Mais um ícone POP que o cinema nos presenteou e que faz parte de nossa cultura atualmente. Já falamos de uma maleta e um tapete, hoje falaremos da Lista. Do que se trata essa lista? Esses ícones já não são uma lista? Exatamente por isso essa lista tem que fazer parte dos ícones POP. O filme é High Fidelity, dirigido por Stephen Frears.

A história é simples, um homem leva o pé na bunda da namorada. À partir desse acontecimento decide listar os 5 maiores términos de sua vida, enquanto tem que lidar com sua rotina de dono de loja de LPs. Uma história boba? Já viu algum filme com essa sinopse? High Fidelity tem adicionado muitas coisas boas na nossa cultura e consumo. Começando por sua origem, o longa é uma adaptação de um livro!

Vamos então descobrir o porquê desta lista ser um ícone da cultura pop.

Episódio de hoje:

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1. O primeiro “porque sim” dessa lista como ícone pop é: High Fidelity é uma adaptação do romance, de mesmo nome, de Nick Hornby. Com algumas singelas mudanças, como o sobrenome do protagonista e a localização (no livro a história se passa em Londres; no filme, em Chicago). Porém, isso não torna o filme desmerecedor nem empobrece a obra. Pelo contrário. Esta é uma das poucas adaptações de livros que são tão boas quanto a obra original. É claro que a experiência literária terá um sabor diferente, mas a produção cinematográfica deu imagem que os leitores sentiam falta. Muitos jornalistas e críticos quando falam sobre Hornby sempre citam ambas as obras juntas. Sem tirar o valor artístico da obra cinematográfica. Além disso, muitas pessoas recorreram ao livro depois de verem o filme.

2. A trama aborda a crise existencial de um homem em seus trinta anos tentando lidar consigo mesmo, enquanto não consegue dar uma estabilidade amorosa a sua namorada. Uma das poucas comédias românticas masculinas que valem a pena. Nada de Jennifer Aniston em busca de um amor, nem de Gerard Butler ou Matthew McConaughey em argumentos misóginos. Aqui vemos as fraquezas de um homem, inseguranças, dúvidas e erros. John Cusack é o ator perfeito para imprimir toda a fragilidade masculina.

3. Uma das mudanças que tornaram o filme tão importante quanto o livro é a referência musical. Enquanto no livro, as músicas citadas são mais B-sides e de artistas mais conhecidos na Europa; o longa cita desde Nirvana até Marvin Gaye. Isso traz a história e a empatia mais próxima dos espectadores. Esse é um dos poucos filmes, que não é um musical, onde a trilha faz parte da história, o tornando um filme musicado. As canções compõem a narrativa e dialoga com o drama de Rob. Há cenas impagáveis como Jack Black cantando Let’s Get It On, ou Rob vibrando ao som de We Are The Champions, depois de descobrir que a ex-namorada ainda não transou com seu atual.

4. O autor do livro original ganhou mais notoriedade à partir do filme. Duas outras obras ganharam suas versões cinematográficas como About A Boy que estreou dois anos depois de High Fidelity. Assim, o autor virou um roteirista de produções de sucesso, como o recente Wild e An Education. Logo, ganhamos um roteirista.

5. Atualmente, tudo se faz em lista. Enumeramos tudo. Muitos sites têm seu conteúdo à partir de listas. Renata, nossa colunista de empreendedorismo, é viciada em listas. E sabe o porquê disso? Por culpa de High Fidelity. Paralelo à sua lista de ex-namoradas que partiram seu coração, Rob e seus funcionários estão sempre a criar listas musicais. E das boas. Tem listas dos melhores hits até de melhores músicas sobre a morte. Listar coisas não é algo novo, mas a nomenclatura Top 5 ganhou força com o livro/filme. Se você quer aprender sobre música ou ver discussões  sobre música – mais calorosas que as do Facebook nos tempos de eleição presidencial -, esse longa vai te dar aulas de cultura pop.

High Fidelity é uma obra importante para o cinema e para a literatura. Considerado pela revista Empire como um dos 500 filmes mais importantes de todos os tempos que influenciou nossa cultura e nosso consumo. Seja em nossos Top Fives diários ou na ascensão de um escritor. Além disso, Hornby explicita centenas de falhas de caráter de seu personagem principal e faz de sua namorada “muita coisa pro seu caminhãozinho”. O longa é tão importante quanto o livro ao redesenhar a mesma história e criando relação entre a ação e a trilha sonora, além de mostrar a vida ordinária de um dono de loja de discos. E deixo um dever de casa, que tal listar seu Top 5 músicas de minha vida?

E no próximo episódio:

 2 irmãos e uma Coroa

Thais Nepomuceno
Fã efusiva do cineasta Alexander Payne, cultiva um sonho cinematográfico: um dia, John Cusack aparecer na janela de seu quarto, segurando um boombox no alto, tocando "In Your Eyes" (assim como no filme "Say Anything"). Thais Nepomuceno é produtora cultural, com especialização em cinema. Durante um ano estudou produção cinematográfica na ESTC em Lisboa, onde produziu o curta-metragem “Chronos” da diretora portuguesa Joana Peralta. Antes de sua formação no exterior, Thais já havia colaborado em sites de cinema, participado de curadorias em cineclubes e estagiado na TV Brasil. Foi quando dirigiu e produziu o curta-metragem "A View To A Kill - the Director's Cut". O filme já participou de festivais universitários e exibições em cineclubes. Esta pequena produção, com custo zero, feito a partir da colaboração de seus amigos é uma grande brincadeira com os clichês do terror adolescente; auto-definido como freshy trashy movie. Atuou na coordenação de pós-produção da TV Globo e agora está realizando seu mestrado em Formatos e Conteúdos Audiovisuais, na Universitat de Valencia (Espanha). E não fale mal do Leonardo Dicaprio perto dela.

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