1- Obra inquestionávelEsse título que parece exagerado ou precipitado refere-se a “Mogli – O Menino Lobo” e acredite, não existe nenhum exagero nessa frase.

Para quem não é fã ou não conhece a animação de 1967 o filme é uma deliciosa surpresa. Para os fãs, é arrebatador, desses que te faz voltar à infância e se sentir acolhido por uma obra que é respeitosa à original e ao mesmo tempo complementar.

A história é a mesma. O menino criado por lobos na selva indiana está ameaçado pelo tigre Shere Khan, que o quer morto a qualquer custo. Diante disso, a alcateia resolve que é hora de Mogli deixar a floresta para viver na aldeia de homens. Contra a sua vontade, o menino é conduzido até a aldeia por seu amigo Bagheera, uma pantera negra. No caminho, eles enfrentam os perigos da selva e encontram outros animais.

Parece simples e trivial, né? Mas a adaptação dirigida por Jon Favreau e escrita por Justin Marks vai fundo nos personagens e no significado da jornada de Mogli.

Quem só conhece a animação, vai descobrir nesse filme a origem do ódio de Share Khan por Mogli, assim como a origem do próprio menino. Como e por que ele foi parar na alcateia.

Isso tudo ao som de ótimas versões das músicas que todo mundo que teve infância conhece e embalado com os fantásticos efeitos especiais dos quais todo mundo está falando.

E são para serem falados mesmo! “Mogli” foi filmado 100% em estúdio. Não há nenhuma única tomada realizada numa selva de verdade. E além disso, claro, todos os animais são fruto de uma computação digital mega avançada e com requintes de perfeição. Ou seja, o pequeno Neel Sethi, que foi escolhido entre mais de 2 mil meninos, trabalhou o tempo todo interpretando sozinho ou com bonecos em um estúdio azul! Veja aqui um trecho do making of produzido pela Disney.

E não é só o trabalho de CGI que deve ser elogiado. A maquiagem realista e detalhista faz toda a diferença. – tudo bem, só tinham um único ator pra maquiar então não deve ter sido tão trabalhoso hehe – mas ainda assim, o fato de ele aparecer cheio de cortes e marcas após ser carregado por macacos ou de correr pela mata é raro de se ver em filmes hollywoodianos. São detalhes que passam despercebidos no set, mas ajudam a compor a realidade para o público.

A dublagem original dos demais personagens também é excelente e fruto de uma escalação precisa. Destaque para Lupita Nyong’o, que dá voz à Raksha, a mãe-loba de Mogli. A doçura e suavidade da voz da atriz fazem você também querer ser filho daquela loba linda!

Mas o que realmente faz “Mogli” ser inesquecível é o roteiro. Uma história que fala de pertencimento, identidade e relação com a natureza, tópicos urgentes na situação atual da humanidade, sem perder a doçura e o respeito à animação de 1967.

Mogli é um humano que pertence à selva. Ele começa o filme querendo ser lobo, passa a querer ser urso (quando encontra Baloo, que nem preciso comentar, né? Deliciosamente dublado por Bill Murray) e no fim, encontra seu lugar e aceita a sua espécie dentro do espaço em que deseja ficar. Ele inicia sua jornada negando sua natureza humana, quando na verdade, só precisa entender como encaixá-la na selva que o criou. E sim, a natureza criou a todos nós e, infelizmente, nos desconectamos dela. Parecemos não pertencer mais a ela e nos sentimos estranhos nesse ambiente que a todos acolhe.

Há espaço para todas as espécies na floresta, basta cada uma delas aceitar e respeitar sua própria natureza. Por isso repito, sem medo de exagerar: “Mogli – O Menino Lobo” é o melhor live-action de um clássico da Disney.

 

Nathália Oliveira
Parte cineasta, parte bailarina e parte roteirista, Nathália Oliveira gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Formada em Cinema pela PUC-Rio, ela trabalha atualmente como redatora publicitária na Rede Telecine e roteirista de projetos independentes. Ao longo de sua formação acadêmica fez curtas universitários e clipes musicais como assistente de direção, assistente de produção, assistente de fotografia, conselheira e animadora de equipe. Trabalhou durante 6 meses como voluntária no projeto social CriAtivos organizando um cineclube para crianças. Isso tudo sem deixar de frequentar as aulas de ballet e jazz. Apaixonada por cinema brasileiro, esta é sua primeira colaboração para um site cultural. Nathália acredita que todo filme merece ser visto e vai tentar te convencer disso.

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