Viajar é bom demais! Conhecer o mundo através do audiovisual é também um prazer. Muitas das vezes o cinema leva para as telas uma cidade, como pano de fundo de sua trama. Às vezes os diretores mostram os clichês, noutras, a essência do local. É muito fácil identificar Paris, Londres, Nova York.

Seja a Manhattan de Woody Allen, ou a Roma de Federico Fellini; inúmeras cidades inspiram histórias. Muitas delas não são como um convite a viajar… mas uma proposta de conhecer a essência dela através de uma narrativa. Para isso, temos muito poucos filmes que conseguem instigar os espectadores a viajar sem vender a cidade como em filmes do tipo Rio Eu Te Amo.

“Eu, Cristiane F.” foi um dos filmes mais impactantes que vi durante a minha adolescência. E o mais mórbido também, hehehe. Na altura, não fazia ideia do que era Berlim, para mim era a cidade onde tinha um muro. Desde então a ideia de Berlim com Cris foi de uma cidade escura, transitória, underground (por vezes trashy) e com uma vida noturna efervescente.

Desde que cheguei a Berlim, estive por diversas ruas, locais e alguns deles do filme. Revi o filme e tive a sensação de que ele fala diretamente da juventude, das ruas e da life style berliner. Ainda que a trama seja do final dos anos 60 e início dos 70 (quando Bowie morava lá e ainda existia o muro), há ainda alguma coisa daquela Berlim. O muro caiu, a Alemanha se unificou e ainda assim conseguimos ver várias cidades dentro de uma mesma cidade. A unificação não foi completa.

Berlim é cheia de vida noturna e muito underground. Parece que aqui é chique ser trash. Tudo é possível na vida berliner. A cidade é mesmo muito escura, mas é contrastada com a efervescência dos jovens e da vontade de se fazer tudo. Berlim é onde tudo pode ser possível.

christiane f

“Fado” foi um dos últimos filmes que vi no cinema. Trata-se de uma produção alemã. A trama trata sobre um médico que vai a Lisboa em busca de se reconciliar com sua namorada. Entre uma ruela em Alfama e um barco no rio Tejo, o fado só fica no nome. O que vemos é uma Lisboa cinzenta e ingrata hehehehe. Ainda que a cidade seja colorida e grata.

Lisboa é a cidade preferida da maioria das pessoas que eu conheço (inclusive a minha). O longa trouxe à tona as ruas escondidas, os hábitos não conhecidos e sua impassividade na trama. Ver a ponte 25 de abril ao fundo, ou ruínas de igrejas em filme, sem que ele faça uma propagando do tipo “Visite Lisboa”; é uma das experiências mais curiosas.

Para quem conhece Lisboa é para matar a saudade.

A quem está planejando viajar, acredito que a melhor maneira é procurar alguns filmes que tenham sido rodados em locais específicos e deixo o link para conhecer os famosos cenários de cinema pelo mundo!!!

Thais Nepomuceno
Fã efusiva do cineasta Alexander Payne, cultiva um sonho cinematográfico: um dia, John Cusack aparecer na janela de seu quarto, segurando um boombox no alto, tocando "In Your Eyes" (assim como no filme "Say Anything"). Thais Nepomuceno é produtora cultural, com especialização em cinema. Durante um ano estudou produção cinematográfica na ESTC em Lisboa, onde produziu o curta-metragem “Chronos” da diretora portuguesa Joana Peralta. Antes de sua formação no exterior, Thais já havia colaborado em sites de cinema, participado de curadorias em cineclubes e estagiado na TV Brasil. Foi quando dirigiu e produziu o curta-metragem "A View To A Kill - the Director's Cut". O filme já participou de festivais universitários e exibições em cineclubes. Esta pequena produção, com custo zero, feito a partir da colaboração de seus amigos é uma grande brincadeira com os clichês do terror adolescente; auto-definido como freshy trashy movie. Atuou na coordenação de pós-produção da TV Globo e agora está realizando seu mestrado em Formatos e Conteúdos Audiovisuais, na Universitat de Valencia (Espanha). E não fale mal do Leonardo Dicaprio perto dela.

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