A função dos jovens sempre foi de vanguarda, de ditar novas regras, de transformar a sociedade, tirar as pessoas que se acostumaram com o mundo do conforto, mudar padrões. A cada nova era os jovens trabalhadores foram definidos por suas características: Boomers, Baby boomers, Geração X, Geração Y ou Millennials e já está se falando na Geração Z.

As datas de início e término do período que compõem essas gerações não são exatas, porém há um período de consenso aproximado. Por exemplo, os pertencentes à Geração Y nasceram entre a década de 80 e o início (bem no início) dos anos 2000, por isso também são chamados de Millennials, por conta do novo milênio.

Cada uma dessas gerações foi influenciada pelo contexto externo em que nasceram e cresceram. Não externo apenas no sentido de bairro, país ou quantos irmãos tinha, mas algo muito maior que são as “revoluções” e tendências mundiais, como o celular, a internet, o avião! O cenário mundial no qual os Baby boomers cresceram, final da Segunda Guerra Mundial não é o mesmo que o da Geração Y, extremo desenvolvimento tecnológico.

Se cresceram com influências diferentes, possuem objetivos de vida coletivos iguais entre si e diferentes entre gerações. O que acontece, quando os jovens trabalhadores pertencem a uma geração, e seus chefes pertencem à outra? No atual momento: Insatisfação. Mas por quê?

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Eu sou fruto da Geração Y, eu provo regularmente da insatisfação com os padrões de trabalho atuais, mas não estou sozinha. Diversos amigos já me confidenciaram problemas com o chefe ou com a empresa e os motivos se repetem a cada nova história. Pela atual quantidade de matérias em revistas especializadas em negócios e administração, não somos nós os únicos a repararem essa incompatibilidade. “Ficar 30 anos na mesma empresa? Esqueça”, “Verdade ou não? Estereótipos da Geração Y são postos à prova”, “Empresas com trabalho remoto atraem gerações X e Y” e “Empresas ainda não compreendem a geração Y, diz estudo” são alguns dos recentes (vários) exemplos.

Porque não queremos trabalhar 30 anos na mesma empresa? Quem disse que não? Queremos! Mas em uma empresa que nos reconheça intelectualmente e financeiramente, nos dê oportunidade de crescimento, esteja aberta as nossas novas ideias e não esmague nossa criatividade e proposta de inovações com pensamentos consolidados na década de 50.

Porque temos o desejo incessante de sermos líderes? Porque são poucas as empresas como essa que existem e não são suficientes para englobar toda a mão de obra da Geração Y. E falando de empresas brasileiras, essa empresa “não” existe. Então vamos criá-las!

Nem eu e nem as matérias acima acreditam que as empresas sabem aproveitar o potencial dos jovens dessa geração. E na minha singela opinião, estão na verdade exterminando o que de melhor temos para oferecer. Criatividade e energia! Somos contratados por esses motivos, mas será que usam desses recursos? Do que adianta comprar um carro de corrida e só andar a 80 km/h?

Existem apenas 3 caminhos possíveis para nós: os sortudos, os bravos e os conformados.

  • Os sortudos são aqueles que deram sorte e foram trabalhar na empresa dos sonhos, não interessa qual o sonho de cada um.
  • Os bravos são os que foram concretizar seus próprios projetos. São os rebeldes, utópicos, mas também são os que estão tentando mudar, descobrir o novo.
  • Os conformados, a maioria, são os que as empresas esmagaram. Por qualquer motivo pessoal, não foram bravos nem sortudos (ainda) e por responsabilidades acabaram em uma empresa que não dá a mínima para as suas expectativas. Sair é mais complicado, já que as obrigações impedem de serem radicais e com o tempo, acostumam a ficar lá. Frustração é o sobrenome que acompanha e depressão um amigo por perto.

Acredito fielmente que parte do “problema” com a Geração Y, não está na Geração em si, não queremos nada absurdo: queremos trabalhar com o que gostamos, acreditamos que trabalho não deve ser sinônimo de ‘prisão’ ou apenas uma forma de obter dinheiro, queremos combinar dinheiro e lazer. Porque não? Se acontecer como nos foi dito pelos nossos pais e professores, passaremos 1/3 do nosso dia trabalhando, durante 11 meses do nosso ano, durante aproximadamente 40 anos, ou seja, 2/3 da nossa vida – baseado na expectativa de vida do brasileiro. Como fazer algo que não gostamos durante 2/3 da nossa vida?

Achamos que a vida é mais do que apenas trabalhar e percebemos que o ciclo “trabalho-casa-trabalho” não faz sentido por si só. Queremos aproveitar mais a nossa curta vida. Queremos trabalhar! Até porque trabalhamos com o que gostamos, mas também queremos poder viajar ou sair mais cedo do trabalho sem o sentimento de culpa ou ter que solicitar 500 vezes para o seu chefe, que vai lhe fazer um “favor” e deixar você chegar sem atrasos no jantar em família ou na despedida do amigo que vai ficar 1 ano fora. Precisamos barganhar para não perder acontecimentos importantes daquilo que nos é fundamental, a vida. Triste, não é?

Tentamos balancear a vida pessoal e a profissional e por isso, qualidade de vida nos é prioridade. Perder tempo no trânsito ou ficar preso no trabalho para cumprir horas, sem atividade, quando poderíamos estar fazendo algo mais útil, nos mata lenta e dolorosamente.

Por fim, valorizamos o conhecimento. Crescemos na era da informação, somos apegados a ela. Acreditamos que não devemos parar de aprender e isso não é apenas na educação formal. É no trabalho. Uma carreira estagnada ou a falta de perspectiva é uma facada no meio do nosso coração. FINISH HIM! 

Tendo dito isto, lhe pergunto: o que há de errado? Não acredito que nossas ideologias sejam ruins ou irão destruir a ordem mundial empresarial e vivenciaremos o apocalipse. Se pintamos o mundo de outra cor que não o preto e branco, qual seria o grande problema da empresa em tentar pintar a parede do escritório? Mas não pintam. E voltamos ao ciclo.

E respondendo a pergunta do início do texto, um infográfico como resposta. Clique para ampliar.

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Juliana Turano
Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Idealizadora e gestora do site TagCultural e projetos derivados, trabalhou como produtora de importantes empresas como Grupo Editorial Record, Espaço Cultural Escola Sesc e Rock in Rio, nas edições de Lisboa 2012 e Brasil 2013. Megalomaníaca, criativa, entusiasta da música e do ballet clássico, não perde um espetáculo de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ou um festival de música legal. Adora viajar e aproveita suas viagens para assistir espetáculos de importantes companhias como do Royal Opera House e New York City Ballet. Também aproveita para comparar o desenvolvimento cultural de outros países com o do Brasil e sonha que seu país se desenvolva mais nesse campo.

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