ACADEMIA ELIZABETH VINADER (PARAGUAI) - "Místico Ritual Samskara". Crédito: Diego Redel - Divulgação / Festival de Dança de Joinville

Muita tecnologia e pouca técnica. Foi o que as companhias da terceira noite de mostra competitiva do 33° Festival de Dança de Joinville, em geral, trouxeram ao público no dia 25 de julho. Para minha felicidade – e que acredito que a do público também – algumas companhias fugiram desta máxima e ainda conseguiram chamar a atenção da plateia. Mas, em comparação com a primeira noite dos gêneros – a primeira noite de mostra competitiva do festival – os grupos desta noite deixaram a desejar.

O primeiro destaque foi para o duo de Danças Populares, categoria sênior, da Cia. De Dança Unesc, de Criciúma (SC). A coreografia “Mi Amado Corazón” trazia uma dança de tango muito envolvente e mais encenada, retratando um casal apaixonado. Os bailarinos Viviane Candolfo e Anderson Cristiano traziam ótima técnica, movimentos precisos e bom domínio de palco. Uma dupla que consegue prender a atenção do público na dança. No final, executaram um salto de ficar “babando”! A Cia. De Dança Unesc conquistou o 3º lugar com esta coreografia.

CIA DE DANÇA UNESC (SC) – “Mi Amado Corazón”. Crédito: Diego Redel – Divulgação / Festival de Dança de Joinville

Já no gênero Balé Neoclássico, conjunto, categoria sênior, dois grupos me chamaram a atenção: Cep em Arte Basileu França e Cia. de Ballet Adriana Assaf. O primeiro grupo, vindo de Goiânia (GO), competiu com a coreografia “Lamentus de um Templo Suspenso” que era ambientada com um cenário que remetia aos vitrais das antigas igrejas católicas. Era um balé com estilo lírico, mas que estava com alguns erros de sincronia entre os bailarinos. Acredito que a entrada dos bailarinos na dança poderia ter sido melhor explorada, pois havia muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e ficava difícil você focar em um movimento sem perder outro. O grande momento foi quando uma das bailarinas que dançava em uma plataforma – e fazia parte de um casal – se joga em direção ao palco e outros bailarinos a amparam. Este trecho, me remeteu ao final da peça “O Lago dos Cisnes” com o ato da morte do cisne. O público foi ao delírio e, com certeza, o movimento foi um grande fator contribuinte para a chuva de aplausos no final da coreografia e para a premiação de 1º lugar no gênero.

CEP EM ARTE BASILEU FRANÇA (GO) – “Lamentus De Um Templo Suspenso”. Crédito: Diego Redel – Divulgação / Festival de Dança de Joinville

O Ballet Adriana Assaf, – vindo de São Paulo, capital – ao contrário do grupo anterior, veio com um corpo de baile imponente e que apresentava ótima sincronia na coreografia “Entrelaços”. Os bailarinos se sobressaiam das bailarinas pois apresentavam uma técnica de não botar defeito. Um dos integrantes do conjunto apresentou uma sequência de piruetas impecável! O ápice da dança foi quando um dos bailarinos veio simulando um mergulho no palco, mostrando um movimento até então improvável de se ver em uma coreografia e que despertou a manifestação do público. A coreografia “Entrelaços” obteve o 3º lugar na categoria.

CIA DE BALLET ADRIANA ASSAF (SP) – "Entrelaços". Crédito: Diego Redel - Divulgação / Festival de Dança de Joinville
CIA DE BALLET ADRIANA ASSAF (SP) – “Entrelaços”. Crédito: Diego Redel – Divulgação / Festival de Dança de Joinville

E por último, no gênero Danças Populares, conjunto sênior, tivemos destaques de vários tipos, sejam eles por técnica ou por uso de tecnologia no palco. O Studio de Dança Fernanda Mansur de Porto Alegre (RS) foi um desses casos com a coreografia “Fabulous Fluor”. Inovou no palco por trazer bailarinas dançando dança do ventre em luz negra e com roupas em neon. Mas, ao mesmo tempo pecou na sincronia dos passos, utilização do palco e musicalidade. Mesmo assim, conseguiu a premiação de 3º lugar no gênero.

