Pense num número qualquer, pequeno de preferência. Multiplica por 2, com esse resultado, some com 12. Divida o resultado encontrado por 2. Diminua com o numero que pensou no início. Guarde o resultado final, por enquanto.

Essa mágica com os números sempre encantou desde a sua popularização em meados do século XV. Dizem que as primeira mágicas foram feitas no antigo Egito. Nessa história conta-se que um mágico decapitou um pombo e logo em seguida o ressuscitou na frente do Faraó. Ilusão ou não, isso marcou o início de uma história em que a proposta é enganar.

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Os mágicos durante muitos anos foram considerados místicos e pessoas que não eram desse mundo. Suas referências seriam malignas e só faziam essas ilusões por terem ligações com espíritos. Com todo esse misticismo na história da mágica sua vontade de iludir o espectador sempre esteve presente no campo da arte.

Vale lembrar que desviar o olhar do público para um ponto e fazer a mágica em outro é o principal do campo da arte. Um deleite lúdico que mesmo sabendo ser uma obra de arte, encanta por sua perfeição e misticismo. Dentre esses fatores devemos perceber que algumas técnicas auxiliaram os artistas na matéria de enganar o espectador.

Algumas delas vem do Renascimento com a incorporação da perspectiva e do Sfumato.

Pensar em indicar uma profundidade a uma determinada cena faz com que tudo ganhe uma proporção maior e ilusória. A perspectiva criada no Renascimento incorporou elementos arquitetônicos nas telas para iludir mais o espectador. Outro ponto que ajudou na mágica foi o Sfumato, técnica na pintura que cria uma transição de cores através da pressão do pincel. Fazendo um esfumaçado entre as cores e sem deixar rastros da pincelada. Um feito responsável por criar mais tridimensionalidade em retratos e paisagens.

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Outro efeito importante para a ilusão na pintura foi a anamorfose. Nome estranho mas fácil de entender pois, permite a deformação da imagem para convergir reconhecível em determinado ponto da tela. Força o espetador a estar em certo local e fornece uma perspectiva maior na imagem.

Mesmo olhando isso tudo como algo mágico, a perspectiva ou a anamorfose não seriam possíveis sem a matemática e a geometria. Dois campos que auxiliaram a pensar tridimensionalmente na arte.

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Uma união entre a ciência e arte que viabilizou a busca pelo real da imagem, quase como mágica. Sendo mágica ou não devemos perceber que essas técnicas só ajudaram a criar mundos lúdicos através da organização dos números e retas.

Para finalizar a ilusão feita na pintura, nos deparamos com a câmara escura, o “pai” da câmera fotográfica que conhecemos. Esse aparelho foi responsável por propiciar um olhar mais detalhado às luzes e sombras existentes na cena. Se um artista precisava registrar determinado modelo, buscava na câmara escura a transição de cores e sombras. A câmara escura era o melhor meio para tal.

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Com o tempo a sua popularidade cresceu e outros aparelhos que variavam dela foram criadas. História que deixo para depois com mais textos pela frente…

Mesmo agora que você deve estar pensando que sou o Mister M e que te apresentei todos os meios usados para te iludir na arte, deixo você a vontade para olhar mais a fundo. Permita-se olhar com cuidado o que esses artistas buscaram, o entretenimento dos seus olhos. Uma brincadeira sobre como nossos olhos podem ser enganados mas se maravilhar por tal façanha.

E sem mistérios…

P.S.: O resultado final da mágica que te pedi no início é 6.

Aldene Rocha
Nascido como um artista bastardo e um eterno aprendiz, se formou em belas artes por uma paixão de menino e seguiu levando ela até o além. Desenvolve trabalhos artísticos em diferentes mídias como vídeo, modificações em jogos eletrônicos, fotografias, instalações e intervenções urbanas. Participou de exposições coletivas e foca a sua pesquisa nas novas mídias aliada à teoria do cinema, na fotografia e na arte contemporânea. Mesmo não parecendo, curte uma praia e joga videogame nas horas vagas.

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