A 23ª edição do Anima Mundi está colhendo os bons frutos que o festival ajudou a semear no vasto campo do cinema brasileiro de animação. E a prova disso foi a sessão de pré-estreia do longa-metragem “Nautilus – A primeira aventura de Colombo”, que rolou no dia 13 desse mês.

A animação dirigida por Rodrigo Gava e produzida por Marco Altberg mistura personagens históricos com ficção na aventura do jovem Cristóvão Colombo, que no filme é amigo de Leonardo Da Vinci e Mona Lisa. O ano é 1463, o menino Cris tem apenas 12 anos, mas já sonha em se aventurar pelos sete mares. Seu amigo Leo é um jovem inventor e Lisa é aquela que sempre salva o trio. O pai de Cris está com problemas financeiros e para ajudá-lo, o menino resolve embarcar em busca de uma misteriosa ilha do tesouro, a ilha Hi Brazil. No meio dessa viagem estarão sereias, magos, piratas e cavaleiros templários. Tudo o que uma aventura que se preze precisa ter.

A estética do filme é marcada pela simplicidade de traços e de movimentos, pelas cores claras e predominância de planos abertos. Alguns detalhes nos enquadramentos poderiam ter sido mais bem trabalhados, assim como as transições de cena e passagens de tempo. Mas nada que interfira na imersão do espectador na história.

O argumento do filme existe desde 2006 e a partir daí foram 9 anos e mais de 20 tratamentos de roteiro para que ele chegasse às telonas.

Uma das etapas desse longo processo foi captar as vozes e a interpretação dos atores antes de desenhar as cenas propriamente ditas. A atriz Isabelle Drummond e o ator José Wilker (em um de seus últimos trabalhos) emprestaram suas vozes para os dois personagens, digamos, mais místicos da trama. Ela é uma jovem sereia e ele um cavaleiro templário, o Conde de San Germain.

Por falar em atores, um grande acerto do longa foi a escolha das vozes e o trabalho de direção de dublagem, assinada por Maíra Góes. Todos os personagens são impecavelmente interpretados, inclusive as crianças, que passaram por uma imersão no mundo de Nautilus através de jogos lúdicos e muita preparação.

          

Mais felizes que as crianças da tela, certamente eram as crianças da sala escura. A garotada ria das trapalhadas do pirata louco, das respostas afiadas da jovem Lisa e do humor leve que o filme traz na sutileza de tempo das piadas e nas nuances das vozes. Esse é o verdadeiro controle de qualidade de uma animação como essa. Crianças de 7 a 13 anos completamente entretidas durante 1 hora 24 minutos. Em tempos de aparelhos interativos e distrações de todo o tipo, essa é de fato uma conquista louvável.

E é uma conquista não só do “Nautilus”, mas também do festival Anima Mundi, que ao longo dessas 23 edições só fez valorizar e dar visibilidade às animações e, principalmente, ao cinema brasileiro de animação. Cinema esse que, todos sabemos, não recebe o devido investimento e a devida credibilidade, mas está correndo por fora e alcançando reconhecimento internacional.

E é por isso que a premissa dessa crítica se comprova verdadeira: lugar de criança é no cinema e lugar de animação brasileira também!

Nathália Oliveira
Parte cineasta, parte bailarina e parte roteirista, Nathália Oliveira gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Formada em Cinema pela PUC-Rio, ela trabalha atualmente como redatora publicitária na Rede Telecine e roteirista de projetos independentes. Ao longo de sua formação acadêmica fez curtas universitários e clipes musicais como assistente de direção, assistente de produção, assistente de fotografia, conselheira e animadora de equipe. Trabalhou durante 6 meses como voluntária no projeto social CriAtivos organizando um cineclube para crianças. Isso tudo sem deixar de frequentar as aulas de ballet e jazz. Apaixonada por cinema brasileiro, esta é sua primeira colaboração para um site cultural. Nathália acredita que todo filme merece ser visto e vai tentar te convencer disso.

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