STUDIO DE DANÇA FERNANDA MANSUR (RS) – “Fabulous Fluor”. Crédito: Diego Redel – Divulgação / Festival de Dança de Joinville

A Companhia de Dança Liliana Vieira, de Joinville (SC), trouxe uma coreografia vinda direta da Mongólia. A “Força de uma Nação” trazia ótimos desenhos coreográficos e transições com bom alinhamento. Os passos das bailarinas estavam bem limpos e definidos. A identidade da cultura mongólica estava bem apresentada na coreografia seja pela escolha da música, do cenário ou pelo figurino das bailarinas. A “Força de uma Nação” trouxe a Companhia de Dança Liliana Vieira o 2º lugar no ranking.

COMPANHIA DE DANÇA LILIANA VIEIRA (SC) – “Força De Uma Nação”. Crédito: Diego Redel – Divulgação / Festival de Dança de Joinville

E o favorito da noite foi um grupo vindo do Paraguai: Academia Elizabeth Vinader. Eles trouxeram a coreografia intitulada “Místico Ritual Samskara” que retratava vários costumes e povos da cultura da Índia. Teve bailarina voando no palco, casamento e música ao vivo. Uma verdadeira celebração! O grupo levou o público ao ápice da noite dando um show de força e felicidade no palco e essa sensação foi transmitida de maneira imediata a plateia, fazendo com que a terceira noite competitiva do Festival de Dança de Joinville fosse fechada com chave de ouro – e também com medalha de ouro na categoria!

ACADEMIA ELIZABETH VINADER (PARAGUAI) - "Místico Ritual Samskara". Crédito: Diego Redel - Divulgação / Festival de Dança de Joinville
ACADEMIA ELIZABETH VINADER (PARAGUAI) – “Místico Ritual Samskara”. Crédito: Diego Redel – Divulgação / Festival de Dança de Joinville
ACADEMIA ELIZABETH VINADER (PARAGUAI) - "Místico Ritual Samskara". Crédito: Diego Redel - Divulgação / Festival de Dança de Joinville
ACADEMIA ELIZABETH VINADER (PARAGUAI) – “Místico Ritual Samskara”. Crédito: Diego Redel – Divulgação / Festival de Dança de Joinville

 

Confira o resultado da noite:

BALÉ NEOCLÁSSICO – CONJUNTO – SÊNIOR
1° LUGAR: CEP EM ARTE BASILEU FRANÇA (GO) – Lamentus De Um Templo Suspenso
2° LUGAR: BALE DA CIDADE DE SANTOS (SP) – Contraste
3° LUGAR: CIA DE BALLET ADRIANA ASSAF (SP) – Entrelaços

BALÉ NEOCLÁSSICO – DUO – JÚNIOR
2° LUGAR: Ana Letícia Godoy e Denilson Almeida – BALLET “PETITE DANSE” (RJ) – Um Conto Para Dois
3° LUGAR: Luiza Salvador e Maria Eduarda Klein – BALLET MARGÔ BRUSA (RS) – Arlecchinas

BALÉ NEOCLÁSSICO – SOLO FEMININO – SÊNIOR
2° LUGAR: Rayane Guimarães – BALÉ DA ILHA VITÓRIA (ES) – Meu Lugar
3° LUGAR: Thays Golz – GRUPO ROSELI RODRIGUES (SP) – Divergência

BALÉ NEOCLÁSSICO – SOLO MASCULINO – JÚNIOR
2° LUGAR: Henrique Barbosa – BALLET MÔNICA LUIZA (CE) – Fly
3° LUGAR: Vitor Oliveira Pires – ESPAÇO ART’S ERIKA OLIVEIRA E GRUPO JOVEM PAULISTA (SP) – Porteño

