Antes de mais nada, hoje é o meu aniversário (Aê, Parabéns para Mim)! Fiquem tranquilos, não farei um super discurso sobre myself como Kanye West poderia fazer. Esse não é o meu tipo. Para comemorar meus 28 anos (ufa! Sobrevivi aos 27, a idade mortal); decidi escrever sobre um dos meus filmes preferidos, e que, por acaso também está assoprando as velhinhas essa semana. Em 15 de fevereiro de 1985, dois anos e quatro dias antes de minha estreia, chegava aos cinemas The Breakfast Club, dirigido pelo estadunidense John Hughes – conhecido por retratar tão bem a adolescência em pleno anos 80 – ícone do cinema juvenil. Antes de continuar, peço que escute essa canção durante a leitura.

Apresentando o Clube:

thebreak
O Atleta
O Rebelde
O Caso Perdido
O Nerd
A Patricinha

Os 5 esteriótipos de jovens impostos pela sociedade e pela cultura audiovisual. Hughes tinha uma assinatura singular: trabalhava com a mesma equipe, tinha Chicago como cenário, falava das crises existenciais dos jovens… mas o que mais atribuía qualidade e empatia aos seus personagens, era o fato dos atores principais terem idades próximas (ou iguais) aos de seus personagens. Molly Ringwald, por exemplo, tinha a mesma idade de sua personagem em Sixteen Candles. A personagem entrava em crise quando toda sua família esquecia do seu aniversário de 16 anos e lutava contra o seu corpo, que não era desenvolvido como suas amigas de classe, que já tinham corpos esculturais. Molly tinha 16 anos e aparentava tal idade. Assim, as jovens com o mesmo dilema se espalhavam nela.

Anthony Michael Hall, que foi estrela de Weird Science e The Breakfast Club, era um jovem esmirradinho com cara de CDF… e assim, imprimia todos os problemas que um jovem como ele passa em pleno high school. Entretanto, não apenas a empatia com os atores era o fator X de Hughes. Sua simplicidade e autenticidade em retratar os jovens. A simplicidade vem em tramas próximas ao público alvo e sem muita complexidade, como em Ferris Buller’s Day Off (Ou Curtindo A Vida Adoidado), o que Ferris deseja e faz é simplesmente curtir um dia… sem aulas nem nada… apenas sair pelas ruas e curtir, sem planejar, just go with the flow.

O fator autenticidade se vê em como ele narra suas histórias, como em Curtindo a Vida Adoidado, Ferris a todo tempo fala com os espectadores… quebrando a quarta parede e criando um diálogo aberto. É claro que as narrativas mudam assim como os temas, porém todos estão relacionados ao universo juvenil. Em Weird Science, dois estudantes CDFs criam, em uma máquina, a mulher perfeita.

E por que  The Breakfast Club é um dos meus filmes preferidos? E por que depois de 30 anos, ele voltará ao circuito de exibição? E por que ele é referência no cinema adolescente? Para responder vamos à sinopse: 5 jovens de diferentes grupos sociais dentro de uma high school (nerd, patricinha, esportista, rebelde e o caso perdido), que nunca se falaram, são obrigados a passar uma manhã de sábado de castigo na escola, os motivos de cada um são diversos: matança de aula, bullying, vandalismo, tentativa de violência e uma aluna que curte ter detenção. Como exercício do castigo, têm que escrever um texto respondendo à pergunta: quem sou eu e quem é o outro? À partir deste questionamento surge toda a ação do filme. Afinal, quem somos nós? Qual o nosso propósito de vida? A quem queremos agradar? A opinião do outro faz diferença? Como agradar ao outro e ser eu mesmo? É possível ser eu mesmo? E por que eu quero agradar ao próximo?

Durante toda a narrativa eles discutem, tentando descobrir quem são eles e como são vistos pelos demais e se encontram dentro de um mesmo conflito. Desde o tédio até os diálogos existencialistas, que convergem a um mesmo problema: a pressão de ser algo imposto pelos outros. A tentativa de ser algo que estão longe de ser, ou não querem ser, seja para agradar à família ou simplesmente para integrar um grupo social. Dilemas que todos jovens vivenciam. E por Hughes abordar de forma tão sutil e simples algo assustador e recorrente na juventude é algo que o torna genial. Além disso, não podemos esquecer a produção: o longa foi rodado em sequência em uma escola real em Chicago (a mesma de Curtindo a Vida Adoidado).

Em 2009, um grupo de estudantes de cinema realizaram um documentário chamado Don’t you forget about me, retratando justamente os grandes clássicos de Hughes e tentando entender o porquê dele conseguir retratar tão bem a juventude. O grupo entrevista as estrelas dos filmes e críticos de arte, descobre-se curiosidades de direção, como uma cena em que Hughes para conseguir a intenção perfeita de um ator o pede para contar uma piada e no meio da piada o mesmo é interrompido, ou sobre uma das cenas memoráveis ter sido fruto de improvisos. Ou sobre o sucesso musical Don’t you forget about me do Simple Minds, que relutou em gravar a música e tornou-se o grande êxito da banda. Afinal, tem algo mais fofo que o rebelde sem causa festejar ter conquistado a garota dos sonhos?

The Breakfast Clube é para mim o maior referencial de cinema adolescente. Não é a toa que tornou-se um filme cult e é um longa que influencia novas produções audiovisuais. Um jovem de 30 anos, com corpinho de 15. Ao final, a resposta do Clube dos Cinco à pergunta de “quem são eles e o que pensam que seus companheiros são”:

Caro Sr. Vernon, aceitamos o fato de que nós tivemos que sacrificar um sábado inteiro na detenção, pelo que fizemos de errado, mas acho que você está louco por nos fazer escrever um texto dizendo o que nós pensamos de nós mesmos. Você nos enxerga como você deseja nos enxergar… Em termos mais simples e com as definições mais convenientes. Mas o que descobrimos é que cada um de nós é: um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso. Isso responde a sua pergunta?

Sinceramente,

O Clube dos Cinco

 

Don't you forget about Us!
Sejam bem vindos aos 30, estou quase lá!
Thais Nepomuceno
Fã efusiva do cineasta Alexander Payne, cultiva um sonho cinematográfico: um dia, John Cusack aparecer na janela de seu quarto, segurando um boombox no alto, tocando "In Your Eyes" (assim como no filme "Say Anything"). Thais Nepomuceno é produtora cultural, com especialização em cinema. Durante um ano estudou produção cinematográfica na ESTC em Lisboa, onde produziu o curta-metragem “Chronos” da diretora portuguesa Joana Peralta. Antes de sua formação no exterior, Thais já havia colaborado em sites de cinema, participado de curadorias em cineclubes e estagiado na TV Brasil. Foi quando dirigiu e produziu o curta-metragem "A View To A Kill - the Director's Cut". O filme já participou de festivais universitários e exibições em cineclubes. Esta pequena produção, com custo zero, feito a partir da colaboração de seus amigos é uma grande brincadeira com os clichês do terror adolescente; auto-definido como freshy trashy movie. Atuou na coordenação de pós-produção da TV Globo e agora está realizando seu mestrado em Formatos e Conteúdos Audiovisuais, na Universitat de Valencia (Espanha). E não fale mal do Leonardo Dicaprio perto dela.

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