Muito se fala em pantomima dentro do campo das artes cênicas. Mas poucos compreendem de fato o seu real significado e desdobramentos. O termo provém de um vocábulo grego que significa “o que tudo imita”. De uma maneira bem simples, a pantomima seria aquele arquétipo gestual encenado, sem o uso de palavras. Ela é a arte de narrar com o corpo através da mímica e é utilizada por comediantes, cômicos, palhaços, atores, bailarinos e todos os intérpretes das artes cênicas.

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Mas a pantomima é uma modalidade cênica à parte, que faz uso de gestos mais diretos e figurativos, se diferenciando da dança, do teatro e da expressão corporal em si, apesar destes também se utilizarem de sua execução, em determinados momentos de encenação mais direta.

Os pantomímicos precisam buscar a forma perfeita, a estética da linha do corpo, o lugar do olhar, o tempo de respiração e a intensidade do movimento, pois através do gesto, e apenas dele,  tudo precisará ser dito.  É uma arte que exige o máximo de precisão do artista, um “timing” perfeito,  para que ele prenda a atenção da plateia e a mensagem seja passada devidamente.

 

A origem desta arte não é bem definida, mas é quase certo que sua primeira semente foi plantada na Grécia Antiga.  Indícios apontam o uso da pantomina, há mais 5 mil anos, nos rituais sagrados dos gregos, sumérios, hindus e egípcios.  Há quem diga que o apogeu da pantomima é mérito dos romanos. Influenciada pela tragédia e comédia, ela se tornou um tipo de arte muito popular em Roma. Na época, o imperador romano Augusto promovia na cidade os festivais pantomímicos, que reunia cerca de 40.000 pessoas no Palácio dos Esportes.

Jean-Gaspard Deburau
Jean-Gaspard Deburau

Depois de uma pausa na evolução da pantomima durante o período da  Inquisição, que proibiu diversas manifestações artísticas, essa arte voltou com tudo na França, com o lendário Jean-Gaspard Deburau.   O público lotava o teatro para assistir as histórias contadas através do corpo sem utilização nenhuma da fala, pelo seu famoso Pierrot.

 

 

Por não utilizar palavras e, portanto,  não exigir traduções nas diversas línguas, a pantomima é uma linguagem universal e de fácil assimilação, podendo ser compreendida por qualquer pessoa, nas mais diversas faixas etárias.  Impossível não lembrar do grande Charles Chaplin, que encantou o mundo com suas representações pantomímicas no cinema: O garoto (1921),  Luzes da Cidade (1931), Tempos Modernos (1936), dentre tantos outros.

 

 

Na linguagem do Ballet Clássico, a pantomima é fundamental.  Para que a narrativa dos ballets de repertório seja contada, os bailarinos precisam recorrer aos gestuais pantomímicos. Expressões como “morte”, “juramento”, “casar” e “ vamos dançar”, têm os seus gestos específicos, que aliados à técnica da dança clássica tornam a obra completa e compreensível para o público.

Assistam a esses dois vídeos explicativos sobre como funciona a arte da pantomima dentro de um ballet de repertório. O primeiro é sobre “Giselle” e o segundo sobre o famoso “Lago dos Cisnes”.

 

 

Seja dentro da dança, do teatro, do cinema ou a pantomima por ela mesma, o que importa é que essa manifestação artística resgata a mágica da imaginação, da compreensão entre os seres,  dos olhos nos olhos, do indizível e de um tempo bem diferente do nosso tempo contemporâneo, agitado e aonde tudo precisa ser dito rapidamente.

Se um dia você esbarrar com um artista em performance pantomímica pelos palcos da vida, não tenha pressa de entender e não tente controlar o ritmo da comunicação.  A graça está em se permitir levar por ele e compreender o que muitas vezes as palavras não dão conta de exprimir. A pantomima tem o seu próprio tempo… um tempo suspenso pela mágica do gesto!

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Liana Vasconcelos
Bailarina formada pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa (Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro) e pela Royal Academy of Dance, de Londres. Conta em seu currículo com diversas premiações em concursos nacionais e internacionais. Ganhou, em 2009, o prêmio de melhor bailarina no Seminário de Dança de Brasília e foi agraciada com uma bolsa de estudos para o Conservatório de Dança de Viena. Pertenceu à Cia. Jovem de Ballet do Rio de Janeiro, São Paulo Companhia de Dança e se apresenta como bailarina convidada em diversos festivais de dança no Brasil. É Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a monografia “Memória da Dança: Importância, Registro, Preservação e Legado”. Fez parte do elenco da novela “Gabriela”, da Rede Globo de televisão como bailarina/atriz. Foi contratada pela São Paulo Companhia de Dança, como Pesquisadora, para elaborar duzentos verbetes relativos à dança no Rio de Janeiro, para a enciclopédia online “Dança em Rede”, criada por esta companhia. É também colunista de dança no Blog Radar da Produção É bailarina-intérprete e produtora, junto ao diretor Thiago Saldanha e a coreógrafa Regina Miranda, do projeto “Corpo da Cidade”, uma experimentação em vídeodança que busca dialogar o corpo dançante da bailarina clássica com as transformações urbanas que a cidade do Rio de Janeiro vem sofrendo. Atualmente, é bailarina contratada do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro É apaixonada pelas artes cênicas, espectadora frequente dos teatros do Rio de Janeiro, ama viajar e vive em eterna dança.

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