos.

Para representar a galera dos anos 2000, eu tinha uma lista de filmes de todos os tipos: independentes, europeus, de autor, blockbusters e ação. Escolhi um musical que representa a volta do gênero e que enraizou na cultura pop o culto aos musicais. Foi logo no comecinho dos anos 2000, que Baz Lurhmann lançou uma das obras mais icônicas da década: Moulin Rouge. O tipo de filme que conquistou os não fãs do gênero, o primeiro musical depois de 23 anos a ser indicado ao Oscar, a produção que reuniu Christina Aguilera e Pink numa mesma música (e revitalizou o hit Lady Marmalade) e que nos deu novas versões às músicas que amamos. Vai dizer que não chorou quando a Satine morreu? Ou que não cantou junto Smells like teen spirit?  Moulin Rouge abriu os olhos do público aos musicais contemporâneos, dando mais visibilidade e espaço. Logo após seu lançamento vieram sucessos como Chicago, Across The Universe (com as músicas dos Beatles) e Nine (baseado no filme 8 1/2 de Fellini). A sequência inicial é uma profusão musical e um espetáculo à parte. Quer queira, quer não queira, o filme está na lista dos mais importantes na história do cinema. E só tem 14 aninhos.

Definitivamente, o cinema não pára. Às vezes achamos que a fonte de ideias secou, porém alguns lançamentos recentes tem perpetualizado o cinema, criando novas formas de contar uma história ou inovando tecnologicamente. É claro que a lista de novos clássicos é extensa, esses são alguns dos filmes que eu acredito que todos conheçam e os referenciam em algum momento de suas vidas. Com um figurino ousado, uma trilha cheia de hits, uma narrativa surpreendente, um formato teatral ou o uso de ícones pop; o cinema pode inovar e criar à partir de pequenas coisas como um local ou um fato histórico. O paradoxo dos novos clássicos se resume à novas produções que nascem já com características de se tornarem clássicos do cinema. São inovadores e impecáveis aos mesmo tempo. Não só Orson Welles inovou, os cineastas contemporâneos o fazem diariamente. Insatisfeito com a seleção? Me conte quais seriam os seus novos clássicos.

Thais Nepomuceno
Fã efusiva do cineasta Alexander Payne, cultiva um sonho cinematográfico: um dia, John Cusack aparecer na janela de seu quarto, segurando um boombox no alto, tocando "In Your Eyes" (assim como no filme "Say Anything"). Thais Nepomuceno é produtora cultural, com especialização em cinema. Durante um ano estudou produção cinematográfica na ESTC em Lisboa, onde produziu o curta-metragem “Chronos” da diretora portuguesa Joana Peralta. Antes de sua formação no exterior, Thais já havia colaborado em sites de cinema, participado de curadorias em cineclubes e estagiado na TV Brasil. Foi quando dirigiu e produziu o curta-metragem "A View To A Kill - the Director's Cut". O filme já participou de festivais universitários e exibições em cineclubes. Esta pequena produção, com custo zero, feito a partir da colaboração de seus amigos é uma grande brincadeira com os clichês do terror adolescente; auto-definido como freshy trashy movie. Atuou na coordenação de pós-produção da TV Globo e agora está realizando seu mestrado em Formatos e Conteúdos Audiovisuais, na Universitat de Valencia (Espanha). E não fale mal do Leonardo Dicaprio perto dela.

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