Geolocalização histórica é uma atividade que gosto de praticar de tempos em tempos. Se trata de se  localizar no período histórico que você está vivendo por meio de três ações:

  1. olhar para antes
  2. olhar para o agora
  3. pensar sobre como o depois esta sendo construído

Isso é para mim um exercício de vida, mas vejo que a capacidade dar um passo atrás e fazer uma conexão lógica entre os pontos é uma competência necessária para um gestor. Nós que trabalhamos com cultura, gestão, produção e arte, levantamos questões, tocamos em pontos críticos, evidenciamos situações e, para mim, entender o contexto é mais do que necessário para fazer uma boa gestão.

Que vivemos numa revolução digital não é novidade para ninguém, mas o que acho mais interessante é olhar para esse movimento pelo aspecto cultural/antropológico. Muito legal saber qual a nova tecnologia lançada, mas o efeito dessas tecnologias na vida do homem é incrível! Sem juízo de valor, o que vale para mim é ter a consciência do que esta acontecendo e traçar minha postura a partir disso, ou seja, assumir um comportamento pró-ativo e não reativo.

O que isso tem a ver com gestão cultural?! Tudo. Como agir no hoje sem entender o que é o hoje? Como empreender com uma noção de trabalho e negócio que esta sendo construída para o amanhã? Na minha visão, o gestor precisa ver o todo, o antes e o durante, para projetar o depois e se preparar para ele. Planos A, B, C e por aí vai.

Finda a introdução, vamos ao tema. Pessoas! Dos 9 eixos da gestão, esse é um dos meus preferidos, se não o mais preferido mesmo. A questão que quero trazer aqui é sobre que pessoas o mundo de hoje esta produzindo? Ou a pergunta seria quais pessoas estão produzindo o mundo de hoje? Questão de ovo e galinha…

Essa semana li um post ótimo sobre a infelicidade da Geração Y no trabalho. Levanta uma questão muito boa a respeito das relações de trabalho, sobre felicidade, realidade e expectativa. Comecei a escrever um comentário e resolvi fazer esse post. Se tiverem oportunidade leiam o post e os comentários, as opiniões são ótimas para a construção da sua própria visão.

Primeiro, vamos lá, que raio é Geração Y?! Infografic-addicted que sou, aqui vai

Voltando ao post, ele trata da felicidade como uma diferença entre expectativa e realidade. Nele é abordado que essa a Geração Y sofreu um processo de ilusão gerado pelos pais sobre sua própria capacidade e por isso pensam que são capazes de tudo. Quando entram no mercado de trabalho, lidam com uma realidade e uma velocidade diferente da que lhes transmitidas, gerando assim infelicidade.

Não acho que a nova geração vai se adaptar ao trabalho, mas que ela vai criar novas (des)estruturas de trabalho. Do que tenho visto dos jovens de hoje, deixando a questão freudiana de lado e me geolocalizando historicamente, imagino que não seja a soberba gerada por mimo dos pais que provoque a infelicidade tratada no post, mas uma inadaptação às estruturas profissionais que são dominantes hoje.

Imagino que o jovem hoje não esteja infeliz no emprego, mas infeliz com o idéia de emprego. Lembrando aqui da necessária distinção entre emprego de trabalho. Acho que o conceito de trabalho tem ganhado outras denotações que extrapolam a noção de emprego, na qual todo emprego pode ser um trabalho, mas nem todo trabalho é um emprego.

Nenhuma novidade que o mundo está mudando, né?! Mas cabe a nós entender esse processo e o video abaixo ajuda um pouco a ver essas mudanças pela ótica das gerações:

São as novas gerações que geram ações transformadoras de mundo. Como diz no vídeo, podemos entender e tomar parte ou confortavelmente sentar, acompanhar (e ser engolido).

Entender a evolução do mundo é uma busca que pode nos manter jovens para sempre.

Geolocalização histórica! Fica a dica.

Inté

PS:

Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

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