Entre na empresa que você trabalha, escolha o primeiro colega que você encontrar e pergunte: qual a condição de trabalho ideal para você? Qual sua ambição profissional? Arrisco-me a dizer que no mínimo 95% dos futuros entrevistados irão responder alguma variante de “uma empresa justa, onde reconheçam meu trabalho” e “gostaria de ser promovido/um aumento de salário”. Nas duas condições estamos falando da mesma questão: valorização do trabalho; reconhecimento pelos esforços aplicados; uma recompensa subjetiva para satisfazer o ego.

Ego, não o do Freud, mas por definição é o “Conceito que o indivíduo tem de si mesmo”. Podemos dizer então que, o reconhecimento profissional é uma afirmação da sociedade para o sujeito que ele é quem ele acredita ser. Uma ratificação de que “Parabéns, você está no caminho certo!”. São como os aplausos no final do espetáculo.

No mundo corporativo o uso de premiações para incentivar e motivar equipes é amplamente utilizado, desde premiações em dinheiro, com bônus salariais ou até viagens e produtos, e o famoso “funcionário do mês”. A importância desse tipo de ação não é o prêmio físico, o extra no final e sim a valorização do intangível, do esforço, através da foto na parede, o nome no troféu ou um certificado no envelope na mesa do escritório.

Traduzindo isso para o lado cultural, os Estados Unidos conseguem aproveitar isso muito bem: Oscar, Tony Awards, Grammy, Golden Globe, MTV Video Music Award, People’s Choice Awards e Pulitzer Prize são apenas alguns dos muitos exemplos que permeiam a cultura. Tendo as vezes até uma comissão de premiações como a New York film Society Awards ou a The Broadway League. Já no Brasil, Liana nos contou semana passada do Festival de Dança de Joinville e neste último domingo terminou o Anima Mundi.

Os Awards além de incentivarem a maior produção nas suas áreas (satisfazem o critério do reconhecimento e criam o desejo de outros também serem valorizados), transferem status para as produções premiadas, agregando valor e gerando benefícios como, maior visibilidade na mídia, mais público interessado, destaque para os atores e profissionais envolvidos e que, consequentemente, pode ser revertido em uma cobrança maior no preço dos ingressos, por exemplo. A peça The Book of Mormon na Broadway é a que possui a bilheteria mais cara, a quantidade de prêmios? 9 Tony Awards devidamente anunciados em destaque no site e em todo o material de propaganda. Se você tivesse um convite grátis para assistir qualquer peça da Broadway, assistiria aquela com 9 premiações ou a outra que está há um ano em cartaz é muito boa, mas não tem nenhuma indicação ao Tony Awards?

Ganhar uma estatueta do Tony Awards significa que eu ganhei um selo de “eu recomendo”, “assistam”. Não parece que seu amigo disse pra você “vai lá assistir que é muito bom”?

Abre parênteses. Quando falamos em transferência de status e agregar valor, podemos relacionar com o que já foi dito anteriormente da relação entre patrocinador e patrocinado e suas associações, de trazer as características de um para outro. Fecha parênteses.

 

Com relação aos eventos de premiação, a festa por si só movimenta não apenas aquele segmento, mas todo o setor cultural, gerando mídia e atraindo atenção para o que está sendo produzido na área, seja no cinema, no teatro ou na televisão. Quantas vezes nos pegamos querendo saber quem ganhou o Oscar de melhor filme ou conferindo as músicas daquele prêmio para saber se eram boas? E qual brasileiro não se orgulha de dizer que Central do Brasil e Cidade de Deus foram indicados ao Oscar? E olha que só foram indicados, imagina se tivessem ganhado. Tem também o coitado do Leonardo Dicaprio que após 14 indicações ainda não levou sua estatueta para casa.

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Porém, um questionamento a ser feito é: o que gera credibilidade para uma premiação? Ganhar um prêmio da melhor redação da escola é a mesma coisa que um prêmio da Academia Brasileira de Letras? Definitivamente não. Pensando basicamente podemos encontrar alguns motivos primordiais como: (1) a imparcialidade e seriedade da instituição que se propõe a fazer a premiação, definindo regas e critérios de forma clara, que não gere dúvidas para os concorrentes; (2) a continuidade e regularidade das premiações, um evento que ocorre uma vez ou sem frequência definida é diferente de um que ocorre todo ano a 10 anos; e (3) o perfil profissional da comissão julgadora, ser avaliado por pessoas que entendem do assunto e podem tratar dos itens a serem julgados com propriedade.

Juliana Turano
Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Idealizadora e gestora do site TagCultural e projetos derivados, trabalhou como produtora de importantes empresas como Grupo Editorial Record, Espaço Cultural Escola Sesc e Rock in Rio, nas edições de Lisboa 2012 e Brasil 2013. Megalomaníaca, criativa, entusiasta da música e do ballet clássico, não perde um espetáculo de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ou um festival de música legal. Adora viajar e aproveita suas viagens para assistir espetáculos de importantes companhias como do Royal Opera House e New York City Ballet. Também aproveita para comparar o desenvolvimento cultural de outros países com o do Brasil e sonha que seu país se desenvolva mais nesse campo.

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