Ou “sobre como a lembrança de uma notinha no jornal pode ser fundamental pra um empreendedor”.

Dia desses eu estava vendo a página de memórias do Facebook e apareceu um post do ano passado que mostrava meu projeto na edição online dO Globo Niterói. Uma matéria simples, que listava contas do Instagram sobre a cidade que valia a pena seguir. Era uma listinha de 12 perfis. E o meu projeto estava lá.

Eu nem sabia gerir direito ainda. Não tinha notado que a jornalista tentou entrar em contato pra saber mais sobre o projeto antes de a matéria ir ao ar. Fui avisada por um amigo que meu projeto estava “no jornal”. Era bem no comecinho. Não sabia nem aonde eu queria chegar com aquela continha do Instagram. Não sabia que eu tinha que ficar de olho em tudo ao meu redor porque, em algum momento, meu projeto poderia chamar a atenção de alguém.

Hoje, pouco mais de 356 dias depois de ter saído no jornal, meu projeto já tem bases definidas, objetivos claros e “plano de carreira”. Ele quer crescer.

Mas olhar pra trás naquele dia me fez ver além do print do meu projeto no Globo. Me fez olhar pra todo o fracasso que veio antes (e depois) dele. Me fez olhar pra todos os projetos que eu tinha certeza de que eram geniais, mas não foram pra frente. Me fez olhar pra todas as portas fechadas que me abriram janelas que eu nem saberia que existiam se tivesse entrado por aquelas portas. E aí eu lembrei de todas as vezes que eu pensei em desistir. Se eu tivesse desistido, seria só mais um projeto na pilha dos fracassados. Seria menos uma alma jovem empreendendo no mundo. Seria menos um sonho circulando na atmosfera.

Olhar pra trás me fez perceber que cair faz parte da caminhada pra chegar no topo. Que devagar é melhor que parado. E que um passo de cada vez leva a gente mais longe.

Aquele episódio me ensinou muitas coisas. Entre elas, que eu precisava aprender gestão de mídias sociais, porque eu estava começando um projeto inteiramente virtual e não tinha grana pra pagar um especialista. Pro meu negócio não afundar, eu ia ter que aprender a me virar. Hoje eu ainda não sou especialista em gestão de mídias sociais e também não tenho aquela grana que preciso pra investir em um, mas aprendi tantas coisas sobre o assunto, que consigo dar conta do meu projeto na fase em que está e sei o quanto é importante me atentar ao relacionamento (ainda que virtual) com as pessoas que o acompanham.

Sair no jornal logo de cara me mostrou que eu tinha potencial com aquele projeto. Que ele poderia ir mais longe do que eu tinha imaginado quando decidi que ia começá-lo. E me fez perceber que eu precisava de planejamento, que não era mais uma continha despretensiosa no Instagram. Que meu projetinho, minha ideia, poderia virar um negócio.

Transformar meu rascunho de projeto em negócio me fez ver que eu tinha muita coisa pra aprender ainda. Eu não sabia nada de turismo. Sabia bem pouco de empreendedorismo. Arriscava intuitivamente na gestão de mídia. Fotografava mal. Não lia em inglês. Tinha medo de escrever. Projetos que nos tiram da zona de conforto, além de nos fazer sair do lugar, nos ensinam muito mais.

Relembrar que eu já saí no jornal um dia me deu um gás enorme pra continuar. Porque, você sabe, tem dia que a gente desanima um pouco, que parece que todo esforço é em vão e que a impressão é de que a gente ta andando em círculos. Só que não é bem assim, o caminhar é lento, mas é o movimento que conta, como eu disse aqui no post passado.

Então quando você estiver achando que seu projeto está devagar, faz uma retrospectiva. Escreve (escrever é importante) todas as suas conquistas com esse projeto. Anota todas as mudanças que seu projeto gerou no mundo. Pergunta o que as pessoas acham do seu projeto. Mostra seu projeto pra outras pessoas que ainda não tiveram a chance de conhecê-lo. Pergunta a essas pessoas, também, o que elas acham do seu projeto. E não deixa de comemorar cada vitória, por menor que seja. Cada conquista conta nessa retrospectiva, porque você vai ver o quanto evoluiu desde que começou. E não desiste!

Às vezes a motivação que a gente precisa pra continuar pode partir de dentro.

Renata Coelho Soares de Mello
Produtora cultural. Fotógrafa. Metida a poetisa. Exploradora. Curiosa. Criativa. Renata é daquelas que faz tudoaomesmotempoagora. Uma de suas maiores paixões é cair no mundo. Aproveita suas viagens pra absorver outras culturas e aprender como as pessoas se relacionam com suas cidades. Formada em Produção Cultural pela UFF, atuou em diversos segmentos até descobrir que seu caminho era empreender. Hoje, pós-graduanda em Turismo na UFF (sua segunda casa), está à frente do projeto Explore Niterói e vai compartilhar um pouco das suas pesquisas sobre turismo cultural, cidades e pessoas. Prontos pra fazer as malas?

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