DANÇAS POPULARES – CONJUNTO – SÊNIOR
1° LUGAR: ACADEMIA ELIZABETH VINADER (PARAGUAI) – Místico Ritual Samskara
2° LUGAR: COMPANHIA DE DANÇA LILIANA VIEIRA (SC) – Força De Uma Nação
3° LUGAR: STUDIO DE DANÇA FERNANDA MANSUR (RS) – Fabulous Fluor

DANÇAS POPULARES – DUO – SÊNIOR
2° LUGAR: Fernanda Monte e Felipe Mendes – PARIZ ARTE EM DANÇA (SP) – No Resfulego Da Sanfona
3° LUGAR: Viviane Candiotto e Anderson Cristiano – CIA DE DANÇA UNESC (SC) – Mi Amado Corazón

Michelle Braga
Jornalista formada pelo Bom Jesus/IELUSC em Joinville (SC). Especialista em crítica de dança e jornalismo cultural. Foi bailarina de ballet clássico, jazz, danças populares e danças urbanas.

4 COMENTÁRIOS

  1. Boa noite Michelle,
    Muito Obrigado pelos comentários positivos. É sempre muito bom ter nosso trabalho reconhecido por uma especialista na área cultural. Estamos muito felizes com a nossa classificação. Nosso aprendizado está nas experiências compartilhadas.
    Um grande abraço.
    Viviane

  2. Nem sempre agradamos a todos, já éramos vitoriosas por termos passado na seleção dos vídeos.
    Agradeço as críticas mencionadas acima, porque sejam elas boas ou ruins, acabam nos dando um certo destaque, mas acho importante sim os críticos estudarem os instrumentos de percussão da dança do Ventre (um deles é o Derbake) e os movimentos que se utiliza para cada um deles, para descrever melhor a matéria.
    Nossa escola é administrada, por uma bailarina internacional, reconhecida nos emirados árabes e por um músico Libanês com mais de 30 anos de carreira. São eles, mestres que nos ensinam tudo sobre a dança do ventre.
    A única observação que eu acredito ter sido um pouco “infeliz” foi com a frase “Mesmo assim, conseguiu a premiação de 3º lugar no gênero.” Esse tipo de observação faz com que qualquer pessoa sinta seu esforço desvalorizado, parecendo que o que foi apresentado era um lixo. Existem jurados de nomes consagrados, com anos de experiência que mesmo que a coreografia apresentada tenha sido péssima, não se refere desta maneira aos bailarinos.
    Ficamos mais que muito felizes com o 3º lugar (para nós foi como se fosse a copa do mundo) e das observações dos jurados com relação a coreografia.
    Obrigada pela matéria divulgando nosso grupo.

  3. Oi Michelle, tudo bom? Aprecio teu trabalho como crítica de dança, porém gostaria de deixar claro que a música utilizada pelo Studio Fernanda Mansur é um instrumento chamado Derbake. A “musicalidade” ao qual te referistes, se dá a esse tipo de música que utiliza esse instrumento como elemento. Pesquisando melhor sobre a cultura árabe e seus instrumentos tu te capacita para falar da maneira correta sobre a dança do ventre. Além disso, o Derbake é dançado com shimmie, uma técnica onde as bailarinas tremem o quadril, e a coreografia é inteiramente nesse estilo, o que eleva extremamente o nível de dificuldade. Ainda, éramos em seis bailarinas. O palco do festival de Joinville tem 20 metros! A menos que se corresse, literalmente, pelo palco, não seria possível utilizá-lo inteiro e ficariam apenas 6 bailarinas dispersas, “pingadas” e deslocadas pelo palco, não concorda?!
    Ficamos extremamente felizes com o resultado, pois acreditamos na competência dos jurados do maior festival de dança do mundo. Obrigada.

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