Passando em frente do auditório localizado no prédio anexo do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ), chamado de Teatro B, os atuais diretores da Fundação TMRJ, João Guilherme Ripper e André Cardoso, tiveram uma ideia. Por que não nomear aquele espaço em homenagem a alguém que tenha contribuído de forma efetiva na história desta instituição? Assim, além do espaço ganhar uma identidade e deixar de ser apenas um “teatro B”, uma personalidade artística do Teatro seria imortalizada com o seu nome ali.

O homenageado, então, é Mário Tavares, que foi o Regente Titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal que atuou por mais tempo neste cargo, entre os anos de 1960 e 1998. Este espaço com 159 lugares foi rebatizado com o nome do compositor e maestro, conforme Portaria FTM/RJ nº 270, publicada no Diário Oficial do Estado do Rio em 08 de dezembro de 2015.

 

Mário Tavares
Mário Tavares

Mário Tavares iniciou os estudos musicais através do violoncelo, estudando com Tommaso Babini. Foi violoncelista da Orquestra Sinfônica do Recife e, a partir de 1947, da Orquestra Sinfônica Brasileira. No Rio de Janeiro, estudou na Escola Nacional de Música, sendo discípulo de Francisco Mignone. Como maestro convidado, regeu as principais orquestras brasileiras e ainda a Beethovenhalle Orchester, de Bonn na Alemanha, e orquestras nos Estados Unidos, Portugal, Porto Rico, Chile, Colômbia, Peru, Romênia e Bulgária.

Durante dezesseis anos foi regente oficial das edições do Festival Internacional Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Paralelamente, atuou como principal maestro dos Festivais da Canção Popular, entre 1967 e 1975, na Rede Globo, onde foi regente da orquestra da emissora. Foi um dos principais intérpretes das obras de Villa Lobos. Ele afirmava que para ele não existiam fronteiras entre os sons clássicos e os populares: “Música boa é música bem feita”, dizia.

No dia 9 de dezembro, às 19 horas, a sala foi inaugurada. Na cerimônia, João Guilherme Ripper, que é o sucessor deste maestro na Cadeira nº 30 da Academia Brasileira de Música, fez uma breve explanação sobre as atividades artísticas da Sala e presenteou a viúva do maestro e compositor, Gláucia Tavares, com uma réplica da Portaria nº 270, marcando a data.

Em seguida, André Cardoso, apresentou aos presentes uma breve biografia do homenageado, com projeções de fotografias históricas e anunciou as atrações do pequeno concerto de câmara com a execução de quatro composições de Mário Tavares, que faleceu em 2003.

A soprano Flávia Fernandes e a pianista Priscila Bonfim apresentaram Duas Canções – O Beija-Flor e Estrela de Espumas. Depois, Priscila Bonfim e o violoncelista Marcelo Salles executaram Improviso para Violoncelo e Piano. A apresentação foi encerrada pelo Trio Capitu, com Sofia Ceccato (flauta), Janaína Perotto (oboé) e Débora Nascimento (fagote), que tocaram os Movimentos II e III da composição Trio em Forma de Choro.

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Flávia Fernandes e Priscila Bonfim
Marcelo Salles e Priscila Bonfim
Marcelo Salles e Priscila Bonfim
Trio Capitu
Trio Capitu

Para finalizar a solenidade, dona Gláucia Tavares descerrou a placa com o nome da Sala, com as presenças de familiares de Mário Tavares. Estiveram ali os filhos Jorge Tavares e Marina Tapiero, o sobrinho Gustavo e os netos Bruno e Maria Eduarda. Um coquetel foi servido aos convidados ao final, para celebrar a data.

Dona Gláucia Tavares com o Trio Capitu
Dona Gláucia Tavares com o Trio Capitu

E assim, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro oficializa mais um espaço em sua infraestrutura para movimentar a arte carioca!

 

 

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Liana Vasconcelos
Bailarina formada pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa (Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro) e pela Royal Academy of Dance, de Londres. Conta em seu currículo com diversas premiações em concursos nacionais e internacionais. Ganhou, em 2009, o prêmio de melhor bailarina no Seminário de Dança de Brasília e foi agraciada com uma bolsa de estudos para o Conservatório de Dança de Viena. Pertenceu à Cia. Jovem de Ballet do Rio de Janeiro, São Paulo Companhia de Dança e se apresenta como bailarina convidada em diversos festivais de dança no Brasil. É Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a monografia “Memória da Dança: Importância, Registro, Preservação e Legado”. Fez parte do elenco da novela “Gabriela”, da Rede Globo de televisão como bailarina/atriz. Foi contratada pela São Paulo Companhia de Dança, como Pesquisadora, para elaborar duzentos verbetes relativos à dança no Rio de Janeiro, para a enciclopédia online “Dança em Rede”, criada por esta companhia. É também colunista de dança no Blog Radar da Produção É bailarina-intérprete e produtora, junto ao diretor Thiago Saldanha e a coreógrafa Regina Miranda, do projeto “Corpo da Cidade”, uma experimentação em vídeodança que busca dialogar o corpo dançante da bailarina clássica com as transformações urbanas que a cidade do Rio de Janeiro vem sofrendo. Atualmente, é bailarina contratada do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro É apaixonada pelas artes cênicas, espectadora frequente dos teatros do Rio de Janeiro, ama viajar e vive em eterna dança.

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