Sean MacEntee

Sabemos que existem alguns tipos de projetos culturais, como de marketing cultural, sociocultural, de política cultural e de espaço cultural (museu, centro cultural etc). São projetos com propósitos diferentes que geram resultados distintos. Nesse post, não vou entrar no mérito do propósito, mas quero focar no resultado, ou melhor, na medição desse resultado. Andei lendo alguns artigos sobre mensuração de impacto em projetos sociais e vejo que podemos absorver algumas práticas metodológicas para o nosso mundo.

Antes disso, um parêntesis. Não importa qual projeto seja, deveríamos, enquanto produtores, gestores e promotores de cultura, ter atenção ao impacto social e ambiental gerados e como pensamos esse impacto. Além disso, até projeto mais voltados para o marketing ou entretenimento podem (e para mim deveriam) almejar resultados sociais e econômicos positivos.

Por exemplo no caso de um festival, precisamos ir além de medir quantas pessoas foram, quanto dinheiro gerou, quantos artistas foram etc. Esse números vazios de significado não dizem nada nem para quem faz, nem para quem patrocina um projeto. Quem são essas pessoas que foram? O que elas acharam do evento? Para onde foi o dinheiro investido? Quando de renda esse dinheiro gerou para quem trabalhou no evento? A marca foi exposta para 500 mil pessoas pode ser tudo para um empresa e nada para outra. Precisamos qualificar a apuração dos resultados, mas isso é preciso definir antes do projeto começar.

Onde o projeto quer chegar?

Traçar metas reais de curto, médio e longo prazo, alinhando suas expectativas e as expectativas dos patrocinadores com o que é realmente possível atingir. Afinal, a empresa tem seus próprios objetivos e interesses ao apoiar o projeto e saber quais são esses é essencial para definir o que medir. Cabe não esquecer das metas internas e de gestão, pois é preciso olhar para dentro do time também. O projeto precisa entregar o que promete, mas também precisa prover um ambiente e relações saudáveis entre as pessoas, o que sabemos não ser a realidade em muitos casos.

O que medir para aferir se chegou lá ou não e por quê?

Definir indicadores de resultado, econômicos, sociais, ambientais serão medidos, para aferir o atendimento das metas estabelecidas. A análise desses dados é fundamental e reportar erros e dificuldades não é ruim, desde que acompanhada por identificação das causas e um plano de melhoria. Erros identificados, mensurados e justificados, viram lições aprendidas.

Como medir?

Vai variar de acordo com o projeto. Pesquisas de satisfação são tão valiosas quanto difíceis de se ter adesão. Mas é possível criar condicionar a resposta do questionário a alguma recompensa, seja um desconto, brinde, sorteio etc. Outra forma é a análise de mídia, mas não sou fã da centimetragem, nem do clipping. Ao menos que haja uma capa com um enorme destaque, o interlocutor na empresa vai passar batido por esse “resultados”. Mais interessante acho que é analisar mais qualitativamente a aparição na mídia, de acordo com o canal que é mais interessante estar presente para o projeto e para o patrocinador.

Como apresentar?

Reports sucintos. Já chegou relatório de mais de 300 páginas, com capa dura em papel couche. Simplesmente não existe tempo para ler tudo e quem faz esse tipo de relatório sabe disso. Por isso a informação relevante que você definiu com o patrocinador lá atrás precisa estar clara e ser facilmente identificada. Infográficos, cores, vídeo, tópico frasal, fonte sem serifa… Vale tudo para deixar o conteúdo o mais atrativo e digerido.

Medição de resultados não é somente uma forma de reportar para o investidor ou patrocinador que seu projeto é o melhor projeto do mundo, mas uma ferramenta de aprendizagem, de ratificação de acertos e retificação de erros. É uma forma de amadurecimento do seu projeto tanto externamente, no que ele pode entregar, quanto internamente, na gestão do trabalho e das pessoas. Esse processo gera informações para tomada de decisão sobre os rumos do projeto.

Esse é um desafio imenso que eu jamais pensei em esgotar aqui no post, mas deixo duas publicações para entrar mais nesse mundo:

A relevância da avaliação para o investimento social privado
O crescente interesse pelo uso estratégico da avaliação de programas e políticas sociais no Brasil tem sido marcado por avanços, mas também por inquietações entre formuladores, gestores e avaliadores sobre suas escolhas metodológicas.

Métricas em negócios de impacto social

O artigo aborda as referências de avaliação presentes no emergente campo dos negócios sociais com ênfase na avaliação de impacto, na descrição dos principais desenhos metodológicos que podem ser utilizados e na exploração das ferramentas centrais existentes.

{ Inté }

Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

DÊ SUA OPINIÃO