Quando fizeram essa afirmação ao famoso personagem, não sabiam que talvez não tinha resposta. Charlie Brown ficou triste e como sempre, teve dificuldade de entender o que aquilo dever ser para ele.

No episódio em questão, o Minduim acaba tendo que fazer um trabalho final de arte para conseguir passar de ano. Para ele seria muito difícil, não conseguia entender o que a professora dizia e não compreendia o que a arte queria falar para ele. Durante a história vemos que Charlie Brown se perde ao entrar no museu. Acaba tomando o caminho errado e entra no supermercado ao lado. Mesmo não percebendo a diferença entre os dois espaços, o nosso querido personagem escreve uma redação que traz a percepção sutil que a arte discute a anos, o Tempo.

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Nada mais difícil de ser compreendido do que um conceito efêmero e que não podemos capturar ou recuperar na sua forma inicial. O Tempo se perde de nós toda hora. Nos faz ver que as coisas podem ter um fim e por muitas vezes recomeço. Charlie Brown não se dá conta do que fez ao escrever a redação, mas coloca seu senso crítico em um dos movimentos que questionaram o tempo na sua cultura midiática.

Chamado de Pop Arte, esse movimento fez parte da vontade de ir contra a massificação da imagem, quis romper com os conceitos e práticas clássicas para criar a sua própria. Não se preocupou em criar uma nova poética e levantou ícones da cultura popular em imagens coloridas e sem qualquer intenção de mimetizar o real. A pop, se pegar pelo olhar de Charlie Brown, foi responsável por questionar o tempo que damos as coisas pequenas e banais.

Andy Warhol - Elvis I and II, 1963-64 at Art Gallery of Ontario - Toronto Canada

Andy Warhol – Elvis I e II, 1963-64.

O tempo que gastamos lendo sobre determinada celebridade sem apreender nada. Questionou o nosso estado letárgico nos realities Shows da vida onde perdemos nossas horas sem entender o que estamos vendo. A Pop Arte, levantou ícones mas acabou com outros para nos questionar o tempo das pessoas. Uma imagem repetidas vezes de Elvis Presley é a forma mais comum de percebermos que a história se repete de maneiras diferentes, seja na mídia, nas imagens ou na televisão.

Devemos ter sempre cuidado com o tempo que entregamos a algo. Nem tudo nos traz algo positivo e construtivo. O tempo é constante e pode ser cruel quando não tomamos a decisão certo ou nos deixamos que ele leve a nossa vida para onde achar que deve ir. Antes gastavamos muito tempo para muita coisa, hoje estamos a dois segundos de alguém com apenas um toque nos dedos.

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Salvador Dalí – A Persistência da Memória, 1931.

Cabe a nós percebermos que o tempo quem faz somos nós. E claro, Charlie Brown soube fazer isso plenamente na sua comparação entre o que via no mercado e no que ele entendia sobre o tempo e arte.

Tudo estava conectado de uma maneira crítica e racional. Sua nota tinha sido dez mas ao perceber que o tempo é cíclico, viu que as coisas podem mudar mas ai daremos outro tempo para continuar essa história…

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Aldene Rocha
Nascido como um artista bastardo e um eterno aprendiz, se formou em belas artes por uma paixão de menino e seguiu levando ela até o além. Desenvolve trabalhos artísticos em diferentes mídias como vídeo, modificações em jogos eletrônicos, fotografias, instalações e intervenções urbanas. Participou de exposições coletivas e foca a sua pesquisa nas novas mídias aliada à teoria do cinema, na fotografia e na arte contemporânea. Mesmo não parecendo, curte uma praia e joga videogame nas horas vagas.

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